O TAPETÃO DO AUTOMOBILISMO

SÃO PAULO | Nesta semana em que tanto estamos falando de tribunais e tapetões por causa do futebol, o automobilismo não deixou a desejar e também nos propiciou uma polêmica. O Brasileiro de Turismo vai parar na justiça desportiva — e possivelmente na comum —  devido à insatisfação de Marco Cozzi com as punições aplicadas pela CBA após a prova decisiva, em Interlagos.

Cozzi foi campeão na pista ao vencer em São Paulo e ver Felipe Fraga, que precisou parar nos boxes para trocar um pneu, terminar apenas em sétimo quando tinha de ser quinto. Foi para o alto do pódio e festejou o título, mas logo foi avisado que o resultado ainda poderia mudar. De fato, mudou. Gabriel Casagrande, outro que podia ser campeão, foi punido em 20s por atitude antidesportiva contra Cozzi; e JV Horto recebeu a mesma pena por uma irregularidade cometida na volta de apresentação.

Essas sanções alçaram Fraga à quinta posição e deram a ele a taça.

É estranho ver um piloto ser penalizado após a prova por uma irregularidade cometida antes da largada. Por que diabos demoraram tanto?

Há, ainda, um item do regulamento bem confuso que nos faz pensar bastante se a punição aplicada a Horto tem ou não relevância para o desfecho do campeonato.

No trecho do livro de regras que diz respeito à pontuação, é dito que um piloto só pode pontuar nas duas últimas provas se tiver participado de duas etapas entre as seis primeiras. Não atendendo a esse critério, é como se ele não estivesse na prova: os pontos passam para o piloto seguinte. No caso da corrida de domingo, Fraga, sexto, pontuaria como quinto. OK. O problema é que esse excerto se encontra dentro do item ‘Critérios de desempate’. Hein?

Com relação à punição que foi aplicada a Casagrande, achei justa. A disputa entre ele, Cozzi e Carreira foi bem ríspida, mas a impressão que tenho é que Gabriel poderia ter evitado o choque com o companheiro de equipe.

Dependendo de como o tribunal interpretar o tal ‘Critério de desempate’, acho difícil que Cozzi consiga reaver o título, a não ser que a punição aplicada a Casagrande seja revertida.

Mas Cozzi está determinado a brigar pela taça que considera ser sua por direito — e tem o direito de fazê-lo. Já recorreu à justiça desportiva e promete ir até a justiça comum.

De um jeito ou de outro, ficou feio ver o campeonato decidido na canetada depois da corrida.

No automobilismo, o ‘tapetão’ funciona em três instâncias: comissários, Comissão Disciplinar e Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Em Interlagos, os comissários indeferiram dois recursos da Carlos Alves, que agora vai à CD. Se for do desejo de uma das partes envolvidas, a batalha vai até o STJD.

E se você acha que a justiça no futebol é lenta, pasme: o título de 2010 da F3 Sul-Americana só foi resolvido a favor de Bruno Andrade em detrimento de Yann Cunha — declarado campeão no evento — um ano e meio depois. Estaremos sub-júdice até lá.

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