Porque Massa

SÃO PAULO, 22h08 – Quando a McLaren contratou Sergio Pérez, a ‘Autosprint’ publicou uma matéria muito, muito crítica mesmo em relação a Felipe Massa. Questionava: “Porque Massa e não Pérez?”. Isso foi tema de post aqui no blog. À época, eu era um defensor da contratação do mexicano por parte da Ferrari. Massa não estava fazendo nada demais. Não havia como justificar sua permanência.

Mas a Ferrari o manteve.

2013-f1-03-china-massalelek

“É fácil olhar agora e dizer que eu mudaria algo”. Essa frase é bem comum em respostas de pilotos sobre decisões do passado que deram errado. Ela também se aplica ao que penso no momento sobre Felipe. E estava faltando aqui no blog um post sobre essa reação impressionante dele, quase que uma ‘retratação’ minha pelo o que escrevi no ano passado. Não estava errado, mas agora é errado criticar Massa.

A verdade é que o desempenho de Massa melhorou infinitamente desde o GP da Inglaterra de 2012. Ele não andou tão bem na Alemanha, é verdade, mas mostrou um bom ritmo na Hungria e, a partir dali, pontuou em todas as corridas que vez e voltou ao pódio. Bateu Alonso três vezes e, pelo menos em três ocasiões, levantou o pé para ajudar o espanhol na disputa pelo título mundial contra Sebastian Vettel.

Assim, Massa deu sua resposta à Ferrari. Retribuiu a opção do time mantê-lo por mais um ano. Provou seu valor.

Os resultados não foram a única coisa que mudou. A postura mudou. Massa renovou o contrato ainda sem plena confiança do que poderia fazer. Não falou em buscar vitórias ou títulos. Falou em se apresentar bem. Em se afirmar. E chorou, no pódio do GP do Brasil. Desabou em lágrimas. Admitiu que pensou que não servia mais para ser piloto de F1. Ele estava errado.

Esse cenário passou a ser algo completamente oposto depois que o brasileiro cravou Alonso em quatro classificações seguidas. Pela primeira vez em dois anos, colocou-se à frente na tabela de pontuação. E, enfim, começou a pensar em ganhar corridas. Fez Alonso se impressionar com sua velocidade, e até ironizá-la.

Ao ver o que o espanhol falou de Massa, lembrei do que Emerson Fittipaldi disse, no ano passado, quando foi entrevistado por mim e pelo Victor Martins para a REVISTA WARM UP.

O Felipe acerta a Ferrari de um jeito, e o Fernando, de outro. É diferente. O problema do Felipe é o traction control e os pneus Pirelli. O Felipe é um cara que ataca muito, é agressivo. O Felipe é muito rápido. Com pneu novo e com carro acertado, é difícil virar mais rápido, ele é muito rápido. Mas de repente ele usa demais a tração, desgasta o pneu e perde a força lateral. Muita gente fala foi o acidente, foi nada. É o estilo dele. O problema dele é o traction control e o pneu Pirelli que gasta muito. Você tem que desacelerar para andar rápido, é o contrário. O estilo dele é muito agressivo.

Massa aprendeu a lidar com isso tudo. A ser agressivo sem passar do limite dos pneus. A andar forte sendo suave.

Hoje, Felipe Massa liderou os treinos livres. É claro que isso não costuma dizer muito, mas, dessa vez, não se trata de um resultado qualquer. Há 24 corridas que ele não terminava uma sessão (sem contar Q1 ou Q2) na primeira posição. Diante de tudo isso que analisei acima, sim, esse resultado mostra que ele é outro.

O que vai nos dizer até onde ele vai são as próximas duas corridas. Três, vai, até o GP da Espanha. Em 2010, Massa chegou a ocupar o topo da tabela de pontuação do Mundial de F1 após três corridas, só que depois caiu demais de produção diante do crescimento de Alonso e terminou mais de 100 pontos atrás do especial. Ano passado, terminou quase 200 pontos atrás. É improvável que ele saia líder de Xangai, mas um pódio, chegar à frente de Alonso e, principalmente, uma vitória, serão fundamentais para o que será do futuro de Felipe Massa.

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Enquanto isso, Pérez é só decepção. Não pontuou em nenhuma das últimas sete corridas do ano passado com a Sauber, andou pouco com essa fraca McLaren e bateu na entrada dos boxes na China no treino. Eu não sei fazer, mas essa foto do Massa merece um meme ironizando o mexicano, na boa.

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2 comentários em “Porque Massa

  1. Do mesmo jeito que foram “pacientes” com o Massa, é necessário ser paciente com o Perez. O cara foi ao pódio logo nas primeiras corridas em que esteve na F1 – ele não é um zé mané qualquer. Falar que ele é “só decepção” depois de 2 corridas é no mínimo inocência.

    1. Ele não é só decepção por causa de duas corridas, está sendo só decepção por causa das últimas dez. Eu realmente acredito que ele tem talento e potencial para vencer. Acontece que, de repente, esse talento deixou de ser mostrado.

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