Os troféus são da McLaren

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Lewis Hamilton disse que uma de suas condições para a renovação do contrato com a McLaren é que ele possa ficar com os troféus que ganha. A princípio, pode parecer bobagem, mas isso é algo histórico da escuderia de Woking.

Dono do time desde o início da década de 1980, Ron Dennis tem essa política. Para ele, os prêmios são da equipe, e é por isso que os pilotos não ficam com os troféus que recebem por subir ao pódio nas corridas. É um ponto no qual Dennis é irredutível, e não abrirá mão no caso de Hamilton.

No passado, um importante episódio na história da equipe teve como pivô um troféu: o GP da Itália de 1989. Naquela temporada, explodira a guerra entre Ayrton Senna e Alain Prost, e ficava evidente que os dois não poderiam continuar juntos. O futuro da McLaren, no entanto, estava em Senna, e não em Prost, bicampeão e que conversava com Dennis e com John Hogan, o todo-poderoso da Marlboro, sobre ter uma parte da equipe.

Em um ambiente insustentável, Prost optou por sair. E o anúncio do novo acordo firmado com a Ferrari veio, como tradicionalmente acontece, em Monza. O francês se tornou, imediatamente, o centro das atenções naquela corrida, e o novo queridinho dos tifosi.

Prost venceu no domingo, diante de sua nova torcida, que comemorou, mesmo sem ver o triunfo de um carro vermelho. No pódio, a massa de torcedores italianos começou a gritar “Copa! Copa! Copa!”. Eles queriam o troféu do vencedor. Prost nunca foi apegado aos troféus, e por isso nunca reclamou da postura da equipe. Mas ali, emocionado e pensando em começar bem a relação com a torcida da Ferrari, jogou o troféu para a galera, e para a ira de Dennis.

Está no vídeo que segue, aos 3min30s. Vejam como o inglês reagiu ao ver Prost na grade, jogando a taça para a galera:

Prost admitiu o que definiu como erro. Não foi um ato de vingança, um tapa na cara do chefão da McLaren, ele somente não queria começar mal a relação com os tifosi. Mas Dennis ficou furioso, revoltado. Aquilo foi a gota d’água no relacionamento de Prost dentro da equipe inglesa no fim de 1989. O tricampeonato, quinto título da McLaren em seis anos, viria dois meses depois, mas o time ficou decepcionado, queria que aquele fosse o bi de Senna.

Voltando à Hamilton, é criancice? Não. Prost não era apegado aos troféus. Senna, Coulthard, Alonso, Häkkinen e outros que passaram por lá aceitaram aquelas condições. Hamilton quer ter os troféus, símbolos de suas conquistas. Ou talvez nem queira, apenas esteja usando isso como moeda de troca por um salário maior. “Ron Dennis nunca vai permitir isso. Está tudo bem, vou vencê-lo no dinheiro”, disse na entrevista ao Daily Mail.

Está tentando negociar. Tem uma parada dura, afinal, são poucos os que conseguem bater Dennis. As negociações entre ele e Senna eram complicadíssimas, e mesmo afastado do comando da equipe nas corridas, ainda é ele que manda lá dentro, com a mesma postura de antigamente.

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