Quando um mito supera outro

Kamui Kobayashi estreou dando show na F1. No fim de 2009, substituindo Timo Glock na Toyota, o japonês disputou duas provas, no Brasil e em Abu Dhabi, e foi bem. Bastaram essas duas corridas para que ele fosse considerado o melhor japonês de todos os tempos na F1. E olha que quando ele foi visto, no intervalo dos treinos livres do GP do Brasil, ainda aprendendo as funções de cada botão do volante, pensaram que outro Nakajima viria por aí. Em pouco tempo, virou mito.

A primeira impressão foi tão boa que mesmo com a saída da montadora japonesa, o piloto não ficou sem lugar no grid. Mudou para a Sauber e continuou fazendo boas apresentações, pontos aqui e ali, andou à frente de Pedro de la Rosa em 2010. No ano passado, ganhou a companhia d’outro jovem talentoso, Sergio Pérez, que também estreou em grande estilo, no GP da Austrália. Aos poucos, o piloto apoiado por Carlos Slim e suas marcas telefônicas foi conquistando seu espaço. Também passou a ser chamado de mito. Nada melhor do que uma dupla de mitos numa das equipes mais carismáticas da F1.

Em 2011, o japonês foi melhor, mas o cenário mudou drasticamente em 2012. Já no começo do ano, com aquela apresentação de gala na Malásia, Pérez mudou de patamar dentro do circo. De cara, passou a ser colocado como substituto de Felipe Massa na Ferrari. E essas especulações duraram até a semana seguinte ao GP da Itália, quando o tom das declarações dos dirigentes italianos deixou a entender que Pérez não estava pronto.

Discordo. Eu acho que o desempenho de Pérez foi muito bom. Muito acima do esperado e muito acima do de Massa. Era a hora dos italianos apostarem. Não quiseram. Agora resta saber se Felipe continuará por lá, o que é outra história.

A verdade é que Pérez se tornou um dos pilotos mais cobiçados do mercado, numa temporada em que tudo pode acontecer na dança das cadeiras. Todos o queriam na Ferrari, menos a Ferrari. Aí a McLaren foi lá e roubou o garoto da Academia da Ferrari.

Não tivesse o time inglês perdido Lewis Hamilton, o destino do mexicano seria a Mercedes, que tinha nele um plano B. Michael Schumacher ficou relegado ao terceiro plano.

Números da temporada de 2012: 8 a 6 no placar de classificações para Kobayashi, 7 a 6 em posições de chegada para Pérez. Este somou 66 pontos e é o nono colocado, contra 35 de seu companheiro, 13º. Koba tem como melhor resultado um quarto lugar.

Enquanto Pérez foi disputado por três das equipes mais poderosas da F1, Kobayashi ficou lá, na Sauber, sem ser cotado para nenhum avanço. Não subiu a nenhum pódio, ainda. Os pontos altos foram as boas classificações no GP da Bélgica e da China. Seu contrato se encerra neste ano e, a não ser que Koba seja o mais discreto piloto da história em negociações, ele não conseguirá nenhuma vaga melhor que a que ocupa hoje. Uma pena, pois é melhor que meio grid.

O que Kobayashi fará no próximo ano, quando Pérez disputará frenquentemente pódios e vitórias? Admirei-o desde o começo, mas a verdade é que ele estacionou, não conseguiu avançar na carreira e é bem possível que fique de fora da F1 em 2013. Foi superado por outro mito.

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5 comentários sobre “Quando um mito supera outro

  1. Renan, raramente se encontra um blog com conteúdo e qualidade como o teu, sinceramente meus parabéns, tenho um blog, mas quando encontro blogs como o teu do Flavio gomes e Flavio seixas e do grande Rodrigo Mattar a tarefe ade acompanhar a F1 fica mais facíl! Meus melhores comprimentos

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