Construindo um produto

Público no paddock em Sakhir (Foto: Audi)

Nesta primeira temporada do novo Mundial de Endurance, os organizadores não parecem muito preocupados com a quantidade de público que comparece aos autódromos. Neste fim de semana, no Bahrein, não é preciso dizer que pouca gente compareceu.

Quando o tema foi abordado na transmissão internacional do WEC das 6 Horas do Bahrein, Emerson Fittipaldi foi citado e o termo “construir um produto”, usado.

Aqui em Interlagos, conversei com Gérard Neveu, o CEO do WEC. Falamos especificamente da prova paulistana, mas deu para sentir que aquela fala caberia também para outros eventos. Fittipaldi, promotor das 6 Horas de São Paulo, pareceu nem ligar para as arquibancadas esvaziadas. Suas declarações foram no tom de “quem veio, gostou”.

Desde que assumiu a FIA, Jean Todt tem se preocupado não apenas com a F1, mas também com outras modalidades. Seu antecessor, Max Mosley, focou demais suas atenções sobre a F1, o que teve seu lado bom, só que acabou prejudicando bastante as demais categorias.

Com exceção de algumas provas mais tradicionais, a cultura do endurance ao redor do mundo ficou enfraquecida. O WEC visa resgatar essa cultura. Das oito etapas do calendário deste ano, seis são provas novas e três delas em locais onde não pode se esperar um grande público (Brasil, Bahrein e China). Brasil e China por conta do grande mercado que constituem para as montadoras, Bahrein, porque… bem, lá o dinheiro jorra feito petróleo.

O calendário da próxima temporada foi divulgado com apenas uma alteração em relação ao de 2012. Saíram as 12 Horas de Sebring, entraram as 6 Horas de Austin. As justificativas: colocar todas as etapas não-europeias depois das 24 Horas de Le Mans e a capacidade do circuito de Sebring receber tanto o WEC quanto a ALMS – não caberia, alegaram os dirigentes do Mundial de Endurance. Não gostei, mas, enfim. O circuito divulgou uma nota informando que equipes do WEC manifestaram interesse em participar da prova.

A próxima temporada servirá como um termômetro para saber se o trabalho realizado avançou. Fazer uma análise completa no segundo ano do Mundial não dá, mas uma amostra de evolução, em algum canto, deve aparecer. Interessante também é saber até quando a organização será paciente e manterá este discurso de o importante é levar o espírito de Le Mans para as corridas. A conta precisará fechar.

A julgar por este primeiro ano, eu diria que a tendência é o fortalecimento do WEC. A prevista entrada da Porsche em 2014 é um indício. Vamos aguardar e ver o que acontece.

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