Conquistas mais do que merecidas

Ontem eu disse que a decisão do DTM seria das boas. E foi. A corrida de Hockenheim não foi daquelas cheias de ultrapassagens e belas disputas. Mas foi de uma única bela e tensa disputa, a mais importante do campeonato: Bruno Spengler x Gary Paffett.

Paffett esperou para ver se conseguiria se aproximar na segunda rodada de pit-stops, que aconteceu na metade da corrida. Não rolou. A partir dali, sabia que, se quisesse ser campeão, precisaria atacar na pista. Forçou, tentou se aproximar e dimminuiu a diferença de quase 4s para 1s1. Fosse na F1, bastaria um pouquinho mais pra abrir a asa e passar.

Spengler administrou. Deixou Paffett chegar e, quando a coisa poderia começar a complicar, acelerou de novo. Corrida de campeão. O título ficou nas mãos de quem mais mereceu: Spengler e a BMW.

O piloto canadense venceu quatro vezes em 2012, subiu ao pódio em mais duas oportunidades. Cresceu demais nas provas do fim do ano. Para aqueles que gostam de coincidências, os quatro triunfos aconteceram na Alemanha (Lausitz, Nürburgring, Oschersleben e Hockenheim), sempre em etapas pares (2ª, 6ª, 8ª e 10ª, respectivamente).

A organização soltou uns fogos de artifício bem legais no momento da festa da BMW

Hoje, pela primeira vez no ano, Spengler foi dormir ocupando a liderança da tabela de pontuação. Não havia hora mais propícia. Para falar a verdade, desde 29 de abril, data da abertura do campeonato, em Hockenheim, somente Paffett pôde dormir pensando nisso. Deixou o banco bem quente para seu adversário.

Enquanto a curva de crescimento de Spengler só melhorou na fase final da temporada, a de Paffett, só oscilou. Até a quinta prova do campeonato, o inglês tinha uma média de 19,6 pontos por corrida. Nas cinco últimas, a média foi de 10. Ele marcou 41 pontos a menos que Spengler, que ainda teve mais um trunfo: bateu Paffett nos dois duelos diretos que a dupla protagonizou, em Oschersleben e em Hockenheim.

A queda de Paffett acompanhou a queda da Mercedes. Ou, pelo menos, a estagnação, já que a Audi, nula no primeiro semestre, voltou forte em agosto. Em Valência, apenas Jamie Green somou pontos para a estrela de três pontos. Isso é muito pouco. Não à toa que as equipes de Stuttgart terminaram na última posição do campeonato de marcas, com 329 pontos, quantidade inferior aos 346 da BMW e os 335 da Audi.

Jens Marquardt recebe Spengler após a corrida

Aliás, a conquista da BMW também entre as marcas apenas comprova como uma preparação extensa dá resultados. Em Munique, todo o ano de 2011 foi dedicado aos trabalhos no novo carro do DTM. Escolheram os pilotos, montaram as equipes, fizeram tudo direito. Apenas colhem os frutos de todo o esforço empregado. Nesta última etapa de 2012, cinco pilotos da BMW terminaram dentro da zona de pontuação.

A única coisa que poderia ficar com a Mercedes depois dessa prova de Hockenheim era o título de equipes, mas também não deu. O desempenho dos companheiros de Spengler e Paffett acompanhou o dos primeiros pilotos das equipes Schnitzer e AMG. Christian Vietoris começou bem, mas caiu de produção. Dirk Werner começou mal, mas cresceu na reta final. O resultado foi uma vantagem de oito pontos para a representante da BMW. Por isso aquela cara de leão marinho bravo que o Norbert Haug fez quando tudo acabou.

Spengler subiu no capô, como sempre faz para comemorar suas vitórias, e pôde, enfim, soltar o grito que ficou muito tempo entalado em sua garganta.

Foram quatro grandes chances com a Mercedes em sete temporadas, dois vices e dois terceiros lugares. Ele se sagrou o 13º campeão da nova era do DTM, o primeiro com os novos carros. Venceu 13 de 83 corridas em sua carreira na categoria, que começou no mesmo ano do primeiro título de Paffett. E tem Gilles Villeneuve como heroi. Gilles morreu um ano antes de Bruno nascer.

Como disse, Spengler e a BMW foram aqueles que mais mereceram. Mais do que mereceram. Mantiveram-se nas primeiras colocações durante o campeonato inteiro, sem oscilar muito. Essa regularidade foi chave. Ninguém esperava um desempenho tão bom logo de fora. Uma vitória tão cedo quanto a conquistada na segunda etapa de 2012. Três títulos em 2012.

“Sensacional. Incrível. Inacreditável”, disse Jens Marquardt, diretor-esportivo da BMW. “A BMW escreveu um novo capítulo na história do automobilismo”. É verdade. Um belo capítulo. E o DTM volta em 2013.

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Um comentário sobre “Conquistas mais do que merecidas

  1. Parabéns Spengler!!!!!!!!! foi Incrível. E parabéns também para o Augusto fez uma lindíssima estréia.

    Rumo a 2013, os super carrões já deixam saudades para muita gente como que acompanham essa categoria arrepiante!!!!!!!!!!!!

    Responder

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