Norisring: um circuito em meio a ruínas do nazismo

Norisring começou a abrigar corridas de carros e de motos em 1947, dois anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Ao longo dos anos, o circuito montado nas ruas próximas ao Volkspark, à margem do lago Grosser Dutzend, foi construindo sua própria história e ganhando seu charme. Contudo, basta olhar para o terreno que se nota os laços com o capítulo mais negro da história da Alemanha — e talvez da humanidade.

congresso do NSDAP

A cidade de Nuremberg, onde fica o Norisring, era considerada a mais alemã de todas por Adolf Hitler. E foi ela a escolhida pelo ditador para abrigar a sede das festas anuais do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou, simplesmente, Partido Nazista.

A prefeitura municipal doou um enorme terreno na zona sudeste de Nuremberg, a alguns quilômetros do centro, onde inaugurado, em 1928, um estádio olímpico. Para este terreno, o arquiteto Albert Speer elaborou planos megalomaníacos, do jeito que Hitler gostava.

paddockO projeto original não chegou a ser concluído. A única construção que ficou 100% pronta antes de os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial impossibilitarem a continuação dos trabalhos foi um campo de zepelins, no qual hoje é montado, anualmente, um paddock.

Mas havia mais: um estádio para 400 mil pessoas, um congresso para 50 mil (o da primeira foto), um campo de treinamento para militares e uma passarela com 55 metros de largura para desfiles do exército, além da reforma do estádio já existente para enquadrá-lo nos padrões da arquitetura nazista.

O prédio do congresso ainda impressiona por sua grandiosidade. Por dentro, ele é só ruínas, mas a fachada está bem conservada. É uma construção que pode ser vista de longe, comparável a um estádio de futebol como o Morumbi ou o Mineirão.

Na década de 1970, o governo decidiu que a área deveria ser preservada. Atualmente, o prédio que serviria para congressos do partido nazista abriga um museu sobre a ideologia nazista, os acontecimentos da Segunda Guerra e os motivos que levaram Nuremberg a se tornar uma cidade tão marcante neste contexto. A Orquestra Sinfônica de Nuremberg também se apresenta no local.

Já o exterior foi transformado em um extenso parque, cheio de gramados, ciclovias e um lago, no qual alguns se divertem com pedalinhos e caiaques.

Décadas depois, as marcas de um período tão desprezível continuam de pé. Hoje, essas ruínas geram reflexões e revelam traumas. Mas, ao mesmo tempo, é preciso superar esse passado sombrio, garantir que ele não se repita e tocar a vida adiante.

O Norisring é um exemplo disso. As ruínas do antigo campo de zepelins servem de arquibancada para os torcedores e envolvem os boxes e o paddock, mas, ao menos nos finais de semana de corrida, não são mais o foco principal. O mais importante é o que acontece na pista. E é bom que seja assim.

dtm-norisring

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3 comentários em “Norisring: um circuito em meio a ruínas do nazismo

  1. Prezado Renan, parabéns pelo post, realmente muito interessante. Só uma correção: o nome correto do arquiteto é Albert Speer, e ele era alemão, não Austríaco. Já o termo Zeppelinfeld é melhor traduzido com Campo Zepelin, e não campo de zepelins, uma vez que se tratava de uma tribuna para discursos nazistas e não um campo de pouso para esse tipo de transporte.

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