A maioridade chegou

*Texto reproduzido no Grande Prêmio

Eis que o automobilismo brasileiro alcança a maioridade. São 18 anos que passaram desde a morte de seu maior representante. Falta, no entanto, a maturidade. Em 18 anos, nenhum outro campeão surgiu na F1, e o país que antes era, de certa forma, uma potência na categoria, convive cada vez mais com a possibilidade de ficar sem representantes.

Até o dia 1º de maio de 1994, quatro pilotos brasileiros conquistaram 79 vitórias na F1. José Carlos Pace (1), Emerson Fittipaldi (14), Nelson Piquet (23) e Ayrton Senna (41). Os três últimos conquistaram, somados, oito títulos. Eram referências, cujos nomes figuram entre os maiores pilotos de todos os tempos. Destacaram-se nos tempos áureos da F1, nos tempos em que os pilotos que mais são lembrados e exaltados competiram.

Desde o dia 1º de maio de 1994, dois pilotos brasileiros conquistaram 22 vitórias na F1. Rubens Barrichello e Felipe Massa têm 11 triunfos cada. Após o choque da perda do ídolo, passaram-se seis anos até que o hino nacional voltasse a tocar em uma prova da categoria. E, muito embora Barrichello e Massa tenham tido momentos de destaque e causado momentos de alegria nos torcedores, nunca se aproximaram dos feitos dos verdadeiros ídolos dos brasileiros. Mais: por muitas vezes, a dupla foi motivo de chacota e de duras críticas por parte dos aficionados.

Nestes 18 anos, a F1 passou a ter seu status de “segundo esporte” do Brasil questionado. O vôlei e até mesmo o UFC fazem frente. Ao meu ver, não há comparação pois, nas fases ‘ruins’ destes outros esportes, como aconteceu com o tênis, o público em geral simplesmente se desinteressou – o que não aconteceu com a F1. Aqui, o processo é gradual. Mas real.

A resistência é grande, pois há um público muito apaixonado e específico, que cresceu acompanhando corridas e que passou isso a seus filhos. Aqueles que gostam de carros. Porém, mesmo o comportamento destes é diferente. Passaram a acompanhar mais a distância. Os ingressos para o GP do Brasil deixaram de se esgotar.

Barrichello deixou a F1, com 325 GPs disputados – talvez o feito mais memorável destes 18 anos. Massa deixará, é questão de tempo. Do jeito que ele está hoje, sai da Ferrari no fim do ano e não consegue lugar em outra equipe. Se melhorar, talvez consiga algo em uma equipe do segundo escalão. Quiçá uma Lotus. Tem ainda Bruno Senna, que está andando bem, muito melhor que Massa, mas sabe-se lá até quando ele vai se manter na categoria e em uma equipe boa.

Enquanto isso, a TV Globo busca uma maneira de manter a audiência das corridas e de encontrar um novo herói nacional. Talvez em Bruno. Quem sabe em Felipe Nasr, atual campeão da F3 Inglesa e que começou bem a temporada da GP2. Até mesmo em Luiz Razia, que está no quarto ano de GP2, e pode ser campeão este ano, mas em momento algum deu ou dá a pinta de que brilhará na F1.

Senna sempre desejou deixar um legado, dentro e fora das pistas. Fora, o Instituto Ayrton Senna, tocado por sua irmã, Viviane, leva adiante um sonho do tricampeão. Dentro, no entanto, a morte prematura impediu que ele colocasse em prática os planos que tinha em mente.

Enfim, são 18 anos sem Senna. 18 anos tentando se reabilitar do choque. Ainda sem êxito.

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