LUCIANO DA INDY


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SÃO PAULO | Eu pensei em escrever um texto mais extenso aqui, mas não vai rolar. O que eu tenho de vida, Luciano do Valle teve mais que o dobro de carreira. Ele se tornou uma referência na narração esportiva e no jornalismo esportivo, e ver o trabalho dele me fez escolher por essa vida. Foram incontáveis as vezes em que, jogando videogame lá quando eu tinha oito, nove, dez anos, eu fazia um gol e, no meio da minha narração, soltava um “barrrbante”. Sim, eu escolhi ser jornalista porque, quando tinha meus oito anos, narrava jogos no Winning Eleven imitando Luciano do Valle, Galvão Bueno, Cleber Machado e Sílvio Luiz (e o José Silvério no rádio). Hoje é mais do que isso, mas começou assim.

Nos últimos tempos, Luciano não vinha sendo o narrador mais acertivo, mas nem de longe. Eu ficava puto a cada vez que ouvia um Rai Rãnter ou Brian Riscoe. Mas suas narrações e sua voz ficarão marcadas na minha memória. Vou deixar aqui no blog um áudio de quando eu nem era nascido e outro que me fez vibrar em 2013, ambos das 500 Milhas de Indianápolis. Emerson Fittipaldi foi quem fez o brasileiro se interessar pela Indy, e era Luciano do Valle que contava essas histórias.

E uma coisa que me deixa alegre neste momento é que eu pude assistir sua última narração de título na TV. Normalmente não assisto aos jogos na Band, mas assisti na semana passada. Uma escolha que poderia parecer insignificante, mas que foi mais do que feliz.

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SIMONA, A MELHOR PILOTA


2014-f1-sauber-simonaSÃO PAULO | Ninguém esperava pela notícia de que Simona de Silvestro se tornaria uma “pilota afiliada” da Sauber em 2014. Ninguém sabe direito, também, o que é uma “pilota afiliada”. Mas, o que deu para entender, é o objetivo que a suíça tem para o futuro da carreira: a F1.

Da leva de mulheres que competiu na Indy nos últimos tempos, começando por Sarah Fisher e passando por Danica Patrick, Bia Figueiredo, Pippa Mann e Katherine Legge, Simona é a melhor. Não venceu, mas fez ótimas apresentações andando por times pequenos, como a HVM, e médios, como a KV. Foram trabalhos excelentes, especialmente no ano passado.

A KV pode não ter sido constante, mas Simona se portou muito bem em algumas provas e inclusive foi ao pódio em Houston. Convenceu.

E Simona é muito mais discreta do que Danica, por exemplo. A suíça nunca foi tão midiática quanto a baixinha, e tem um jeito bem mais simples. Mas esse jeito bastou para que ela conquistasse o público, por isso, sua saída é uma perda enorme para a Indy. É uma fofa.

Procurando se reencontrar, a Indy tem tentado encontrar novas personalidades para construir histórias em cima e atrair um público maior nos EUA. Simona era uma dessas apostas.

Agora, ela vai para a Sauber fazer toda a preparação que é necessária para conquistar uma superlicença. Isso quer dizer que, em algum momento, ela deve testar o carro do time, além de participar das atividades nos simuladores e conhecer os bastidores de um time de F1.

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A pergunta que já estamos fazendo é: veremos Simona na F1 em um futuro próximo?

Braço, tem. Levando em conta os pilotos da Sauber, Esteban Gutiérrez e Adrian Sutil, e os reservas Sergey Sirotkin e Giedo van der Garde, dá para pensar tranquilamente em colocá-la como titular daqui a alguns meses.

Seria o fim de um hiato de mais de 20 anos sem uma mulher na F1. Só homens disputam a categoria desde 1992, quando Giovanna Amati tentou, sem sucesso, se classificar para os GPs da África do Sul, do México e do Brasil.

