MEA CULPA

2014-f1-test-jerez-vettel-xavibonillaSÃO PAULO | Em meio a todas as perguntas que o péssimo desempenho da Red Bull em Jerez de la Frontera gerou, Adrian Newey veio ao público para admitir que a culpa não é só da Renault: a RBR também tem responsabilidade no fiasco andaluz. Os gênios também cometem erros.

Newey explicou que o RB10 teve dificuldades para refrigerar a unidade de força produzida pela Renault, como já se acreditava. Daí aquele buraco feito na lateral do carro no último dia de treinos, um ato emergencial para tentar dar ao time alguma quilometragem a mais. Não deu certo: foram somente 21 voltas em quatro dias de atividades. Não é nem metade de um GP.

Além disso, também não está sendo fácil acomodar todas as estruturas do novo propulsor dentro do carro. Como se sabe, as novas unidades de força são consideravelmente mais pesadas que os V8 aspirados que eram usados até o ano passado. Há, ainda, o ERS e suas baterias. O que compensa um pouco esse crescimento é o tanque de combustível menor, com capacidade para 100 kg.

As palavras de Newey à revista ‘Autosport’:

“É um problema que esperamos que possamos resolver até o Bahrein. Foi realmente falta de tempo. Era algo que poderíamos ter checado no dinamômetro se tivéssemos conseguido terminar tudo mais cedo. A Renault não ajudou com o uso deles do dinamômetro, nós não ajudamos fazendo as peças a tempo. Acho que se tivéssemos mais algumas semanas, isso tudo poderia ter sido feito de forma privada no dinamômetro, mas, infelizmente, foi feito em público.

Os motores Renault parecem ter uma grande exigência de resfriamento. Todas as três fabricantes de motores terão uma meta diferente do quão quente o fluxo de ar vai voltar para a câmara, e a Renault nos deu uma meta bem desafiadora, com todos os tipos de vantagens se conseguirmos chegar lá, mas não é fácil de alcançar isso.”

adrian-neweyDois pontos interessantes:

  1. A tal exigência de resfriamento desafiadora dos motores Renault. Ou seja, a Renault arriscou e, em cima disso, a Red Bull arriscou, tentando achar o limite para minimizar a perda aerodinâmica gerada pelas unidades de força. Em parte, isso está relacionado ao aumento das entradas de ar laterais. Outra mudança do regulamento obriga o escapamento a ter saída única na parte central da traseira do carro, e a traseira do RB10 é estreita.
  2. Faltou tempo, e aí começo a pensar: será que a Lotus pode se sair melhor por isso? (Aqui, não importa se a ausência nos treinamentos é explicada por razões técnicas ou financeiras). O time de Enstone ficou em casa e ganhou três semanas a mais para trabalhar no E22. Está fazendo dentro de quatro paredes o que as outras equipes parceiras da Renault fizeram aos olhos do mundo em Jerez.

Já se falou em rompimento das duas equipes da Red Bull com a Renault — Giancarlo Minardi levantou a bola. Não acredito que já estejam pensando nisso, mas é algo, sem dúvida, que será considerado no decorrer da temporada caso a Renault não solucione seus problemas — que envolvem principalmente a parte eletrônica. A F1 é assim, e várias parcerias de sucesso já acabaram do dia para a noite.

Quarta-feira começa a segunda bateria de treinos coletivos da F1 2014. A Red Bull vai tentar esconder algumas coisas, mas não vai ser fácil, e vamos ficar de olho no quão modificado o RB10 estará — prestem atenção nas entradas de ar laterais, acima da cabeça do piloto e na parte traseira do carro.

Anúncios

Comente este post

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s