O centenário de Kovalainen

Passou despercebido o 100º GP de Heikki Kovalainen na F1. Era para ter sido na semana passada, junto de Lewis Hamilton – um dos momentos em que suas carreiras se cruzam -, mas o finlandês não largou no GP da Espanha de 2010, com um problema no câmbio, e por isso foi só no GP da Hungria que ele se tornou um piloto centenário.

Dos mais de 800 que já passaram pela F1, Heikki é apenas o 61º primeiro a alcançar esta importante marca, mesmo sem ter feito nada de muito significativo na categoria além de ganhar um jogo de Angry Birds com seu nome.

Tá, ok, ele venceu o GP da Hungria de 2008, aquele que Felipe Massa liderou até três voltas do fim e ficou a pé depois que seu motor explodiu. Mas chegar a 100 GPs é muito mais difícil do que vencer, afinal, como mencionado anteriormente, Heikki é o 61º a alcançar tal feito, ao passo que 104 pilotos já venceram na F1.

Kovalainen chegou à F1 como piloto do programa de desenvolvimento da Renault, pupilo de Flavio Briatore. Estreou em 2007, depois de vencer a World Series, em 2004, e ser vice-campeão da GP2, perdendo para Hamilton.

Na Renault, ficou um ano, o ano em que o time ficou órfão de Fernando Alonso, que saíra para a McLaren. Kova chegou para substituir o espanhol, não a altura, é claro. O primeiro piloto passou a ser Giancarlo Fisichella, que não nasceu para ser primeiro piloto. Resumindo, foi um ano que Kova teve para mostrar serviço com um carro mediano em mãos.

Pontuou pela primeira vez em sua segunda prova, na Malásia, quando foi oitavo. Voltou a pontuar na quarta corrida, sétimo na Espanha. Na sexta etapa, obteve um quarto lugar no Canadá, e assim foi. Terminou entre os oito primeiros em 11 ocasiões, de um total de 17, incluindo um total de dezessete provas. Um bom número para um novato.

No fim do ano, no Japão, alcançou seu ponto máximo: um segundo lugar. Aquela prova foi completamente estranha. Debaixo de um temporal quase apocalíptico em Fuji, Hamilton – ele de novo – venceu, colocou a mão na taça, que jogaria fora nas duas provas seguintes. O primeiro pódio na F1 chegou a ser de Sebastian Vettel, mas ele bateu com Mark Webber. Pela primeira vez, então, dois finlandeses dividiram o mesmo pódio: Kimi Räikkönen terminou em terceiro.

Em sua primeira temporada na F1, Kovalainen conseguiu outro fator positivo: abandonou só duas vezes. Em Mônaco, com um problema no motor, e no Brasil, última corrida da temporada, devido a um acidente. Não comprometeu em momento algum.

Passadas as 17 primeiras corridas na F1, Kovalainen somou 30 pontos e terminou o campeonato em sétimo. Bateu Giancarlo Fisichella, que foi oitavo com apenas 21 pontos. Nada mais justo, para o italiano, que a demissão.

No ano seguinte, lá foi Kovalainen substituir Alonso mais uma vez, agora na McLaren. O espanhol voltava para a Renault, onde formaria dupla com Nelsinho Piquet. Kovalainen chegava a um time onde tinha condições de brigar por vitórias, e com a chance de se tornar um novo Räikkönen. O finlandês que manteria o país nórdico nas vitórias quando o campeão de 2007 se aposentasse. Esta foi, a propósito, a primeira vez que dois finlandeses dividiram equipes de ponta na F1.

Só que Kovalainen não manteve o bom retrospecto que apresentou pela Renault. Em momento algum conseguiu disputar de igual para igual os primeiros lugares, e se tornou um companheiro inofensivo para Hamilton.

A McLaren, que nunca gostou de ter um primeiro piloto soberano, certamente contratou Kovalainen pensando que ele poderia obter bons resultados sem prejudicar o clima interno do time, haja vista a guerra travada por Hamilton e Alonso em 2007. Certamente não gostou tanto assim do que fez Kovalainen.

O campeonato de 2008 foi dominado por Ferrari e McLaren, com lapsos de brilhantismo de Robert Kubica, que conseguiu empatar Kimi Räikkönen na classificação, com 75 pontos – vantagem para o finlandês que venceu duas provas, contra uma do polonês. Fernando Alonso foi o quinto, Nick Heidfeld, sexto, e Kovalainen terminou apenas na sétima posição, a mesma de 2007, com 53 pontos no total, três pódios e a vitória no GP da Hungria. Felipe Massa pôde contar com a ajuda de Räikkönen na Ferrari. Kovalainen não conseguiu fazer o mesmo com Hamilton.

2009 teria de ser um ano melhor, mas começou pessimamente depois que a McLaren, envolvida que estava até o fim na briga pelo título de 2008, errou a mão no carro. O ano, que viu a ascensão de duas novas forças na F1, Brawn e Red Bull, foi complicado para as tradicionais forças da categoria. Hamilton marcou 49 pontos, foi quinto. Kovalainen marcou 22, foi 12º, empatado com Felipe Massa, que disputou sete provas a menos. O finlandês não subiu ao pódio nenhuma vez.

A McLaren sentiu que precisava ter dois pilotos de bom nível, como sempre teve, e foi atrás de várias opções. De Felipe Massa, mas este se acidentou na Hungria. De Rubens Barrichello, que já havia assinado com a Williams. De Kimi Räikkönen, que estava insatisfeito na Ferrari. Ficou com Jenson Button, então campeão. Nada mal.

E Kovalainen não desceu apenas um degrau, mas dois. Kova não conseguiu ficar em uma das equipes médias, e foi atrás de um projeto na Lotus. A verde e amarela, de Tony Fernandes. Foi ser parceiro de Jarno Trulli, outro decadente piloto, na melhor das novatas. Novatas que hoje são nanicas, porque, no fundo, não deixaram de ser novatas.

Kovalainen foi o melhor dos piores em 2010, graças a um 12º lugar no GP do Japão, em Suzuka. Em 2011, foi batido por Trulli, 13º na primeira corrida do ano, na Austrália e na sexta, em Mônaco. Kovalainen foi 13º no GP da Itália. Neste ano, ele segue faturando este “título”, graças a um 13º lugar em Mônaco. Está também em vantagem em relação a Vitaly Petrov, seu atual companheiro.

Mas o momento de maior destaque em 2012 foi quando ele segurou Jenson Button por praticamente todo o GP de Mônaco. Foram mais de 50 voltas que o inglês ficou preso atrás da Caterham.

Para 2013, na semana passada, chegou a ser mencionado, em meio às muitas especulações a respeito do segundo carro da Ferrari, como um possível subsituto para Felipe Massa. É bastante improvável, e não dá nem para dizer que Kovalainen mereça.

Nos 100 GPs que disputou desde que chegou à F1, Kovalainen já teve sua chance de ouro, e desperdiçou. Também é bem improvável que vá fazer algo demais.

Ah, já ia me esquecendo. Kovalainen cravou uma pole-position, no GP da Inglaterra de 2008, mas perdeu rapidamente a dianteira para Hamilton, e cravou duas vezes a volta mais rápida de uma corrida, também em 2008, na Austrália e no Bahrein.

Mais números que o finlandês registrou nestes 100 GPs: completou 5350 voltas e 26867 quilômetros. 42 voltas e 207 quilômetros foram na liderança. Foram 107 pontos, todos conquistados antes da mudança no regulamento – até 2009, portanto. Média de 1,05 ponto por corrida e 17,5 pontos por temporada. E 22 abandonos.

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