O mais grave acidente de Piquet

No dia 7 de maio de 1992, Nelson Piquet sofria o mais grave acidente de sua carreira. Tricampeão mundial, sem vaga na F1 após a temporada de 1991, o veterano brasileiro começava a se aventurar nas pistas dos Estados Unidos. A aventura começou em março, quando Paul Menard o telefonou para convidá-lo a competir na Indy, com um Lola-Buick. Tentado pelo novo desafio, Piquet aceitou.

Participou do Rookie Test, pelo qual passam todos os pilotos que nunca tiveram experiências em Indianápolis, e foi aprovado. Começou, então, a treinar para disputar a tradicional prova das 500 Milhas. Em 7 de maio, Piquet perdeu o controle de seu carro e bateu com força na barreira de pneu entre as curvas 3 e 4 de Indy. A história completa está na matéria do “papai” Fernando Silva para o Grande Prêmio.

O acidente foi horripilante. Muito mais do que o de Ayrton Senna. O impacto foi a mais de 340 km/h. Não havia Hans e, como se vê na foto, a cabeça do piloto balançou de uma maneira impressionante – sabe se lá como a coluna cervical não foi fraturada. Sabe se lá como ele sobreviveu sem grandes seqüelas. Ou como não ficou desacordado durante o resgate: durante os 15 minutos de trabalho da equipe médica, ele esteve consciente. A batida de Senna, não fosse o cabo de suspensão que acertou seu capacete, teria sido até “comum”, apesar da velocidade elevada.

Piquet fraturou o pé e o tornozelo esquerdos, deslocou o tornozelo direito, teve o joelho direito dilacerado e lesões mais leves nas mãos, no pulso e no cotovelo esquerdos. O pé esquerdo foi o mais afetado, o que gerou uma brincadeira de Alessandro Nannini, companheiro do brasileiro na Benetton, em 1989 e 1990.

O italiano sofreu, no fim de 90, um grave acidente de helicóptero que decepou parte de seu braço direito. Ele nunca mais voltou à Fórmula 1, competiu novamente apenas em provas de turismo. (E foi substituído, na equipe italiana, pelo brasileiro Roberto Pupo Moreno, que formou uma dobradinha brasileira no GP do Japão, junto de Nelson). Quando Piquet se acidentou, Nannini o telefonou e disse: “Agora, se juntarmos os seus pés e as minhas mãos, ainda podemos formar um bom piloto”.

Piquet se recuperou e voltou a correr. Disputou as 500 Milhas do ano seguinte, inclusive, para as quais se classificou no 13º lugar, mas não conseguiu completar, devido à quebra de seu motor Buick. Seu retorno contribuiu para que este acidente não fosse tão lembrado. Mesmo assim, se ele parasse de correr, ou mesmo se morresse, eu duvido que se tornasse tão idolatrado quanto Ayrton Senna é.

Primeiro, pelas circunstâncias: Piquet bateu em um treino de uma categoria que não tinha o alcance que a F1 tem no Brasil. Senna bateu ao vivo diante de milhões de espectadores em todo o mundo. Segundo, pela diferença existente entre os personagens: Senna estava no auge, ao passo que Piquet estava na fase final de sua carreira, já fora da F1. Senna significava a única esperança de vitórias do Brasil nos esportes – o futebol ia mal, e o vôlei, campeão olímpico em 1992, não se tratava de um fenômeno – em um tempo em que o momento político era conturbado, pós-ditadura militar, governo Sarney e impeachment de Fernando Collor de Melo, ao passo que Piquet nunca se preocupou em ser o Brasil em tudo. Como disse certa vez, corria é pela grana.

O que fica, neste dia 7 de maio, é a lembrança do mais grave acidente sofrido pelo tricampeão mundial de F1, dono de 23 vitórias na categoria, um dos melhores pilotos que passou pela elite do automobilismo. Abaixo, o vídeo:

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