O tri é de Vettel

SÃO PAULO, 5h45 – O mais jovem tricampeão de todos os tempos foi coroado. E é bem possível que Sebastian Vettel ostente este título para sempre. 25 anos. Vejam só quanta coisa este cara já fez aos 25 anos. Vejam só tudo o que ele conquistou. Mais: vejam só quanto tempo ele ainda tem pela frente para acumular vitórias e mais vitórias, recordes e mais recordes, campeonatos e mais campeonatos.

Vettel venceu o Mundial de F1 pela terceira vez consecutiva. Isso o iguala a Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. Isso o coloca no mesmo patamar de Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Isso o coloca entre os melhores pilotos de todos os tempos.

Discute-se muito quem foi melhor, Schumacher ou Senna. Vettel caminha para unir os pontos fortes de ambos. Seu estilo, sem dúvida, é mais parecido com o de seu compatriota. E, mantendo esse ritmo, Vettel quebrará todos os recordes estabelecidos por aquele que, um dia, foi seu ídolo de infância e que, até ontem, foi um companheiro de pista. Vettel fará isso contra uma geração de pilotos muito melhor do que a encarada por Schumacher. Em 2012, correu contra cinco campeões mundiais. Schumacher, nos sete anos em que foi campeão, nunca correu contra três.

Hoje, a discussão sobre quem é o melhor piloto da F1 envolve dois nomes: Sebastian Vettel e Fernando Alonso. E o alemão vai começando a diminuir a quantidade de argumentos que pode ser utilizada por quem defende o espanhol da Ferrari.

O tricampeonato consolida Vettel como o melhor piloto de sua geração. Em meio aos cinco campeões que alinharão no grid em 2013, ele será o que mais vezes terminou temporadas na primeira posição. É o que tem a melhor média de vitórias e poles. Aos 25 anos.

Aos que falam que quem ganhou o campeonato foi Adrian Newey, e não Vettel, digo uma coisa: parem.

O melhor carro de 2012 foi o MP4/27. Foi a McLaren. Foi o carro que mais vezes largou na pole-position e o que venceu o mesmo número de corridas que a Red Bull, mas que deixou três vitórias certas escaparem por demérito próprio, além de desperdiçar algumas outras chances. Oscilou demais ao longo do ano.

A Red Bull não foi tão inconstante assim e, no momento em que esteve melhor que suas adversárias, especialmente que a Ferrari, foi bem demais. Foi quando Vettel emplacou quatro vitórias consecutivas, assumiu a liderança do campeonato e passou a ter o controle da situação. Passou a marcar Fernando Alonso. Venceu Fernando Alonso em uma batalha de gigantes, em uma batalha que valia o tricampeonato do mundo.

Vettel também não levou a melhor apenas porque tinha um carro superior ao do espanhol. Levou a melhor porque é decisivo. Porque não treme. Não tremeu em 2010, quando venceu as duas últimas corridas. Tinha só 23 anos. Dominou o ano de 2011, a partir de todo o aprendizado da temporada anterior. E se consagrou em 2012, mostrou que é um piloto completo, um piloto digno de ser chamado de tricampeão. E de tetra, e de penta, do que o futuro lhe reservar.

No fim de um campeonato de 20 corridas, que será lembrado por muito tempo como o melhor da história, o jovem de 25 anos fez uma bela festa pelo título. Quebrou protocolos, correu pra lá, pra cá, foi fazer a festa com a galera em Interlagos, com seu ídolo Schumacher, com toda a Red Bull, a quem deve ser eternamente grato. Tudo é mais do que merecido.

Newey, é claro, merece todos os elogios. Campeão com a Williams, com a McLaren e com a Red Bull. Mas parem de falar que Newey ganhou o Mundial de Pilotos. O tri é de Vettel. Com muitos méritos.

O GUERREIRO ALONSO

Depois de tanto falar de Vettel, chega a hora de falar do vice, Fernando Alonso. Um piloto que tira muito mais do que o carro permite. Até porque essa Ferrari, na primeira metade do ano, não permitia muito, e o asturiano, mesmo assim, liderava o campeonato após dez corridas. Seguiu liderando após 11, 12, 15 corridas. Só que não tinha como aguentar até o fim.

Em algum momento, algo daria errado para Alonso. Por mais que tivesse sorte, não tinha como completar 20 corridas impecáveis. Tudo deu errado na Bélgica e no Japão. Coincidentemente, duas Lotus estiveram envolvidas. Mas é só coincidência.

Desenvolvimento da F2012 à parte, a Ferrari foi impecável, diga-se. Nenhuma quebra em 20 corridas. Nem com Alonso, nem com Felipe Massa. Soma-se isso ao desempenho espetacular de Alonso que está explicado como ele conseguiu chegar até a última corrida com chances de ser campeão de novo, após seis anos.

De cinco decisões, o espanhol, agora, tem três derrotas. Não é o melhor retrospecto nos momentos decisivos do campeonato. Porém, é preciso parabenizá-lo pelo o que fez em 2012, por toda a batalha para fazer a Ferrari brigar até o fim. Foi um guerreiro, um lutador. Merecia o título tanto quanto Vettel. Perdeu porque só pode existir um único campeão. “Shit”, exclamou Alain Prost, certa vez, ao ouvir Ayrton Senna dizer isso. Ele crê que terá outras oportunidades de buscar o tri com a Ferrari, afinal, chegou perto duas vezes sem ter o melhor carro. Quem sabe o que acontecerá quando o carro de Maranello for um pouco melhor?

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