Sem apoio do governo, GP da Turquia não deve acontecer

2006-turquia-largadaSÃO PAULO, 0h08 – Antes era o GP da França o mais cotado para substituir o GP da América no calendário de 2013 da F1. Porém, desde que Alain Prost afirmou que não havia mais tempo hábil para que seu país voltasse a receber a F1 após cinco temporadas, as atenções se voltaram para a Turquia. Mas, ao que parece, não é lá também que uma corrida vai acontecer. Contentemo-nos com ‘Salve Jorge’.

O GP da Turquia foi realizado entre 2005 e 2011, no excelente circuito de Istanbul Park, nos arredores da maior cidade do país. O governo federal exerceu um papel fundamental, pagando uma taxa de pouco mais de R$ 26 milhões de reais ou de liras turcas – a cotação é a mesma – para tentar alavancar o automobilismo por lá. Não deu certo.

Fui para Istambul em janeiro deste ano. Tentei conversar com as pessoas sobre F1, mas não dá. Ninguém se importa. Ninguém sabe de nada. Não há interesse nenhum. Passei até por um kart indoor, onde fiquei cerca de uma hora, vi várias baterias de 7 ou 14 minutos e o único cara que andou razoavelmente bem era inglês. Os turcos, melhor nem comentar. Eles falavam de Galatasaray, Fenerbahçe, Santos, Nêymar, São Paulo, Rogério Djeni (o ‘C’ tem som de ‘Dj’). Pilotos? Nada. Corinthians? “Nunca ouvi falar”. Talvez ouçam na semana que vem.

Taman, taman, isso não é Istambul, mas é a foto que achei aqui
Taman, taman, isso não é Istambul, mas é a foto que achei aqui

Na semana passada, começou a ser noticiado que um milionário chamado Vural Ak arrendou, se é que podemos dizer assim, o Istanbul Park e que queria levar a F1 de volta. Se propôs a pagar dez milhões de reais, conversou com Bernie Ecclestone, encontrou um investidor, mas faltava algo importante: a aceitação do governo. Os valores estavam acertados, porém, o governo não abraçou a ideia.

– Nosso governo pagou 26 milhões por ano para os organizadores por cinco anos pelos direitos. Em troca disso, todos os lucros foram para os organizadores, então o Estado não tirou nenhum benefício disso – criticou o Ministro dos Esportes, Suat Kılıç.

Kılıç jogou a responsabilidade toda sobre a iniciativa privada. Que também não vai abraçar a causa, afinal, não haverá interesse da população local. Só se aparecer alguém muito empolgado com a chance de mostrar sua marca para o resto do mundo. Lá na Turquia, não vejo nem como sendo o caso do governo fazer o que faz a Prefeitura de São Paulo e bancar os custos para obter um retorno indireto e gerar uma injeção de dinheiro na economia da cidade – hotéis, restaurantes, etc.

A Tosfed, federação de automobilismo da Turquia, divulgou um comunicado no qual afirma estar se esforçando ao máximo para levar a F1 de volta ao país. Para 2013 e além.

Aí vem outra opção que vai pintando como viável. A mudança no calendário anunciada nesta semana pela FIA, que guarda o dia 21 de julho para um evento europeu, ajudaria na realização do GP da Turquia. Uma dobradinha com a Hungria não seria mal negócio, muito melhor do que uma dobradinha com o GP da Inglaterra. Aliás, não havia nem como, logisticamente, correr em Silverstone e em Istambul na semana seguinte, dada a distância. Por via terrestre, como sempre aconteceu nas corridas realizadas na Turquia, os equipamentos simplesmente não chegariam a tempo.

Mas, como disse e não disse – direi agora, parem de reclamar -, essa mudança no calendário também contribui para uma possível alternativa. Já se fala – li no blog do jornalista inglês Joe Saward – que o GP da Áustria ocuparia o lugar do GP da América. A Red Bull e seu dono, Dietrich Mateschitz, estariam dispostos a bancar um contrato de um ano para promover uma prova no Red Bull Ring, em Zeltweg.

Tem até um boi gigante lá na pista que eu conheci como A1 Ring
Tem até um boi gigante lá na pista que eu conheci como A1 Ring

Como as equipes recebem uma parcela do valor pago para a realização da prova, parte do investimento voltaria e a Red Bull teria uma corrida caseira na pista que tem seu nome. E o circuito fica a 400 km de Budapeste – Istambul fica a 1500 km -, um tirinho de espingarda, diriam lá em Minas Gerais. Uma dobradinha austro-húngara.

Pelo o que eu vi nas minhas peripécias por Istanbul e pela declaração do Ministro dos Esportes da Turquia, duvido que o GP da Turquia aconteça em 2013. Vural Ak estava contando com a grana do governo federal. Não deve ter. O GP da Áustria não é uma opção ruim – é tão boa quanto, ao meu ver, e talvez até melhor em termos de logística. Uma pena, vai ficar mais difícil agora ter a chance de comer um kebap originalíssimo. Vou ver se algum amigo turco providencia um pra mim. (E, sim, na Turquia é kebap e não kebab, esse negócio estranho aí. Kebaperia é muito mais sonoro).

Por fim, duas observações sobre a última mudança no calendário: 1) a nova data do GP da Alemanha (7 de julho) coincide com a data do GP da Alemanha de MotoGP. É bem provável que as motocas precisem trocar de data. 2) O GP da Alemanha também passa a coincidir com o Festival de Goodwood, outro que deve mudar de data, do contrário, não terá as atrações da F1 para chamarem a atenção.

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