Pay-per-F1

Quando a BBC anunciou que, a partir de 2012, dividiria a exibição das corridas com a Sky Sports na Inglaterra devido ao alto custo necessário para a cobertura do Mundial, críticas foram feitas de todos os lados: do público, que se viu na necessidade de pagar para assistir às provas, e das equipes e patrocinadores, que temiam uma redução na exposição de suas marcas.

Havia ainda uma preocupação com a transmissão que seria feita pela Sky, todos torcendo para que fugisse do que era feito pela ITV até 2008, que interrompia as provas para exibir comerciais e seguisse a mesma linha adotada pela BBC a partir de 2009, com uma estendida cobertura de 1h antes da corrida e mais 2h depois, com entrevistas, especiais e tudo o que um fã espera ver numa transmissão. Altíssima qualidade e, é claro, como se trata da BBC, com pouquíssimas interrupções.

O valor de £ 40 milhões que a BBC pagava sozinha para a FOM foi dividido em dois. O canal aberto ficou com £ 15 mi, e o restante, foi repassado à Sky. E o dinheiro economizado é utilizado para os custos, menores, que a BBC tem neste ano.

E a Sky tratou com respeito o apaixonado público que visava atingir. Contratou o principal comentarista da Inglaterra, Martin Brundle, que está no meio desde 1997, um ano após deixar a F1 como piloto, e fazendo um excelente trabalho. Eu, particularmente, gosto muito de seus comentários. Com ele, inclusive, a BBC inovou ao ter dois ex-pilotos encabeçando a transmissão, com Brundle como narrador. Na Sky, Brundle lidera uma extensa equipe que inclui Damon Hill e Anthony Davidson.

A Sky criou o canal Sky Sports F1. É um canal pago, mas que tem 24 horas de programação dedicada à F1 e a temas relacionados, como a transmissão de provas da GP2 e da GP3, compactos das corridas e programas especiais de entrevistas com nomes históricos do esporte. Um orgasmo televisivo.

A Inglaterra, em 2011, está dividida: a Sky F1 mostra todas as provas, com sua cobertura estendida, na mesma linha da cobertura da BBC, que escolheu dez provas para transmitir, as que considera mais importantes, como Espanha, Mônaco, Inglaterra, Itália e Brasil. Nas demais, apresenta um programa pós-GP, com um compacto da prova e as entrevistas e especiais de sempre, e seu time principal com Jake Humphrey, David Coulthard e Eddie Jordan.

Ontem, quinta-feira, a Sky e Bernie Ecclestone deram um sinal de que gostaram da experiência que está sendo vivida na atual temporada. A partir de 2013, a empresa que pertence ao conglomerado administrado por Rupert Murdoch, terá os direitos de transmissão da F1 na Itália, outro país que igualmente importante para o mercado da categoria, afinal, é a casa da mais tradicional equipe, a Ferrari, e a massa de tifosi que acompanha a escuderia.

Pelo contrato firmado, a Sky mostrará todas as provas, sendo que em nove etapas haverá uma transmissão paralela, uma emissora de TV aberta, que será escolhida mutuamente pela Sky e pela FOM. Hoje, este canal é a RAI.

A motivação de Ecclestone para topar estender o modelo à Itália são os resultados obtidos na Inglaterra. O chefão da F1 explicou que, dos 25 milhões de residências no Reino Unido, “a Sky alcança 10, e a BBC normalmente tem seis ou sete milhões”.

Com relação à audiência nas primeiras quatro corridas do ano, a BBC teve um pico de 4.21 milhões de televisores ligados no GP da China, a primeira prova que transmitiu, que foi 1 milhão inferior ao valor registrado em 2011. Nesta prova, a Sky somou 887 mil telespectadores, e teve uma média de 1 milhão por corrida até o GP do Bahrein.

Tais resultados, embora representem uma redução, não constituíram uma decepção.

Ecclestone ainda criticou a postura displicente da BBC: “Eles estavam certos de que nós não tínhamos lugar para ir”. Na visão do dirigente, estavam errados. “A Sky está fazendo um super trabalho”.

O contrato de “parceria” entre a BBC e a Sky vai até 2018, que é o período pelo qual a BBC adquiriu os direitos de transmissão em 2008. Depois disso, Ecclestone já planeja passar tudo para o pay-per-view que, em 2012, tem um custo de cerca de £ 480 por ano aos assinantes. Aprovando-se o resultado na Itália, tornar-se-á, com certeza, uma tendência, fazer o mesmo em outros países. Palpitando, eu diria que França e Alemanha podem ser os próximos.

E no Brasil? Bem, com anos de atraso a TV Globo começou, em Mônaco, a exibir o pré e o pós-GP. Não dá para dizer quanto exatamente isso renderá de audiência a mais, afinal, será preciso educar um público que está descrente na F1, sem ver pilotos brasileiros. Às vezes penso que a Globo só transmite a F1 ainda porque se trata de um esporte de ponta, uma Copa do Mundo, que, mesmo sem o Brasil disputando o título, rende audiência. É um produto que, nas mãos da concorrência, constitui uma ameaça.

Mas poderiam eles passar a F1 para o SporTV ou para o pay-per-view? No momento, eu não arriscaria tomar tal decisão. Num momento de alta da F1 no Brasil seria um risco que valeria a pena correr. Hoje, seria um fracasso.

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