UMA VOLTA POR CIMA FORA DAS PISTAS

2006-f1-brasil-massa-getty

SÃO PAULO | Demorei um pouco para conseguir arranjar tempo para escrever aqui no blog – que anda bastante empoeirado – sobre a saída de Felipe Massa da Ferrari. O lado bom disso é que deu para observar várias reações à notícia de que, após oito temporadas, o brasileiro não vai mais correr pela equipe mais vencedora da F1. Admito que fiquei impressionado com como a maioria dessas reações foi positiva.

Não quero, de forma alguma, menosprezar Massa. Pelo contrário. Fiquei surpreso porque, desde o início de 2010, ele andou muito abaixo do que se esperava dele e muito menos do que outros pilotos de ponta da F1. Mas ele saiu da Ferrari pela porta da frente, e o anúncio, por incrível que pareça, deu uma levantada na imagem de Massa. Ainda foram feitas homenagens pela própria equipe e também por Alonso.

A própria imprensa europeia está fazendo elogios ao paulista. Li, hoje, na Autosport, um texto muito bom do Edd Straw: “Não esqueçam o quão bom Massa foi.”

Uma volta por cima fora das pistas. Acho que dá para resumir assim.

Deixar a Ferrari como o segundo piloto que mais defendeu o time é uma marca respeitável. Até porque Maranello costuma ser um ambiente um pouco hostil para os pilotos. A pressão por resultados é enorme. E, quatro temporadas, os resultados de Massa foram ótimos. Ótimos mesmo.

2006 foi um ano de adaptação. Não era para se esperar que ele fosse bater Michael Schumacher. Mas, observando o alemão, ele aprendeu direitinho. Foi terceiro no campeonato, marcou três poles, ganhou duas corridas e, mais do que isso, moral. A festa feita no GP do Brasil o deixou ainda mais confiante para fazer frente a Kimi Räikkönen em 2007.

E 2007, ao contrário do que muita gente pensa, foi, sim, um bom ano. Massa venceu no Bahrein e na Espanha para começar o ano bem. Na Espanha, teve aquela dividida de curva com Fernando Alonso que mostrou: “Estou aqui para ser campeão. Não vou amolecer.” Ele tornou a brigar com o espanhol em Nürburgring. Venceu de novo na Turquia e, no GP da Itália, estava à frente de Räikkönen. Foi então que uma falha na suspensão acabou com seu fôlego na luta pelo título.

De 2008, não tem nem muito o que falar. Três corridas ruins, várias boas, algumas impecáveis. Seis vitórias. E nada de tremer na hora mais importante: a decisão, em Interlagos. Massa fez tudo o que podia para ser campeão. Hamilton também. Os dois mereceram demais e foi um detalhe que definiu tudo.

Mesmo em 2009, Massa foi bem. O carro era ruim, mas ele estava melhor que Räikkönen e arrisco dizer que tinha uma boa chance de vencer na Hungria. Ah, a Hungria.

Mas a confiança no brasileiro era tanta que a Ferrari optou por romper com Kimi, que tinha contrato até o fim de 2010, para renovar com Felipe, cujo vínculo acabaria em 2009.

De lá para cá é que o jogo começou a virar. Na companhia de Fernando Alonso, os resultados não foram os mesmos. E pode ser até ingenuidade minha, mas tenho a impressão de que o espanhol se tornou o grande problema de Felipe. Por mais que ele tentasse, não conseguia ficar à frente. Não tem jeito, a autoconfiança vai diminuindo. Quando você tem a chance de se recuperar, ouve a mensagem de rádio mais famosa da história da F1.

Para não dizer que nada de bom aconteceu, houve o fim de 2012. Uma boa arrancada depois do momento mais delicado de Massa, em termos de performance. A coisa não ia nas primeiras corridas. Na Inglaterra, ele começou a reagir, uma reação coroada com o pódio no Brasil e serviu de impulso para um bom início de 2013.

