O que marcou na F1 em 2012?

SÃO PAULO, 11h45 – Talvez este post devesse ter sido publicado ontem e apenas o que virá depois deste, hoje. Mas acontece eu tive a ideia hoje, então veio só hoje. Enfim, sem stress. É ano novo. Não que eu me importe muito com virada de ano e tal, pular sete ondinhas ou usar branco para mudar não sei o que. Todavia, é bem possível que você, blogueiro, se importe, então aproveito para lhe desejar um feliz 2013.

E do que se trata este post, afinal?

Resolvi listar cinco momentos que me marcaram na F1em 2012, melhor ano da história da categoria. O meu top-5 é esse que segue, não necessariamente com as coisas mais impactantes e/ou importantes. Apenas imagens que vão ficar na memória mais do que outras. Façam também os seus!

5) O adeus (ou até breve?) de Lewis

Criado pela McLaren desde menino, Lewis Hamilton vai correr pela Mercedes em 2013. Deixou a casa que o colocou na F1, pela qual foi campeão mundial e conquistou 21 vitórias, 26 pole-positions e 49 pódios.

Há algum tempo que as desavenças eram mais e mais expostas. Mesmo assim, parecia que ele nunca deixaria a McLaren. Ficaria lá para sempre. Como parecia que Alain Prost e Ayrton Senna ficariam, mas saíram. Como Mika Häkkinen ficou até decidir se aposentar.

Motorsports: FIA Formula One World Championship 2012, Grand Prix of United States

A decisão de ir para a Mercedes levou em consideração alguns fatores. O dinheiro oferecido, as brigas, os problemas mecânicos que Lewis teve durante o ano (o anúncio aconteceu depois do GP de Cingapura, que Hamilton venceria não fosse uma quebra na caixa de câmbio) e o desafio de levantar a montadora alemã na F1.

Mas após a definição do futuro, a troca de equipe mais importante da categoria desde a ida de Alonso para a McLaren em 2007, em alguns momentos um arrependimento pairou no ar. Um clima de ‘agora já foi, mas não seria ruim se eu ficasse por aqui’, por parte de Lewis. De ‘não quer mesmo voltar atrás’, por parte da McLaren.

A festa pela vitória no GP dos Estados Unidos e a despedida em Interlagos reforçaram isso. Tudo isso deixou uma certeza: de que a porta continua aberta.

4) Schumacher na pole e no pódio

O 2012 de Michael Schumacher começou bem mais promissor do que os anos anteriores de sua passagem pela Mercedes. Já na primeira corrida, o GP da Austrália, largou na segunda fila. Na China, largou ao lado de Rosberg na fila da frente. Mas foi só em classificações que a coisa pareceu boa para ele.

Monaco GPSaturday 26th May 2012Photo: Crispin Thruston

Nas corridas, aconteceu de tudo para não deixá-lo alcançar bons resultados: quebra de câmbio, de asa móvel, de bomba de combustível, trocas de pneus desastrosas, dois acidentes infantis pelos quais Schumi acabou punido na corrida seguinte… Os domingos não foram os melhores para o heptacampeão.

Tanto é que seu melhor momento desde 2010 veio num sábado, numa tarde ensolarada em Monte Carlo. De repente, no fim do Q3 nas ruas do Principado, seu nome apareceu na primeira posição. Pole-position para Michael, a 69ª da carreira. “P1, Michael, P1”, deve ter ouvido pelo rádio. Lembrou-se dos velhos e bons tempos. Comemorou, deu entrevista como primeiro colocado e tudo. Só que não foi o pole-position, porque estava punido em cinco posições no grid de largada pela pancada que deu em Bruno Senna no GP da Espanha. Largou só em sexto =(

Duas corridas depois, em Valência, contou com um pouco de sorte para fazer mais uma festa. Terminou a corrida espanhola no pódio, o único pódio de seus três anos com a Mercedes. Era para ele ter sido sétimo, não fossem os alternadores de Vettel e Grosjean e a cagada que Pastor Maldonado fez ao tirar Hamilton do pódio a duas voltas do fim. Não importa. Lá foi o grande Schumacher para o pódio de novo, ao lado de um emocionado Alonso e de um aparentemente indiferente Kimi Räikkönen.

3) Romperam o lacre do Massa

Essa notícia vai ser lembrada, negativamente, por muito tempo. A Ferrari rompeu o lacre do câmbio de Felipe Massa no GP dos Estados Unidos apenas para deixar Fernando Alonso do lado limpo da pista em Austin, já que a largada seria complicada – as condições da pista e dos pneus eram extremas.

2012-coreia-R-ferrari-massa-smedleyNessas horas a Ferrari se supera. É impressionante. Não bastassem trocas de posição desnecessárias, desta vez ela puniu o próprio piloto para deixar seu principal em uma melhor condição.

Tá, é verdade, é um negócio e a Ferrari precisava do título. Queria muito o título e sabia que, numa situação normal, não conquistaria. Mas a F1, queiram ou não, ainda é um esporte, não somente um negócio. E o que a Ferrari fez com Massa interferiu não apenas na prova dele e de Alonso, interferiu na prova de meio grid, que precisou mudar de lado para o momento da largada por conta do interesse de um. Essa vai ficar marcada como uma das maiores atitudes antidesportivas da história.

