Tudo errado

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SÃO PAULO | 1h18 | Hora de tirar o atraso aqui do blog. É bem estranha a história desse teste secreto da Mercedes, realizado com o aval da Pirelli. A primeira coisa que me espanta é: por que diabos quiseram testar em segredo? Até parece que ninguém ia notar, que um carro de F1 andando em Barcelona passaria despercebido.

A história surgiu como uma bomba na manhã de domingo, trazida a tona pela revista inglesa ‘Autosport’. No fim da tarde, já se sabia que o tribunal da FIA julgaria o caso.

Desde 2009 que testar é proibido na F1. Treinos durante a temporada são proibidos e, na pré-temporada, as equipes andam apenas nos treinos coletivos. De repente, no terceiro ano do contrato da Pirelli com a F1, surge a informação de que a fornecedora de pneus pode convidar qualquer equipe para realizar um teste de 1000 km. Por que nunca testaram antes? Se tivessem, as reclamações com relação ao desgaste dos compostos seriam bem menores, inclusive.

Aí vem o segundo ponto: a Pirelli pode convidar os times para esse teste, mas não durante a temporada. Mas ninguém fez o treino extra na pré-temporada. E agora que a Mercedes andou, também foi revelado que a Ferrari foi outra que fez o teste, após o GP do Bahrein. A diferença é que os italianos usaram o carro de 2010; os alemães, o de 2013.

A ‘Autosport’ também teve acesso a um e-mail de 2012 no qual a Mercedes foi informada de que testes com carros da temporada que está sendo disputada e das duas anteriores não são admitidos para essas avaliações particulares. Um mês antes desse e-mail é que a Pirelli comunicou a todos e todas sobre os 1000 km de testes.

Estou curioso para saber como essa história vai se desenrolar, porque não faz sentido nenhum. Existe um contrato que permite testes, mas o regulamento esportivo o proíbe. A história toda fica mal-explicada e agora vai ser decidida em um tribunal.

Isso tudo nos faz lembrar outra coisa: em meio às tantas críticas que foram feitas aos pneus da Pirelli, Toto Wolff, diretor da Mercedes, saiu em defesa da fabricante italiana. Bem que eu tinha achado estranho vê-lo falando bem da Pirelli sabendo que a equipe que comanda está sofrendo demais com os compostos. Enquanto ele falava isso, os treinos corriam soltos lá em Barcelona.

Ferrari e Red Bull protestaram oficialmente para pedir esclarecimentos à FIA sobre o que pode e o que não pode ser feito. A Ferrari, que tem uma pista no quintal de sua fábrica, é totalmente a favor da liberação dos testes privados, todos sabem.

Sinceramente, não acredito em uma sanção muito pesada para a Mercedes. Primeiro, até que ela tem sido uma equipe pacífica com relação à FIA. Não é como a McLaren nos tempos de Max Mosley. Segundo, as montadoras não são afeitas a um escândalo. O Crashgate de Cingapura afugentou de vez a Renault, que já pensava se continuaria ou não na F1. A cúpula de Stuttgart não vai ficar nada contente com uma sanção pesada e, nas próximas semanas, em algum momento vai sair um boato de que as Flechas Prateadas podem deixar a categoria.

Em um momento delicado financeiramente, ninguém, mas ninguém mesmo, quer ver a Mercedes saindo do grid. No ano que vem, o preço dos motores vai subir drasticamente e sete equipes não podem pagar pelas unidades. Obviamente, como as produz, a Mercedes é uma das que tem condições de pagar, mas, mesmo assim, os executivos vão pensar bastante no impacto da presença na F1 para a imagem da empresa.

E essa bomba ainda foi explodir bem quando a Mercedes ganhou pela primeira vez no ano… Pela forma como a corrida de Mônaco se desenhou, o teste de Barcelona não teve tanto impacto assim no rendimento do W04. Só que o aprendizado dos três dias de treinos em Barcelona vai começar a pesar a partir do GP do Canadá. Lá, deve ficar bem evidente a melhora do time de Brackley.

No fim das contas, acredito que a Mercedes vai levar uma multa ou perder pontos no Mundial de Construtores e todas as outras equipes vão ter direito ao teste para ficarem em condição de igualdade. Mas tudo dependerá do desenrolar dessa confusa trama que parece tão falha quanto as novelas da Glória Perez.

Mas quem pode se dar mal nessa história toda é a Pirelli, que ainda negocia para continuar na F1 em 2014. Parte das equipes, por causa do alto desgaste dos pneus, não está contente com a fabricante e emperrando as negociações. Sabendo disso, Paul Hembery veio a público para dar um ultimato, falou que há um deadline interno para a assinatura do novo contrato que, se desrespeitado, implicará na saída da empresa da categoria ao término desta temporada. Esse episódio diminui a credibilidade da marca junto às escuderias e dificulta ainda mais um consenso com relação aos compostos do ano que vem.

PS: Até o momento, não li ou ouvi nenhum relato de alguma equipe de F1 treinando em Monte Carlo neste pós-GP de Mônaco.

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2 comentários sobre “Tudo errado

  1. Acho que poderia ser esse termo usado nesse post ao do que foi digitado, por exemplo: Teste secreto da Pirelli realizado com aval da FIA; pois não vejo a Mercedes como culpada até porque qualquer outra equipe iria aceitar fazer esse mesmo teste. Portanto a revolta é que Ferrari, RBR etc foram preteridas pela Pirelli. A Pirelli se pronunciou afirmando que tinha o aval da FIA para realizar testes com a Mercedes – A FIA sabe que o regulamento não permite esses testes e autoriza a realização do mesmo.
    Resumindo você disse tudo nessa frase: ” Existe um contrato que permite testes, mas o regulamento esportivo o proíbe”.

    Responder
  2. Concordo com o que foi escrito, exceto a parte em que fala que pela forma como se desenhou o GP de Mônaco o teste nao teve impacto no W04. Na minha opinião houve simula melhora significativa no que diz respeito a consumo de pneus e acredito que isso seja resultado dos testes em Barcelona. Eu particularmente acho uma babaquice essa história de proibirem testes durante o ano, e pior ainda é liberarem uma única equipe para testar. Certamente essa regra deveria ser revista.

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