Agora, a saída de Massa representa um fenômeno curioso: ao mesmo tempo em que o valor de mercado caiu – ele não deve conseguir um contrato bom como o que tinha na Ferrari –, o respeito aumentou. A Lotus, ao que parece, vai escolher entre ele e Nico Hülkenberg. E aí Felipe, que saiu da Ferrari ressaltando o sonho em ser campeão, vai ter a chance de dar uma volta por cima dentro das pistas também, mesmo que não realize esse sonho.

Aliás, isso pode acontecer daqui até o fim do ano. Sem preocupação, sem pressão, ele tem sete corridas para mostrar que merece continuar na F1. E se não conseguir um lugar no grid de 2014, terá, ao menos, se despedido em grande estilo.

Anúncios

6 comentários sobre “UMA VOLTA POR CIMA FORA DAS PISTAS

  1. Ótimo texto, justíssimo à carreira do Massa.
    Sobre não ter andado tão bem ao lado de Alonso acho que o problema não foi nem o companheiro de equipe mas talvez alguma sequela pós “molada”. Não sou médico, sou leigo mas acho que um batida daquela na cabeça pode ter prejudicado, sei lá, reflexo, essas coisas. Esses caras andam tão no limite que o que para nós não seria sequela alguma para eles pode resultar em décimos/milésimos de segundo importantíssimos.

    Responder
  2. O Felipe é um ótimo piloto, mas é sempre entre 0,3 e 0,5 segundos mais lento que o Alonso. Não sei se é uma questão de habilidade ou sequela da molada na cabeça ou auto confiança. Tomara que vá para a Lotus e tenha chance de alguma coisa ano que vem.

    Responder
  3. Muito bom o texto, só faltou citar a recuperação após a molada (até isto podemos colocar na conta do Rubinho), muitos pilotos teriam parado após este acidente.

    Responder
  4. Se a saída de Massa da Ferrari foi uma volta por cima, trata-se aí de opinião pessoal e não realidade consumada. Ora, quem em seu perfeito juízo, sairia da escuderia Ferrari, local almejado por tantos pilotos, a qual com relação ao Massa, fez questão de anunciar de forma elegante a contratação de outro piloto, após o anúncio de sua saída pelo próprio Felipe. Sabemos há muito tempo, que o mundo da formula 1 vive de resultados, portanto…………..

    Responder
  5. Com todo respeito, esse comentário me parece por fora da realidade e das pistas, até mesmo dos boxes!
    Infelizmente, a realidade é que literalmente Felipe chegou à F1 quase que para substituir Rubens e não sei qual dos dois foi pior!
    Depois de termos pilotos do nível de Fittipaldi, Piquet e Senna, esses dois não teriam mesmo como se destacarem com facilidade, mas o pior é que ficaram muito longe disso!
    Na prática, até para segundos pilotos eles foram muito ruins! Talvez, como Massa, fossem bons pilotos de teste e até sejam ótimos ajustadores, mas na pista de uma corrida, a situação deve ser mesmo muito diferente.
    Prá começar, falemos sério! Não foi Massa que deixou a Ferrari, foi a equipe que o largou, e, por mais que tenha questionamentos sobre a conduta da Ferrari, há que se admitir que essas equipes querem e precisam de resultados, algo que nem um nem outro apresentavam de modo proporcional ao equipamento que dispunham.
    Já me cansava só de ouvir falar numa entrevista deles! Tinha sempre um tom melancólico e invariavelmente desculpas para desempenhos acanhados, para dizer o mínimo.
    Aquela conversar de “não ter primeiro piloto” sequer deveria ter sido falada pelo Massa, por exemplo. Quer ser primeiro, pilota e age como primeiro. Era fundamental apresentar bons resultados no começo da temporada, mas o resultado nas pistas ficava muito aquém!
    E não se venha com essa da “molada”, etc. Os resultados dele não eram bons antes! Na verdade, a “atitude” dele nas pistas nunca foi condizente com um primeiro piloto. Parecia mais um segundo Rubens!
    Sejamos, então, sérios: Massa não dá uma “volta por cima”,na realidade tenta não sucumbir aos seus péssimos resultados, ao seu desempenho!

    Responder

Comente este post

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s