HORA DA VIRADA PARA MASSA

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SÃO PAULO – O que o bom amigo Américo Teixiera Jr. cravou, há três semanas, confirmou-se ontem: Felipe Massa vai correr na Williams em 2014. Mais uma vez, ficou claro como funcionam as coisas na F1: nega-se, nega-se, nega-se até que, num belo dia, anuncia-se o que tanto se negou.

Em momento algum, duvidei que esse anúncio fosse acontecer. Primeiro, por confiar no Américo. Vi gente falando que foi chute. Garanto: não foi. Segundo, pelas declarações do próprio piloto e da Williams. A negativa de Massa deixou no ar a impressão de que, de fato, a equipe de Grove seria sua nova casa.

Nicolas Todt e seu assistente, Alessandro Alunni Bravi negou com mais veemência. Este último definiu a situação como “fantasia”. Não, não era. E é claro que o francês não poderia dar indícios de que isso estava acontecendo, afinal, também é empresário de Pastor Maldonado. Confirmando Massa, ele atrapalharia os planos de seu outro piloto. Um conflito de interesses danado.

Mas falemos do futuro.

Escrevi aqui no blog, quando Massa anunciou a saída da Ferrari, sobre como, de repente, seu valor cresceu. “Uma volta por cima fora das pistas”, foi o título do post. O que aconteceu nas últimas 48 horas apenas confirma isso – agregou valor à imagem do piloto.

Na Itália, num evento da Ferrari, ele se despediu da equipe que defende a oito temporadas diante de 15 mil pessoas. Foi saudado pelos torcedores, pelos mecânicos e pelos dirigentes da escuderia. Luca di Montezemolo fez diversos elogios ao vice-campeão de 2008. Ao “campeão por segundos”. Disse que, até hoje, não engole a ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock. E colocou Massa como um modelo  de ferrarista.

Tão interessante quanto é notar que a Ferrari liberou Massa para ir à fábrica da Williams, em Grove, participar do evento no qual foi anunciado. Alguém viu Kimi Räikkönen em um evento da Ferrari? Não, a equipe divulgou um comunicado curto e frio confirmando o retorno do finlandês. Hamilton também demorou bastante para aparecer vestido de piloto da Mercedes.

E Massa não está pagando para correr. A Williams espera que, pela presença dele, consiga encontrar patrocinadores – o que é diferente. O Banco do Brasil será um desses patrocinadores, apoiando dois Felipes: Nasr será reserva, já publicou o amigo Américo.

A Petrobras também cogitou investir no time. Depois de discussões internas, ganhou o lado esportivo. Explico: um lado mais político da petrolífera queria patrocinar a Williams, outro lado, esportivo, defendia a entrada na F1 apenas como fornecedora de combustível. Isso não pode acontecer com a Mercedes, que só usa combustível Mobil.

(Outra info sobre a Petrobras: foi atrás da Honda, parceira da McLaren a partir de 2015, mas ouviu dos japoneses que eles já têm gasolina. Honda e Petrobras estavam acertadas para a temporada 2009, mas a montadora saiu da F1 e o negócio melou.)

Dentro das pistas, esse maior valor agregado não vai resolver nada, é verdade. Chegou a hora de Massa dar um novo rumo à carreira. A hora da virada.

Montezemolo falou isso: a relação atingiu um ponto em que era melhor que Massa procurasse novos ares.

Na Williams, Felipe vai encontrar um mundo de coisas novas: carro, companheiro, chefes, engenheiros, método de trabalho, motor. Ele nunca trabalhou em uma equipe inglesa, tampouco correu com um motor que não fosse Ferrari.

O desempenho nas últimas corridas é um bocado animador. Um bocado. Embora tenha sido mais veloz que Alonso nas classificações, de maneira convincente, ainda deixa a desejar em algumas corridas. Os GPs da Índia e de Abu Dhabi mostraram sinais de progresso, o que é bom. Massa não sabia o que era liderar um GP por mais de três voltas desde o GP da Alemanha de 2010 até a prova de Buddh deste ano. Mas será preciso continuar assim, mostrar uma constância maior.

