GP de Londres: cortina de fumaça ou realidade?

Seria sensacional ver uma corrida de F1 nas ruas de Londres. Os ingleses são apaixonados por F1, e é na Inglaterra que tudo acontece. É lá que estão a maioria das equipes e é com uma imensa contribuição das nostálgicas garagistas dos anos 70 e 80 que a categoria se transformou no que é hoje – e, é claro, do dono de uma destas garagistas, um tal de Bernard Ecclestone, que comprou a Brabham em 1971.

É justamente Ecclestone, que hoje manda na porra toda, que está por trás do projeto de organizar um GP em Londres. O todo-poderoso da F1 disse que bancaria a realização da prova, um valor estimado em 35 milhões de libras, cerca de 113 milhões de reais. Muito dinheiro, mas nada que seja problema para ele.

A verdade é que o anúncio destes planos veio um dia depois que foi anunciada a prisão do banqueiro alemão Gerhard Gribowsky por ter aceito propina no caso da venda de ações da F1 para o grupo financeiro CVC. O escândalo envolve Ecclestone que, de acordo com a justiça, não tão inocente quanto alega ser. Astuto, como sempre, o dirigente já arranjou um meio de fazer seu nome voltar a ter mais destaque no âmbito esportivo do que ligado a problemas. O prefeito de Londres, Boris Johnson, demonstrou interesse no evento, mas negou ter recebido uma proposta.

Financeiramente, a FOM (Formula One Management, empresa de Ecclestone) não sairia no lucro pela realização da corrida, e é por isso que, nos últimos anos, quem banca os GPs são os governos locais: as taxas pagas para a realização de uma prova geram uma movimentação na economia local, o que justifica o investimento. Um grupo privado, como é a F1, não tem interesse em fazer isso, pois não colherá estes frutos do impulso gerado à economia local.

Em um primeiro momento, já que o Santander parece ter abraçado o projeto. O banco criou um site no qual disponibilizou vídeos e imagens do projeto. Um dos vídeos, inclusive, conta com a participação de Lewis Hamilton e Jenson Button, que trabalharam nos simuladores para ajudar concepção do circuito, e da dupla de cabine da Sky nas transmissões das corridas, formada por David Croft e Martin Brundle.

O vídeo é, inclusive, bem interessante, o primeiro da minha enésima conta no YouTube:

O cenário é dos mais incríveis da história da F1, sem dúvida, fazendo frente a Mônaco, Monza e Spa-Francorchamps. Palácio de Buckingham, Parlamento, Big Ben, London’s Eye, Trafalgal Square, Abadia de Westminster, St. James Park, Hotel Ritz – não necessariamente nesta ordem.

Não conheço Londres, mas é uma cidade que eu gostaria muito de conhecer e daquelas que, desde a infância, penso em morar. Pena que é muito cara. Tantos clubes de futebol, especialmente o Arsenal, estádios históricos, pubs e rock n’ roll. Um palco espetacular.

E em um momento em que se faz muita campanha contra dois GPs no mesmo país, eu não sou contra duas provas na Inglaterra. É o centro de tudo, e, em termos de retorno de público, facilmente bateria Coreias, Índias, Chinas, Bahreins e Abu Dhabis da vida. Talvez seja o único país do mundo realmente capaz de abrigar dois GPs.

Espero que não se trate apenas de uma cortina de fumaça levantada por Bernie Ecclestone para tirar o foco da prisão de Gribowsky. Que é uma cortina de fumaça, é, mas bem poderia ser realidade.

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