Sobre Felipe Massa, é preciso destacar sua reação no segundo semestre. Pontuou nas dez últimas provas do ano, foi ao pódio duas vezes e ajudou bastante Fernando Alonso. Fez bem o papel de escudeiro, que foi o que lhe restou em 2012. Andou que nem em seus bons tempos. E, no fim, chorou, por tudo o que passou, pela volta por cima que deu, algo que não parecia ser possível. Deu uma lição, não de pilotagem, mas de vida.

2) A confusão da Curva do Lago e a consagração de Vettel

Sebastian Vettel ao contrário na pista, parado de frente para Narain Karthikeyan, Vitaly Petrov e Pedro de la Rosa é outra coisa que será difícil de esquecer. O cara chega a Interlagos, a última corrida, como líder do campeonato. Uma das decisões mais tensas de todos os tempos, que consagraria um novo tricampeão mundial, e ele é acertado por Bruno Senna no meio da primeira volta. É criar drama demais. É um momento simbólico, como foi a falha na embreagem de Ayrton Senna na largada do GP do Japão de 1988.

2012-brasil-R-senna-vettel-perez-acidente

Aí vai lá o alemão, com o carro danificado mesmo, se recuperar de maneira impressionante. Quando a TV o mostrou novamente, ele já estava em sétimo ou oitavo lugar. Como??

Talvez o tricampeonato seja a principal maneira pela qual um piloto pode se consagrar. Não ganhou mais só porque tem um bom carro, ou porque faltaram adversários, ou por circunstâncias. Ganhou três vezes. Ganhou, pela terceira vez, sem ter o melhor carro – o melhor do ano foi a McLaren. Vettel e a Red Bull souberam aproveitar o momento em que eram melhores para disparar. Tiraram o máximo destas oportunidades. E Vettel também soube se dar bem quando não tinha o melhor equipamento, ou então se recuperar em situações adversas, como foram as provas de Abu Dhabi e do Brasil.

1) Sete vencedores em sete corridas

Isso foi algo inédito na F1, e foi muito por conta disso que a temporada de 2012 acabou se tornando a melhor da história. O equilíbrio apresentado se deu por causa da imprevisibilidade dos pneus da Pirelli, que deixaram todos sem saber direito o que fazer ou o que esperar dos compostos. Logo, tivemos a oportunidade de ver sete festas diferentes nas sete primeiras corridas do ano, e uma oitava festa que foi marcante:

Jenson Button e a McLaren começando o ano dominantes na Austrália; Fernando Alonso e a Ferrari vencendo um improvável GP da Malásia; na China, Nico Rosberg e a Mercedes enfim desencantaram; o campeão voltou ao alto do pódio no GP do Bahrein; Pastor Maldonado surpreendeu tudo e todos ao vencer o GP da Espanha e dar à Williams sua primeira vitória em oito anos; Mark Webber manteve a sequência e faturou o GP de Mônaco pela segunda vez na carreira; e Lewis Hamilton, que havia batido na trave algumas vezes antes, demorou, mas triunfou em Montreal, no GP do Canadá.

2012-europa-alonso

Aí veio Fernando Alonso, de volta à Espanha, em Valência, e chorou com uma vitória épica diante de sua torcida, no delicado momento que seu país-natal vive, e se tornou o primeiro piloto a vencer duas provas em 2012. Assumia, após oito provas, a liderança do campeonato, algo que ninguém esperava no começo do ano, dado o fraco desempenho da F2012.

Vai ser difícil ter outro começo de ano como esse. Também vai ser difícil ver outro ano como esse.

Menção honrosa para Rubens Barrichello, que nos últimos meses viveu muitas experiências novas. Deixou a F1 como o mais longevo de todos os tempos e rumou para a Indy, onde fracassou. Esperava-se muito dele, mas o conjunto Barrichello-KV não conseguiu ir além de um quarto lugar na etapa de Sonoma, a antepenúltima do ano. Aí ele veio para a Stock Car, onde largou duas vezes entre os dez primeiros, embora nem nas posições da zona de pontuação tenha terminado as provas que terminou. Mas gostou e, por isso, vai continuar aqui, no Brasil. E talvez vire repórter. Gostou da experiência, e foi bem, diga-se, quando convidado da Globo no GP do Brasil.

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Um comentário em “O que marcou na F1 em 2012?

  1. Quanto a confusao na curva do Lago as imagens aereas mostraram bem que Vettel foi o culpado do acidente, mas tendo como atenuante o facto de nao ter visto que o Bruno estava no interior da curva, porque o Force India do di Resta estava entre ambos a tapar-lhes o angulo de visao.

    Apenas na quarta curva apos a partida Vettel nao poderia fazer a trajetoria normal como se estivesse sozinho em pista. Se o Alonso tivesse feito o mesmo o Hulkenberg (piloto que estava no seu interior nessa mesma curva) nunca teria feito a corrida que fez, ficava logo de fora na 1.ª volta como aconteceu com o Bruno. Foi um azar grande pois com a pista naquelas condiçoes o Bruno poderia ate lutar pela vitoria (como fez o Hulkenberg), por ser um dos melhores no piso molhado, como mostrou na Malasia, onde esteve entre os mais rapidos com a pista molhada, andando ao nivel de Alonso e Perez na sua recuperaçao desde a ultima posiçao ate ao sexto lugar final.

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