O fim d’outra era

Não acho que Michael Schumacher seja o melhor piloto de todos os tempos, mas ele é, sem dúvida alguma, o melhor piloto que vi em ação. E hoje, em Suzuka ele anunciou que vai se aposentar pela segunda vez. Anúncio que veio numa pista onde tanto brilhou, onde comemorou seis vitórias e dois títulos mundiais.

Qualquer discurso que se faça agora é semelhante ao de 2006. “O fim de uma era”. Mas este vem com um algo a mais, pelo desafio que um ícone do esporte aceitou ao retornar ao esporte depois de três anos parado. “O fim d’outra era”. Era essa que está longe de ser uma mancha na sua carreira e na sua história.

Nas últimas três temporadas, Schumacher apanhou, recebeu críticas de todos os lados por estar fazendo pouco na F1. Foi chamado de velho, de ultrapassado. Disseram que ele não tinha condições de competir no meio da garotada bem mais nova que ele.

A pergunta que eu faço é: esse pouco que Schumacher fez desde 2010 é suficiente para apagar o brilho de 248 corridas, 91 vitórias, 68 poles e sete títulos mundiais?

Não. Definitivamente, não.

O Schumacher que voltou não foi aquele grande campeão. Foi outro, quarentão, de bem com a vida, querendo se divertir. A paixão pela velocidade ainda era grande depois da aposentadoria de 2006.

Queria bons resultados? Queria. A expectativa dele e da Mercedes eram altas? Eram. Só que o conjunto de fatores que resultou na ausência do sucesso minimiza o aspecto negativo do retorno. Os carros nunca foram tão bons, apesar do investimento massivo, e Nico Rosberg nunca foi tão melhor, também.

Tá, Schumacher perdeu para Rosberg nos três anos. Mas vejam o desempenho dos dois nesse ano. O placar de classificações está equilibrado. Nas provas em que Schumacher não teve problemas mecânicos, chegou à frente de Nico na grande maioria – seis de nove, para ser mais preciso, sendo que em duas ele se acidentou. O que ele fez de feio? Os acidentes como os de Senna e Vergne, aquela fechada no Barrichello na Hungria, mais uma cagadinha aqui e outra ali… Basta para manchar toda aquela carreira vitoriosa?

Schumacher para sempre será lembrado como um dos grandes. Lembrar dele pela passagem negativa pela Mercedes é ignorar toda a história do maior campeão de todos os tempos na F1. É ignorar fatos.

“Me sinto aliviado”, disse Schumacher, na coletiva em Suzuka. Tinha opções para continuar correndo. A Sauber era uma delas, como é de conhecimento geral. Andar, ele ainda quer. Se não quisesse, tinha dito isso na sexta-feira passada, junto do anúncio de Lewis Hamilton na Mercedes. Pensou por uma semana, ouviu conselhos, analisou possibilidades e decidiu parar, enfim. Agora são mais seis corridas e o adeus definitivo da F1, mais uma vez, em Interlagos. Em 2006, a despedida foi em grande estilo. Torçamos todos por mais um, por um último, show do alemão.

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4 comentários sobre “O fim d’outra era

  1. A história do Schumacher não precisa ser mais manchada do que ela já foi ao longo de sua carreira. Carros adulterados, fora do regulamento, Jogar o carro em cima de outro piloto para ser campeão, quando já havia batido e era apenas um retardatário na pista com o carro totalmente danificado, deveria dar cadeia e nem ao menos ocorreu qualquer punição e tantas outras safadezas que podemos enumerar. Quem não se lembra do grande prêmio da Alemanha, quando correndo em casa, ultrapassou o Rubinho por ordem da Equipe e foi vaiado por todos os presentes. O que é a força da Midiã, do Poder, do Dinheiro e de interesses escusos que abafam tantas evidências desta suja carreira deste Alemão que voltou achando que estas mesmas forças continuariam a conspirar a seu favor, mas desta vez ele foi o que ele sempre foi… medíocre …. Sua história de vigarista daria um belo livro ….

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    • AS GRANDES SAFADEZAS DA FORMULA 1

      1 – Veja como foi o primeiro título mundial de Schumacher :

      Michael Schumacher e Damon Hill – GP da Austrália 1994O jovem alemão da Benetton chegou a Austrália com um ponto de vantagem sobre Damon Hill da Williams. Mostrando seu lado “Dick Vigarista”, Schumacher escapou da pista de propósito e depois jogou seu carro contra Hill, causando o abandono de ambos. E por um ponto, Schumacher ganhou seu primeiro mundial.

      2 – Ele tentou fazer o mesmo novamente, mas desta vez ele foi desclassificado. O Rapaz é um safado reincidente :

      Michael Schumacher e Jacques Villenueve – GP da Europa 1997
      Mais uma vez aflorou o lado “dark” do alemão. Porém, desta vez ele se deu mal. Na última corrida da temporada de 1997, em Jerez de la Frontera, Schumacher tentou jogar Jacques Villenueve da Williams para fora da pista, mas não obteve êxito. Após a prova ele foi desclassficado do campeonato e viu o canadense ser coroado campeão.

      3 – Comédia Alemã :

      Michael Schumacher e Rubens Barrichello- GP da Áustria 2002
      Talvez um dos momentos mais ridículos da história da categoria. Rubens Barrichello liderou quase toda a prova e abriu a última volta para vencer pela segunda vez na carreira. O brasileiro porém, recebe ordens da Ferrari para deixar o alemão passar. Na última curva o Barrichello diminui e Schumacher passa. O público austríaco vaia a atitude da equipe italiana e deixa a dupla ferrarista constrangida.

      Entendo que o Renan é jovem e não teve a oportunidade de assistir a todos estes episódios ” ao vivo “, pois foi realmente muito triste e vergonhoso para quem ama a velocidade mas detesta a deslealdade e o jogo sujo ….

      Estas são algumas das atitudes desprezíveis que mancharam e muito a longa carreira deste rapaz que a mídia transformou em lenda viva da F1.

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