Tratem o Brasileiro de Kart como ele merece. Não é assim

2013-kart-brasileiro-eusebio-issoecbaBUDAPESTE | Brasília, 1º de junho de 2013. Uma obra mal-executada no Autódromo Nelson Piquet atrasa a programação da Stock Car. O reformado sistema de drenagem do circuito ia se desmanchando a cada vez que um carro passava por ali. Improvisaram, tacaram um punhado de concreto e vambora. Aquilo foi uma vergonha para a maior categoria do país e evidenciou o que Cacá Bueno definiu como “processo de não cuidar do automobilismo”. Gosto bastante do termo.

Nesta semana, esse “processo de não cuidar do automobilismo” chegou ao seu limite. Quer dizer, é melhor eu não usar essa palavra. Como diz um amigo meu, “quando você pensa que chegou ao fundo do poço, sempre dá para afundar um pouco mais”. Ainda mais se tratando da Confederação Brasileira de Automobilismo.

A CBA não fez uma vistoria decente em Brasília e permitiu o início das atividades em uma condição que oferecia risco aos pilotos. À época, escrevi essa coluna no GRANDE PRÊMIO. O que faz a CBA? Nada. O que mudou desde o que aconteceu em junho? Nada. Passaram a agir com antecedência? Não.

É simplesmente uma vergonha o que está acontecendo em Eusébio, no Ceará, na segunda fase do 48º Campeonato Brasileiro de Kart. Dos campeonatos que são disputados hoje no Brasil, esse é o mais antigo, o mais tradicional e, não tenho dúvida nenhuma para dizer que é a coisa mais legal do esporte a motor no país. De longe. Muito melhor que qualquer corrida da Stock Car, da F-Truck ou de qualquer outra coisa. Por isso peço: não estraguem.

Eu precisei de apenas seis dias para me apaixonar pelo Brasileiro de Kart. Foi em 2011. Os seis primeiros dias em que trabalhei no Allkart.net, em Interlagos. Esse campeonato é único. Corrida atrás de corrida. E um monte de corrida boa, com disputas acirradas, acidentes, belas ultrapassagens. Várias ótimas histórias podem ser contadas em uma única semana. Lembrarei daquela semana para sempre, tanto quanto os pilotos que foram campeões nas oito categorias disputadas naquela primeira fase: Paulo Coelho, Felipe Drugovich, Gregory Diegues, Zaya Fontana, Vinícius Papareli, André Nicastro, Dennis Dirani e Alberto Cattucci.

E o que tem de histórias para contar, então, quem tá nisso daí todo o ano? O Alexander, o Nei, o Ricardo, a Margarete, o Luiz, o Quick, o Erno, o Balada, o Mário, para citar alguns da imprensa, os preparadores, os pilotos… O Fernando Silva, que acabou de deixar a equipe do GP e foi para Serra, no início do mês, voltou do Espírito Santo e me disse: “Bem que você falou antes, o BR de Kart é fantástico”. É mesmo.

Mais do que isso, o Brasileiro de Kart é o principal campeonato da melhor escola do esporte a motor. É no kart que tudo começa. Que se pega o gosto pela coisa. Nos últimos anos, temos revelado poucos nomes que chegam à porta da F1. No início da década passada, chegamos a ter cinco disputando um GP de F1. O que acontece em Eusébio é apenas (mais) um sinal de como as coisas vão mal. E aí me digam: como é que novos grandes pilotos vão surgir se acontece esse tipo de coisa no kartismo e continua acontecendo a cada passo que os pilotos dão na carreira?

Como é que explica uma coisa dessas?
Como é que explica uma coisa dessas?

A escolha de Eusébio como sede da segunda fase não foi nada popular por parte da CBA. Volta e meia eu escutava alguém reclamando da distância, da politicagem, que não há motivo para fazer corrida lá. Nesse ponto, eu admito que não via tanto problema.

Agora, lá estão 71 pilotos (mais os das categorias que ainda não puderam treinar). Número baixo. Bem baixo. 71 pilotos que viajaram até Fortaleza, cidade bacana, praia calor e tal, para não andar de kart. A CBA tinha que promover um evento impecável, para não dar margem um chiado de ninguém. Para que todos deixassem Fortaleza pensando: “Valeu a pena vir para cá. Foi de fuder”.

