Capelli x Massa

A última vez que a Ferrari demitiu um piloto durante a temporada foi no distante ano de 1992, um dos piores da história da Scuderia – comparável ao momento que o time vive em 2012. A vítima foi o italiano Ivan Capelli, que somou apenas três pontos ao longo da temporada. Vítima tanto pelo ano ruim quanto pelo fiasco que foi aquele carro da Ferrari. A temporada de 1992 é lembrada até hoje como uma das piores da história do time de Maranello.

Capelli foi demitido por uma mescla de insatisfação da cúpula da equipe e necessidade de se testar, em corrida, a suspensão ativa que vinha sendo desenvolvida. Nicola Larini, piloto de testes, assumiu, então, a titularidade nas duas últimas provas de 1992. O piloto, mais lembrado pelos tempos de March, somou três pontos nas catorze provas que disputou. Ele abandonou cinco por problemas mecânicos e outras quatro devido a acidentes e/ou rodadas. Das cinco provas que completou, pontuou em duas, no Brasil (3ª etapa) e na Hungria (11ª etapa).

A situação de Felipe Massa, em um primeiro momento, é semelhante. Nas cinco provas iniciais da temporada, o brasileiro somou dois pontos, no GP do Bahrein, quarta etapa da temporada. Há de se ponderar, no entanto, um detalhe muito importante: as diferenças no sistema de pontuação.

Se convertermos os resultados de Ivan Capelli de acordo com a pontuação atual da F1, sua situação passa a ser mais confortável que a de Felipe. O quinto lugar no GP do Brasil lhe renderia 10 pontos, em vez de dois, e ele ainda somaria um pontinho a mais no GP da Espanha, com um décimo lugar. O placar aponta, portanto, 11 x 2 em relação ao italiano. Conclui-se que ele foi demitido por menos. O outro piloto da Scuderia à época, o francês Jean Alesi conquistou 27 pontos nas cinco primeiras provas (um terceiro e um quarto lugares), e outros 47 no restante do ano, totalizando 74. Número inferior a Alonso, mas é bem verdade que a qualidade técnica entre eles é incomparável, e que a F92A era pior que a F2012.

A paciência da Ferrari com Massa acabou. Uma nota publicada no site do time demonstra como se espera uma reação imediata do brasileiro. A fase de se apaziguar a situação passou, e agora a equipe o pressiona publicamente.

Desde 2010, quando Fernando Alonso chegou à Ferrari, sua vantagem sobre Felipe Massa é impressionante. Ele terminou as duas primeiras temporadas com mais de 100 pontos a mais que o vice-campeão de 2008. A comparação feita pela Ferrari dos números de cada um dos pilotos nas cinco primeiras provas dos últimos três anos torna ainda evidente a superioridade de Alonso e o declínio de Massa. Em 2010, 67 a 49; em 2011, 51 a 24; e em 2012, 61 a 24.

A de Massa está em um estágio em que não é mais a sua saída ao término da temporada que deve ser questionada, mas sim a demissão durante o ano de 2012, cada vez mais possível.

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