Prost e seus motivos para ficar “chateado” com filme “Senna”

Quando o documentário sobre Ayrton Senna foi lançado, Alain Prost disse que não assistiria. Agora, parece que o francês, que junto de Senna, protagonizou a mais feroz rivalidade de todos os tempos na F1, assistiu, e não gostou do que viu.

Em entrevista à televisão francesa ITV, Prost mostrou seu descontentamento com o enfoque dado pelo filme à disputa entre ele e Senna. “Fizeram um filme comercial com o mocinho e o vilão”, criticou o tetracampeão. “Não que eu me importe muito por isso”

Prost foi entrevistado durante a produção do filme, e disse que gostaria que o longa abordasse de uma forma mais imparcial e mais correta sua rivalidade com Senna, mostrando também momentos em que o brasileiro estava errado, em que Senna era o vilão.

“Estou chateado. Posso explicar o porquê em 30 segundos: porque eu fiquei muito tempo gravando este filme, fiquei muitas horas tentando explicar as coisas”, contou. Prost ficou insatisfeito por achar que seu depoimento pouco valeu na montagem do documentário.

“Tínhamos um Ayrton Senna antes da F1, o Senna de quando estávamos brigando na F1 e o Senna de quando eu me aposentei. E tem o lado humano da história, com as duas personalidades. As pessoas entenderiam muito melhor o que aconteceu quando estávamos brigando, porque ele estava se comportando de tal maneira, e teriam entendido melhor porque ele me ligava duas vezes por semana nos últimos três, quatro meses, me pedindo para voltar à Grand Prix Drivers Association, fazendo perguntas sobre a Williams, sobre segurança, sobre a vida pessoal – segredos que eu nunca contarei a ninguém”.

O filme deixa mesmo Prost de lado. É um filme muito bom, conta a sequência da carreira de Senna, porém, além de não focar muito na rivalidade entre Senna e Prost, o faz de maneira superficial e ufanista. Defende Senna, critica Prost, como se Prost fosse o vilão. Não era. O francês tinha muitos motivos para estar descontente com Senna, e vice-versa.

Talvez o momento mais marcante da rivalidade entre os dois tenha sido o acidente proposital causado pelo francês no GP do Japão de 1989. Um erro de Prost, um ato de vilanice, jogou o carro para cima de Senna. Mas Senna o fez, de maneira muito mais perigosa, um ano depois, no mesmo circuito de Suzuka. Em vez de bater no fim da prova, porém, bateu na largada, com os carros carregando 200 litros de combustível e na frente de todo o pelotão. Foi uma vingança, e não dá para criticar Senna por isso. Ele somente devolveu na mesma moeda. Mas foi um ato de irresponsabilidade. Como Senna bateu depois, continuou como o mocinho.

Prost tem razão ao reclamar do filme. Nem ele, nem Senna seriam os mesmos caso seus destinos não tivessem se cruzado. Prost poderia ter sido tratado com mais respeito.

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