Vida nova para a F3 Sul-Americana?

A F-3 Sul-Americana está em novas mãos. Sai Dílson Motta, entra Carlos Col e a Vicar, em uma tentativa de se recuperar o principal campeonato de base do automobilismo da América do Sul. A notícia é boa, é preciso um novo gás para que a F3 consiga cumprir minimamente o seu papel – nos últimos anos, isso não aconteceu. A informação está na Revista Warm Up deste mês, a 26ª, cuja leitura eu recomendo, pois ela está muito legal, mesmo.

Acabou a F-Futuro e a F3 sequer tinha calendário. Os pilotos que pensavam em andar de fórmula no Brasil ficaram sem rumo. Gabriel Casagrande, Felipe Fraga, Victor Franzoni, Gustavo Lima e Guilherme Silva estavam com um pé na Europa, e por lá ficaram, dando prosseguimento ao trabalho. Mas os pilotos que pensavam em correr no Brasil, gente como Antonio Furlan, Olin Galli, Jonathan Louis, Ítalo Leão, Luir Miranda, Lucas Nogueira, Guilherme Salas, Johilton Pavlak, André Pedralli – e mais algum nome que pode ter passado batido – ficaram sem saber o que fazer.

A informação mais atraente da reportagem da eternamente demitida Evelyn Guimarães é o preço da temporada de 2012: R$ 400 mil. É bem verdade que este valor é para que se dispute cinco etapas, menos do que nos últimos anos. Mas, para quem estava sem rumo, pode ser a chance de fazer algo no segundo semestre. Os valores que circulavam antes giravam em torno de seiscentos, setecentos mil reais. Para alguns, pode não parecer uma diferença grande, mas é. Um patrocínio que antes bancava metade da temporada, agora pode bancar toda ela – pelo menos neste ano.

Dois parágrafos atrás, citei cinco pilotos. Deste quinteto, três sequer competiram em provas de fórmula no Brasil. Fraga fez alguns treinos de F3 durante o ano de 2011 e partiu para a F-Renault Alps. Lima e Casagrande também estão estreando nos carros. Lima disputaria a F-Futuro paralelamente ao Alps, e decidiu ficar somente no Velho Continente. Casagrande chegou a pensar em competir por aqui, mas partiu direto para a Europa, onde está disputando dois campeonatos: o Norte-Europeu e o Alps, também de F-Renault – inicialmente, ele iria para a F-Renault Inglesa, que acabou cancelada por falta de carros; não é só aqui que isso acontece.

A escolha deste trio foi baseada nos pequenos grids encontrados no Brasil. Com pouca gente para competir, o nível acaba sendo mais baixo. Não estou questionando a qualidade dos pilotos, que fique claro, mas do campeonato. O aprendizado é muito maior competindo na Europa, com carros mais atuais e no meio de pilotos que se vai enfrentar até o fim.

Conversando com o Casagrande, ele me disse uma coisa interessante sobre porque não competir na F-Futuro ou na F3 Sul-Americana: após um ano aqui, quando se vai para a Europa, não se avança uma categoria. Você começa a carreira lá estando no mesmo degrau, ainda longe das principais categorias de base.

Por outro lado, vejo um lado negativo de se ir direto para a Europa. O oba-oba em torno dos pilotos que vão para lá cresce. Quem vê, espera vitórias, torce, pensa que um novo Senna está a caminho. Naturalmente, os resultados não são os melhores logo de cara. É preciso todo um processo de adaptação a um novo país, um novo idioma, uma nova cultura, um novo método de trabalho, a distância da família, a alimentação, tudo, absolutamente tudo. E quanto menos formada a cabeça, mais complicado tudo se torna.

