Villeneuve e Pironi: os destruidores de carros

8 de maio de 1982, exatos 30 anos atrás. Em um gravíssimo acidente no circuito belga de Zolder, perdia a vida Gilles Villeneuve, um dos mais lendários pilotos de todos os tempos, um dos maiores que já passou pela Ferrari e pela F1. Os números podem desmentir isso, afinal, apontavam apenas seis vitórias e um vice-campeonato. Mas os números não refletem fielmente a realidade.

Villeneuve perdeu a vida tentando superar Didier Pironi, francês e companheiro de equipe na Ferrari. Os dois não se falavam há duas semanas, desde o GP de San Marino, quando uma famosa briga acabou com a boa relação entre os dois. Porém, não é da briga que vou falar neste post, e sim da boa relação entre a dupla.

Estou lendo o livro “Senna vs Prost”, do inglês Malcolm Folley (pretendo escrever mais sobre quando terminar), e a história da rivalidade mais mortal da história da F1 é contada desde os primórdios de Ayrton Senna e Alain Prost, com muitas entrevistas e fatos sendo relatados. Um dos entrevistados pelo autor é justamente Prost, que era amigo tanto de Villeneuve quanto de Pironi. E, juntos, os três tinham um jogo bastante peculiar. Prost conta:

“Havia uma curva, no caminho para Paul Ricard, onde nós tentávamos bater os nossos carros na velocidade mais alta possível. Saíamos da pista e jogávamos o carro em uma vinícola. Eu venci uma vez, jogando o carro para fora da pista o mais rápido que consegui. O carro, alugado, foi parar lá no meio da vinícola, completamente destruído. Mas isso não era tão engraçado para mim. Já era demais”, admitiu o francês, que, à época, competia pela Renault.

“Didier estava ganhando o tempo todo (na F1) porque ele era muito pior que Gilles neste nosso jogo. Era inacreditável. Nós fomos banidos das locadoras de carros de Marseille por um longo tempo!”.

Não que eles estivessem certos, mas estes são tempos curiosos que nunca serão revividos. No livro, Prost conta que, naquele ano de 1982, quando Gilles faleceu e Pironi fraturou as pernas tão gravemente que nunca mais voltou à F1, mudou seu modo de pilotar e sua filosofia de vida. Por mais que gostasse daquilo, ele não queria perder sua vida. Pensava em sua mulher e em seus filhos, e mudou completamente seu modo de pilotar, que ficou ainda mais suave e constante.

Prost disse também que não queria cultivar inimigos, não queria se arriscar a perder a vida como fez Villeneuve, devido ao ódio que carregava após aquele GP de San Marino de 1982. Curiosamente, foi na mesma pista, sete anos mais tarde, que eclodiu a guerra entre Senna e Prost. Mas não vou falar disso agora, volto a tocar no tema quando terminar de ler o livro.

Abaixo, o duelo entre Pironi e Villeneuve, em Ímola. Empolgante. O canadense, achando que Pironi estava brincando e o deixaria vencer no fim, não fechou a porta para as manobras do francês. A torcida vibrou. Pironi vibrou. A Ferrari não se importou. Villeneuve ficou puto.

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