Um pouco sobre a Indy

(Foto: Felipe Tesser, o Castrinho)

(Foto: Felipe Tesser, o Castrinho)

SÃO PAULO | 18h11 | Passei a última semana enfurnado na sala de imprensa do Anhembi trabalhando na cobertura da SP Indy 300. Uma corrida sensacional, que dificilmente esquecerei (esqueceremos, caso você, leitor, também tenha assistido a essa corrida). A chegada foi simplesmente sensacional, encerrou em grande estilo uma corrida que foi bastante movimentada e mostrou bem o que é a categoria: cheia de variáveis que permitem até mesmo o último colocado no grid ter chance de brigar pela vitória, como foi o caso de Josef Newgarden.

Esse começo de ano está mudando o meu pensamento sobre a Indy e, possivelmente, o de muita gente também. Os últimos anos fizeram todos pensarem que a Indy é uma várzea – de fato, é – total. Porém, ela está se ajeitando, continua agradável e vai passando por menos problemas. Ao que parece, os atritos políticos estão diminuindo e a atenção pode ficar mais voltada para as corridas mesmo. As desse ano foram um tanto agitadas.

Eu já gostava e acompanhava, desde pequeno, sempre gostei, mas por que digo que estou começando a ver a categoria de uma maneira diferente? Nesse ano, trabalhei pela primeira vez na cobertura de uma prova da Indy, lá em São Petersburgo, nos EUA. Pela segunda, aqui em São Paulo. (Coincidentemente, as duas vitórias de James Hinchcliffe, ou seja, da próxima vez que eu viajar para uma etapa, ele vai ganhar).

Talvez essa proximidade maior tenha influência no modo como estou vendo a Indy, até por que penso que é vendo uma categoria fora da sua zona de conforto, acompanhando uma corrida fora de sua terra dá uma noção diferente da coisa. Sim, isso tem influência. Só que não é só isso. Como disse, esse início de temporada está bem legal.

Penske e Ganassi, as bambambans dos últimos anos, estão com dificuldades. Helio Castroneves é o terceiro no campeonato, porém, enfrentou dificuldades em duas das quatro provas. A Andretti cresceu e cresceu demais, é a potência do momento, e equipes menores, como a Foyt, estão obtendo destaque: o japonês Takuma Sato venceu pela primeira vez e é o líder do campeonato. Sejamos honestos: um dia pensamos que Sato seria líder da Indy no mês das 500 Milhas de Indianápolis? Vamos passar o mês falando dele.

Como a suprema Evelyn Guimarães e eu mencionamos no Conta-giro desta semana no GRANDE PRÊMIO, uma das coisas legais da Indy é permitir que times menores alcancem grandes feitos.

Também estamos vendo novos nomes surgirem na batalha pelas primeiras posições. James Hinchcliffe é um. Simona de Silvestro, Tristan Vautier, Charlie Kimball, Josef Newgarden e Simon Pagenaud são outros exemplos de pilotos que, não fique surpreso, podem acabar subindo ao pódio ou até mesmo ganhando alguma coisa neste ano. Os “velhos” estão começando a passar o bastão para essa nova geração.

Além disso, a Indy está rendendo boas histórias. A F1 está coxinha demais, com tudo muito engessado, ao passo que, bem no jeitão norte-americano, a Indy é aberta, permite a aproximação do público e a amizade entre os pilotos. Mecânicos de uma equipe entram numa boa na garagem de outra. Os pilotos são vistos conversando numa boa por aí.

Falta muito para a Indy voltar a ser grande como foi nos anos 1990. Só que ela está se ajeitando, a nova direção da categoria parece que vai dar conta do recado e, como definiu o amigo Hugo Becker, que está mais empolgado que eu com esse início de ano, está no caminho certo. Que venha a Indy 500.

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2 comentários sobre “Um pouco sobre a Indy

  1. Bom texto, apesar da parte exagerada que chama “várzea” algumas coisas da categoria. De resto, é isso mesmo. Em 2012, já havia acontecido o melhor Campeonato de Indy em anos, destacado por todos os jornalistas americanos envolvidos com a categoria. Mas daí a Grande Premio, através de Flavio Gomes, analisou a temporada como RUIM, porcaria, e a gente que sabe do que se passa com a realidade da Indy ficou um tanto chateado com esse tipo de manifestação baseada em achismos da GP e do Gomes. Parece que agora “a ficha caiu” e vcs estão diferentes no trato com a Indy. O ano passado foi espetacular, mas prefiriram dar grande dimensão aos problemas na pista de ‘Destroit’, ou a briga politica entre chefes de equipes e Randy Bernard. Flavio Gomes sequer falou, na analise que fez, das 34 mudanças de lideres ao longo das 500 Milhas de 2012.

    A gente que está na barca furada da Indy desde o final dos anos 80 sabe muito bem que do ano passado pra cá a categoria conseguiu reencontrar-se com a emoção nas corridas muito mais do que nos anos anteriores de dominio absurdo de Penske e Ganassi.

    Acho que vc falou certo na parte onde afirma que a experiência de cobrir a Indy in loco permitiu a você reinterpretar melhor o momento da categoria, que ainda é muito ruim nos indices de audiência nos EUA. Muito em conta do contrato bisonho assinado por Tony George, a parte podre da Familia Hulman.

    Renan, se tiver paciência te convido para ler meu blog sobre a Indy e que costuma falar sobre a história da categoria de monopostos mais antiga do mundo.
    http://oindyanista.blogspot.com.br/

    Responder
    • Rafael, sobre o ano passado, o campeonato foi espetacular no que diz respeito ao equilíbrio. Vários pilotos diferentes vencendo, várias mudanças na ordem, mas tivemos vários pontos negativos também. Detroit foi um deles, e foi um vexame. Também teve Baltimore, que tem aquele trilho de trem no meio da pista (isso é, definitivamente, várzea), o Turbogate, várias corridas chatas, sem contar o medo que todos estavam por causa dos ovais, com o fantasma da morte do Wheldon rondando. Indianápolis foi legal, mas boa parte das corridas foram bem chatas também. Foi levando tudo isso em conta que avaliamos negativamente o campeonato como um todo. Acabou pesando na balança.

      Enfim, este ano está bem diferente. A Indy parece que reencontrou o caminho. Está se esforçando para tal, está deixando isso claro, e as coisas estão se acertando. As rodadas duplas com largadas paradas me parecem interessantes, mas vamos precisar ver como elas acontecerão na prática. E o retorno de Pocono deve ser bem legal. Vale esperar até o fim do ano para fazer a comparação completa, mas tenho a impressão que esse ano será bem melhor que 2012.

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