No Allkart, o Ricardo Belussi foi preciso. Que se foda. Pilotos, boicotem esse campeonato. Mandem um recado para a CBA. Não é só por dois dias de treinos. O Brasileiro de Kart é muito importante para ser tratado com tanto descaso assim por ela. Façam isso e, no ano que vem, se os organizadores tiverem vergonha na cara, vocês terão um campeonato decente para disputar.

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2 comentários em “Tratem o Brasileiro de Kart como ele merece. Não é assim

  1. Renan, sem duvida um comentario com propriedade.
    O problema com o kartismo (e o automobilismo) no Brasil nao comecou (ou terminou) em Eusebio no Ceara. Eh, na verdade, um cancer de anos e anos a corroer um corpo que teima em nao se entregar.
    Voce colocou um texto porque teve oportunidade de viver o kartismo pessoalmente. O que dizer destes intitulados “dirigentes” que infestam o kartismo nacional? Nao vale a pena sequer citar o modelo positivo existente em outros paises. isto eh uma questao de cultura de quem aceita (os pilotos, os pais de pilotos, os mecanicos e muitos que vivem este esporte.
    E nao se diga que nao houveram exemplos ou movimentos para terminar com isto. lembro em 1996 quando corriamos o Campeonato Brasileiro na Bahia e um politico local – pai de um piloto – usando uma arma adentrou aos boxes apos o qualfying, exigindo que seu filho (nao vou citar o nome por respeito ao menino-piloto na epoca Categoria Junior) participasse das provas. No hotel, na noite anterior, lembro que nos reunimos (Zequinha Dirani, Maurao, Farfus pai, Jimenez pai apenas para citar alguns) e decidimos boicoitar a prova se a CBA aprovasse tal ignomia.
    Creio que tenho esta foto em algum lugar, na qual nos posicionamos no pre-grid, alinhados, piloto e mecanico e nao entramos na pista atendendo ao chamado do diretor de prova. Apos quase uma hora o intempestivo coronel baiano aceitou a punicao nao sem antes a CBA aceitar certas condicoes (entre outras nao banir o menino-piloto de qualquer competicao nacional.
    Este ano, as homologacoes de motores, carburadores, e outros equipamentos foi uma vergonha. A CBA informou oficialmente que as fichas de homologacoes seriam distribuidas e fevereiro para que os fabricamente apresentassem as mesmas para registro e homologacao ateh 31 de julho de 2013. No Campeonato em Cascavel – Julho 2013 – ainda estavam se reunindo para discutir com os fabricantes. Somente em setembro as fichas foram homologadas e as inspecoes tecnicas que deveriam ser feita ateh setembro foram feitas sabe la de que maneira.
    Sao dirigentes que nao entendem que este esporte eh uma INDUSTRIA, que gera empregos num efeito cascata mas que tem regras as quais eles se especializaram em mudar para os seus proprios interesses.
    Sao culpados? Nao, nao sao. Culpados sao aqueles que aceitam passivamente. Sinto saudades do movimento criado pelo Nelson Piquet (pai) criando a Liga Nacional de Kart nos anos seguintes a qual a CBA matou fazendo ameacas de desfiliacao aos pilotos que dela participassem. Quem se interessa pelo Campeonato Nacional? apenas 5% dos pilotos que correm de kart no Brasil. Simples assim. Existe um multiplicador de pelo menos mil porcento de pilotos que correm de kart e nao sao filiados. Falta uma lideranca efetiva como esta na qual os pilotos que criaram o SKB (Super Kart Brasil) nao propriamente pela criacao mas sim pelo objetivo de fazer algo serio.

  2. Sinceramente? Se pilotos, pais, preparadores quisessem mudar alguma coisa, tinham de botar os karts nos caminhões quinta-feira e tocar de volta pra casa… Prejuízo? Nenhum… Prejuízo é correr nessas condições, sabendo que reclamar aqui nessas bandas é pouco e não resolve! Defendi a mesma medida na Stock Car em Brasília… Faltam ações das entidades que regulamentam o esporte, sim, mas é porque falta atitude de quem faz o esporte! Minha opinião!

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