O auge da orientalização da F1

SANTA RITA DE CALDAS, 18h44 – Essa informação eu não havia percebido, admito, mas também não vi circulando em outros lugares. Desculpem o atraso. Também não sei se a palavra do título existe (o corretor do Word disse que não). Se não existe, eu inventei. Neologismos são legais. Enfim.

2010-japao-vettel-capacete Sebastian Vettel se tornou o primeiro campeão mundial que não venceu nenhuma prova disputada em solo europeu. É, amigos. Este é o auge do processo de orientalização que Bernie Ecclestone promoveu na F1 na última década. Com tantas corridas disputadas na Ásia, mais dia, menos dia, isso aconteceria. Aconteceu em 2012. E até nisso Vettel fez história. (E essa mais uma coisa fora do comum que aconteceu em 2012, êta ano esquisito).

No último Mundial, Europa e Ásia receberam oito GPs cada, uma prova aconteceu na Oceania e três na América. Vettel conquistou todas as suas cinco vitórias na Ásia (Bahrein, Cingapura, Japão, Coreia do Sul e India). Os campeões que ganharam só uma corrida no ano do título, Mike Hawthorn e Keke Rosberg, faturaram essas vitórias únicas na Europa.

Aliás, foi na Ásia que Vettel conquistou a maior parte das 26 vitórias de sua carreira – 15, sem contar o GP da Turquia, que é considerado um evento europeu, apesar de o Istanbul Park estar localizado na Anatólia (Turquia asiática). É o piloto que mais venceu nos Orientes Médio e Extremo na história da F1, e já pode ser considerado um símbolo desta expansão rumo aos novos mercados emergentes lá do outro lado do mundo. (Até o imagino com um largo sorriso quando, num jogo de WAR, tira a carta-objetivo com os dizeres ‘Conquiste a ÁSIA’). Em 2010, quando foi campeão pela primeira vez, Seb venceu somente uma vez na Europa, no GP da Europa, em Valência. Quatro dos outros cinco triunfos foram na Ásia. Soma-se a isso outros quatro em 2011.

WAR

Há quem critique – estou incluso neste grupo – a troca de praças com tradição no esporte a motor por países ricos e dispostos a construir autódromos suntuosos, mas a verdade é que se trata de um mal necessário, especialmente dada a situação da economia europeia. A Pirelli, por exemplo, vê essa expansão como uma das grandes vantagens de sua parceria com a F1, pois, com isso, consegue ampliar suas relações comerciais e divulgar sua marca em nações onde a economia vai bem, obrigado, na contramão do que acontece no velho continente. Isso ajuda a sustentar os negócios.

Até que essa crise passe, não vai ter jeito. Vamos continuar acordando de madrugada para assistir várias corridas. A Europa só vai conseguir predominar novamente no calendário da F1 no dia em que estiver nadando em dinheiro como outrora esteve.

Para encerrar, já que eu comecei o post com uma estatística, vamos retomar isso. As estatísticas de vitórias por continente em 2012:

Ásia: Vettel (5), Alonso, Rosberg e Räikkönen (1)
Europa: Hamilton, Alonso e Webber (2), Maldonado e Button (1)
América do Norte: Hamilton (2)
América do Sul: Button (1)
Oceania: Button (1)

Logo, se Bernie Ecclestone resolvesse transformar a F1 num grande jogo de WAR, daqueles que demoram tanto que você e seus amigos desistem de jogar e veem quem chegou mais perto de seu objetivo, Hamilton teria sido campeão de pilotos e a McLaren, de construtores. Vettel teria conquistado o continente mais difícil, a Ásia, mas não teria conseguido o segundo continente. E Button teria chegado perto, com a Oceania e a América do Sul, mas faltaria um terceiro continente a sua escolha.

Obs: Caro Sr. Ecclestone, caso queira implantar na F1 um sistema semelhante a um jogo de WAR, saiba que vou cobrar pelo uso da ideia. Grato.

mina do alonsoObs 2: Uma prova em Vladivostok seria genial. O Felipe Giacomelli se mostrou empolgado com a ideia. E o Fernando Alonso também deve gostar, nem que seja para agradar sua bela namorada Dasha Kapustina, que lá nasceu. O espanhol faria de tudo para conquistar aquele território e certamente o protegeria com dez exércitos, no mínimo, até porque ficaria com bastante medo de Vettel tomá-lo, dado o retrospecto do alemão na Ásia.

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2 comentários sobre “O auge da orientalização da F1

  1. Faltou dizer que Ásia e Europa empataram no número de vitórias, enquanto que houve três nas Américas e apenas uma na Oceania…

    Ah! Na conta da estatística o mundial teve 21 vencedores.

    Responder

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