Que dia

Duas das novelas da F1 em 2012 chegaram ao fim ao mesmo tempo. Lewis Hamilton vai para a Mercedes e Michael Schumacher para a fila do INSS. Notícia que saiu de madrugada lá na Inglaterra, pouco depois das 20h aqui, publicada pelo jornalista Tom Cary, do ‘The Daily Telegraph’. Eu estava indo jantar e tomar meu banho.

Pouco depois, o Américo Teixeira Jr publicou em seu blog, o Diário Motorsport, que Sergio Pérez seria o substituto de Hamilton na McLaren. Estava rigorosamente certo, como falaram lá fora depois e o pai de Pérez confirmou. Em questão de minutos, o mercado da F1 mudou significativamente.

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes. Começando por Hamilton, o mais importante dessa história toda. Ele saiu da McLaren porque quis ganhar mais dinheiro e ponto. Não tem nada a ver com desempenho, por razões óbvias.

Seu contrato com a equipe inglesa foi assinado antes da crise mundial estourar. Seu salário era de 15 milhões de dólares por ano. Ele queria aumentar, a McLaren, reduzir. E não só Hamilton, como também seu empresário, Simon Fuller, não aceitariam ganhar menos, de forma alguma. Queriam é extorquir a McLaren, praticamente.

Aí aparecem os alemães da Mercedes, todos pomposos, dispostos a gastar 100 milhões para conquistar o coração de Hamilton por três anos. Os olhos de Hamilton brilharam. Era tanto dinheiro…

É o fim de uma era em Woking. Mais uma vitória e Lewis passa Mika Häkkinen, tornando-se assim o piloto que mais venceu correndo apenas pela McLaren. Em seu site, há algum tempo que a equipe está elegendo os 50 maiores pilotos que passaram por lá. O finlandês ficou em segundo lugar, atrás de Ayrton Senna e à frente de Alain Prost – o que surpreende, apesar de Prost ter saído brigado, pela porta dos fundos.

A Mercedes fez muito bem de ir atrás de Hamilton. Como bem disse Fernando Alonso, dia desses, Hamilton é o único que ganha corridas sem ter o melhor carro. Eu acho que Sebastian Vettel também consegue, mas Hamilton é melhor nisso e a Mercedes ainda não conseguiu fazer um carro tão bom. Os dirigentes esperam que o inglês consiga lhes dar as vitórias.

O contrato curto mostra que ninguém está preocupado com um relacionamento de longa data. É ver o que acontece neste intervalo e se vai dar para continuar pagando tanto assim depois disso.

Sobre Schumacher, fim da linha para o alemão, aparentemente. Uma coisa que faria os italianos irem ao delírio seria vê-lo de volta à Ferrari para um último ano, antes daquela comentada ida de Vettel a Maranello. Só que não vai rolar, é mais um delírio mesmo.

Eu não acho que a volta da aposentadoria foi decepcionante. Não foi grande coisa, é verdade, mas não foi uma vergonha. Schumacher voltou porque queria andar, curtir, se divertir. Parecia uma criança quando subiu ao pódio em Valência. Completou 300 GPs na F1. Nem de longe manchou a vitoriosa história que construiu.

Falando agora da vaga que se abriu na McLaren, uma ótima escolha dos ingleses. Sergio Pérez era o primeiro da fila para subir de patamar na F1 e chegar a uma equipe grande. Uma carreira meteórica. Paul di Resta, que era cotado para pilotar para McLaren ou Mercedes precisará aguardar mais um pouco.

A McLaren, como de costume, arriscou. Pode dar certo, poder dar errado, mas arriscou. E está aí o que faz dos ingleses maiores que a Ferrari.

Pérez estava dentro da escuderia italiana, no programa de jovens pilotos, mas a Ferrari não faz apostas. Trabalha apenas com certezas. Só que, ao longo da história, a McLaren acertou mais nas suas apostas do que a Ferrari com suas certezas.

A McLaren também nunca temeu ter dois pilotos de primeira linha. Agora que Hamilton saiu, vai continuar com Jenson Button. E, diga-se, os dois nunca tiveram problemas de relacionamento. Em 2013, Button começará o ano como líder, mas não há porque duvidar que Pérez vai rapidamente andar no mesmo nível e brigar por suas vitórias.

Enfim, são 2h da manhã, vou ali tomar o meu banho e comer alguma coisa, pois a notícia saiu na hora da janta. E dormir, que daqui a pouco os anúncios oficiais vêm aí.

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Um comentário sobre “Que dia

  1. Contrato curto? 3 anos é curto?
    Extorquir a Mclaren? Os caras queriam pagar a ele menos que pagam ao Button.
    Mclaren maior que a Ferrari? Sou fã da equipe inglesa e detesto a Ferrari, mas nessa o senhor viajou.
    E esse papinho que Schumacher voltou para se divertir é de doer. Voltou, conseguiu um mísero pódio e aquela “pole” em Monaco e só. Só não pois deve ter ajudado a Mercedes na parte técnica.

    Responder

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