SENTANDO A BOTA

2013-f1-18-eua-bottasSÃO PAULO | O fim de semana do GP dos Estados Unidos foi de opostos na Williams. Pastor Maldonado falou cobras e lagartos depois da classificação. Valtteri Bottas se destacou na tomada de tempos e marcou os primeiros pontos da carreira na F1 no domingo. Um, está feliz porque vai sair, mas emburrado porque ainda não saiu. O outro, bem contente por fazer boas apresentações e saber que continuará na F1 sem precisar desembolsar rios de dinheiro neste tempo esquisito que vivemos.

Mas, como vocês podem ter notado pelo trocadilho ridículo do título deste post, o objetivo deste texto é falar (mais) sobre Bottas.

Com os pontos deste domingo, o finlandês passa a ter, também, resultados que o colocam como o melhor estreante de 2013. Melhor que Esteban Gutiérrez, que acordou nesta segunda metade de ano, e que Giedo Van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi. Em termos de desempenho, já era o melhor deste grupo.

A corrida em Austin foi discreta, é verdade. Ele não apareceu muito. Ficou ali, quietinho, no meio do pelotão. No final da prova, ainda registrou a terceira volta mais rápida, 1min40s492, 0s6 mais lento que o tetracampeão Sebastian Vettel. E não é nem que ele tinha pneus bem mais novos àquela altura da disputa: ele marcou esse tempo 21 voltas depois de entrar nos boxes e colocar um jogo de compostos duros.

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Bottas deu azar de chegar à Williams em um ano horrível da equipe. Até este domingo, era o pior da história. Agora, está empatado com o de 2011, quando Rubens Barrichello e Maldonado somaram, juntos, cinco pontos.

Sem carro para almejar fazer qualquer coisa de muito destaque, resta analisar o desempenho de Bottas a partir de comparações com Maldonado. 11 a 7 em classificações, 8 a 10 em corridas, sendo que os melhores resultados em ambos pertencem ao finlandês: o terceiro lugar no grid do GP do Canadá, na chuva, e o oitavo lugar no GP dos Estados Unidos.

O venezuelano não é um piloto fora de série, mas é um piloto que já ganhou corrida, então merece respeito. Está fazendo um ano horrível em 2013, extremamente insatisfeito com o carro da Williams. Já chegou a dizer que o bólido “é um problema, e Bottas se adaptou melhor ao problema”. Pode até ser. O que não tira os méritos do novato.

O finlandês fez a melhor preparação possível para um piloto que deseja estrear na F1. Andou em 15 treinos livres de sexta-feira em 2012, sempre no lugar de Bruno Senna. O brasileiro sentiu muita falta dessas 15 sessões, que comprometeram bastante o seu desempenho, especialmente em classificações, mas isso não vem ao caso. Bottas é que aproveitou muito bem a chance. Conheceu os circuitos, o carro de F1, o motor Renault e o ambiente de trabalho da equipe. Chegou preparado.

Seu caso nos faz pensar, também, no papel da GP2. Deixou de correr na categoria e focou na F1, enquanto outros pilotos que passaram pelo certame de base estão tendo dificuldades ou nem estão conseguindo subir para a F1, não importa qual seja a razão. O campeão da GP2 em 2012, Davide Valsecchi, é reserva da Lotus, mas não foi colocado no carro em Austin para substituir Kimi Räikkönen. Fabio Leimer e Sam Bird, campeão e vice da GP2 neste ano, não estão sendo nem especulados em algum time para 2014.

Bottas não está na F1 só porque tem como empresário Toto Wolff, acionista da Williams e diretor-executivo até 2012. Está por causa disso e porque mostrou potencial quando recebeu a chance. E, por ter mostrado potencial, vai continuar na F1 em 2014, como companheiro de Felipe Massa.

Tende a crescer ainda mais com a parceria com o brasileiro. Eu acredito que a equipe vai melhorar no ano que vem, com o motor Mercedes e as mudanças internas que estão acontecendo, como a chegada de Pat Symonds. Além disso, Massa possui anos de experiência na mais tradicional escuderia da F1. Vai levar informações sobre como se trabalha em Maranello, como se analisa isso e aquilo, e, se der a volta por cima como piloto, vai levantar o nível do time, forçando Bottas a melhorar seu próprio nível.

A Finlândia é um país que sabe criar pilotos. Já saiu muita gente boa de lá, e Bottas é mais um. Não dá para dizer se vai atingir o nível de Kimi ou de Mika Häkkinen, mas é melhor que Heikki Kovalainen, e pode muito bem se tornar um vencedor no futuro.

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