Voltando à citar a Revista Warm Up deste mês, um bom exemplo está na história de Pedro Bianchini, em uma matéria que eu fiz. Bianchini hoje tem 20 anos, e parou de correr. Ele foi apoiado pela Red Bull durante toda a sua passagem pelo kart, e assinou um contrato com a empresa das latinhas de energéticos nos mesmos moldes do que tinha Sebastian Vettel, com duração de 10 anos. Porém, logo na primeira temporada na Europa, na F-BMW Alemã, o paranaense sofreu um acidente no qual quebrou a perna e perdeu as duas primeiras etapas do campeonato.

Quando voltou, tendo perdido muito tempo em relação aos seus adversários, começou a ser cobrado por Helmut Marko, chefe da Red Bull, pelos resultados que não conseguia apresentar. Bastou um ano, em meio a estas dificuldades, para que ele fosse limado do Red Bull Junior Team. Imaturo, aos 15 anos de idade, ele achava que, à época, estava pronto. Hoje, em uma análise mais distante, reconhece um erro. Por outro lado, diz que se tratava de uma “oportunidade única”, a chance da vida. Não podia recusar.

O automobilismo brasileiro precisa de um bom campeonato de fórmula, com um grid de, na pior das hipóteses, dez pilotos, e, principalmente, com várias equipes. Em 2011, a pior coisa que aconteceu foi apenas Cesário e Hitech participarem da temporada. Bassan, Dragão e Dárcio dos Santos ficaram de fora. Com mais de 60% do grid, a Cesário dominou o campeonato, Fabiano Machado ganhou com facilidade.

Ponto positivo da F3 passar às mãos da Vicar é que, finalmente, servirá de suporte a um evento maior, grande erro da antiga organização. A F3, por si só, não constitui um grande evento, ainda mais em tempos de vacas magras. Para os patrocinadores, o certame fica mais atraente, visto que mais olhares cairão sobre o campeonato.

Em junho, depois da etapa do Brasileiro de Marcas em Brasília, acontece um dia de treinos coletivos – que tem mais equipes confirmadas do que pilotos. Em julho, em Curitiba, a primeira etapa e, em agosto, no Rio de Janeiro, mais um dia de treinos.

Nos planos de Col também está a criação da F3 Brasil, paralela à Sul-Americana, e de uma academia de pilotos. O objetivo do projeto é buscar talentos por meio de seletivas em dez cidades brasileiras. Os finalistas participarão desta escola de pilotagem onde, assim como na aviação, os garotos acumularão “horas” para, só depois, correr.

A ideia é interessante. Necessita, porém, de um apoio, que está sendo negociado junto à Petrobras. Talvez aí esteja a ideia de se criar a F3 Brasil, um modo mais fácil de se conseguir o apoio da petrolífera, que já esteve junto da F3 nos últimos anos, via Lei de Incentivo ao Esporte, e que apoia também o Brasileiro de Marcas.

Temos de esperar, agora, o desenrolar dos fatos. Ver se as equipes conseguirão atrair os pilotos para os treinos do dia 11 e para a primeira corrida, em julho. Ficar um ano inteiro sem nada seria muito ruim para o automobilismo brasileiro. Todos sabem disso, inclusive Cleyton Pinteiro, presidente da CBA, que colocou os investimentos na base como fundamentais para um segundo mandato a frente da entidade.

Se, no kartismo, alguns avanços foram feitos nos últimos anos, novas marcas chegaram ao Brasil e os grids cresceram um pouco, é a hora do mesmo acontecer com os monopostos.

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3 comentários sobre “Vida nova para a F3 Sul-Americana?

    • Milton, a última informação que tenho é que as equipes estão preparadas para treinar, mas depende da participação dos pilotos. Eu não sei lhe dizer quantos pretendem treinar, se é que algum está interessado.

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  1. Parabens pelo espaço e pela materia; tambem acreditamos que este ano a F3 ira decolar, necessita somente iniciar os primeiros treinos e corridas, tambem estamos em busca de um piloto e sera o primeiro ano da chemim-ca no campeonato, um abraço a todos, carlos-curitiba.

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