Liderar a equipe é outra motivação. Quando esteve nessa condição, ou, ao menos em condição de igualdade, entre 2007 e 2009, foi bem. Levou a melhor sobre Raikkonen.

Claro, tudo vai depender da Williams, que está bem mal. Vão ter os motores Mercedes, que dizem ser os melhores para 2014? Ok. O Renault venceu os últimos quatro campeonatos, e nem por isso o time se arranjou neste ano. O crescimento precisa passar por uma reestruturação técnica, que começou com a chegada de Pat Symonds. Ross Brawn seria uma grande contratação.

O rendimento de Massa na Williams será mais uma coisa para se observar em um 2014 que promete ser bastante interessante no automobilismo. Bastante mesmo.

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2 comentários em “HORA DA VIRADA PARA MASSA

  1. O discurso é otimista. Mas precisamos ser realistas. O Massa ganhou uma despedida bonita da Ferrari e etc? Sim. Foi um piloto e pessoa queridos por lá? Também. Mas voltemos a realidade. Foi demitido por falta de resultados. Fez quatro temporadas terríveis. A realidade é essa. E não, o Massa nunca foi um super piloto. E não será a partir de agora.

    Não se trata de perseguição ou brasileiro desmerecer brasileiro e torcer contra, como alguns dirão. Não é isso. Só me incomoda o fato que, de repente, estarem tratando a ida do Massa à Williams como uma revolução. Não, não será. É preciso lembrar que a Williams é a atual nona das onze equipes do grid e, apesar do passado glorioso, hoje é apenas uma equipe pequena.

    Por mais radical que seja a mudança no regulamento do próximo ano, ela não terá nem recursos nem um staff técnico suficientes pra enfrentar Red Bull, Ferrari, Mercedes, Lotus e McLaren. Por melhor que seja o progresso do carro, ele lutará por alguns pontos e com muita sorte e uma revolução do piloto, um pódio.

    Não. Nem Williams nem o Massa serão campeões e farão uma revolução em 2014 como alguns comentários jornalísticos, colunas e títulos de matérias dão a entender. Pode ser um recomeço pro piloto do ponto de vista de se correr livre sem ter que trabalhar sempre pro companheiro. Mas será apenas isso. É só lembrar das duas últimas temporadas do Barrichello por lá. A diversão do piloto será correr solto pra marcar uns pontinhos e só. E não há nada de errado nisso. Só não “vendam” (equipe, piloto e imprensa) a ilusão que de uma hora pra outra o Felipe vai se tornar um super piloto e lutar por vitórias e títulos. Torcedor pode até ser cego e idiota. Quem gosta de verdade de Fórmula 1 e entende como as coisas funcionam, não.

  2. Isto mostra o quanto a Ferrari gosta do Massa. Uma coisa é pedir para ele dar passagem ao Alonso e fazê-lo trabalhar para o espanhol e outra é o quanto eles “demoraram” para encerrar o contrato. Primeiro e segundo piloto sempre existiu na Ferrari e o próprio Massa já ajudou Schumacher e Kimi. Já passou por isso muito antes de ajudar o Alonso. E também foi ajudado pelo Kimi em 2008. Isso é uma coisa.

    O que a Ferrari fez segurando o Massa após 2010, 2011, 2012 foi algo talvez nunca visto na F1. Um piloto com tamanha diferença de pontuação do companheiro continuar na equipe. A Ferrari segurou o Massa pelo coração e não pela razão. Prova disto é a homenagem de despedida e o fato de liberar o piloto para já participar de algumas coisas da Williams. Existe realmente uma relação além do profissional entre Massa e Ferrari. Mas como acontece em muitos casos, chegou uma hora que não dava mais pra segurar. E aposto que a Ferrari deve ter mexido alguma coisa nos bastidores para ajudar o Massa a encontrar lugar na F1 para ano que vem. Mesmo não tendo relação alguma com a Williams a Ferrari é muito forte nos bastidores.

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