Para quem não sabe, Amati foi a quinta mulher a se aventurar na categoria. A primeira foi Maria Teresa de Filippis, em 1958, seguida por Lella Lombardi (1974-1975), Divina Galica (1976 e 1978) e Desiré Wilson (1980). A única delas que somou pontos foi Lombardi, no famigerado GP da Espanha de 1975, em Montjuïc. Recentemente, María de Villota e Susie Wolff participaram de testes com as equipes Marussia e Williams, respectivamente.

A F1 está curiosa para ver uma mulher no grid novamente, e essa é uma das melhores oportunidades que a categoria tem para isso.

A INDY 2014 NO ANHEMBI E NA TV


(Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

SÃO PAULO – Como muita gente já deve saber, a Indy não terá etapa no Brasil em 2014. O calendário divulgado na semana passada confirmou o cancelamento da São Paulo Indy 300, uma perda importante para a categoria, que ficará restrita aos Estados Unidos e só sairá de lá para a rodada dupla de Toronto.

Mark Miles e cia. tentam encontrar uma alternativa para continuar por aqui, pois considera o mercado brasileiro muito importante — e é mesmo; a audiência das corridas na TV daqui chega a ser maior do que nos EUA.

A Bandeirantes, que era quem organizava a SP Indy 300, continua em silêncio sobre a ausência da prova no calendário. E não apenas publicamente.

A SPTuris, responsável pelo complexo do Anhembi, foi procurada por este repórter a respeito do cancelamento da SP Indy 300, e afirmou o seguinte: “Também estamos na espera pela resposta da Band.”

Igualmente procurado, o Grupo Bandeirantes não respondeu.

Existem também dúvidas acerca das transmissões da categoria no ano que vem. Teo José encerrou a exibição das 500 Milhas de Fontana já convidando para o GP de São Petersburgo, em 30 de março de 2014. E, até onde sei, a emissora tem contrato. Mas…

Carlo Gancia, que negocia os direitos no Brasil, disse que “a bandeirada final ainda não foi dada”.

“Há ainda algumas voltas a percorrer. A corrida continua e estamos trabalhando”, completou.

Se existe contrato e não existe certeza, é que tem um fundo de verdade nos rumores todos. E, contrato por contrato, a SP Indy 300 estava garantida até 2019.

Caso saia da Band, e aqui já é especulação, imaginação, e não informação, penso que a alternativa na TV aberta é a RedeTV. A Record e o SBT tem seus programas de auditório bem encaixados nas tardes de domingo. A RedeTV é que tem esse espaço na grade. Na TV fechada, a ESPN me parece ser um caminho mais natural, pela relação com a categoria nos EUA. Mas aí teria que haver uma mudança na ligação do canal brasileiro com o automobilismo.

Franchitti no “Hair of Fame”


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SÃO PAULO | 20h55 | Essa é mais uma para a série notícias inusitadas: Dario Franchitti foi colocado no “Hair of Fame” da revista Esquire.

Quem comentou o visual do escocês foi o cabelereiro Paul Labrecque: “Você tem que ser muito cuidadoso com esse corte porque ele apenas funciona com caras que têm um cabelo mais grosso, algo entre o ondulado e o encaracolado. Tente com um cabelo liso e você vai parar no meio do território de Joe Dirt [clique aqui se você não sabe quem ele é].”

Tá bom né. A propósito, Franchitti corre com um carro nas cores da marca ‘Suave Men’ em Detroit, de produtos de beleza.

(Esse post é dedicado aos amigos Evelyn Guimarães e Rodrigo Berton, e não é porque o Berton é careca).

A festa de Kanaan


SÃO PAULO | 23h25 | Eu queria escrever mais, só que está tarde e agora não vai rolar. Os posts todos que quero fazer e o podcast do GP de Mônaco vão ficar para a segunda e a terça-feira. A vitória do Tony Kanaan, hoje, foi sensacional e muito merecida.

Pena que a TV não mostrou a festa, o pódio, a garrafa de leite, para passar um sem importância Ponte Preta x São Paulo. Mas, para todos que querem ver como foram os minutos seguintes à bandeira quadriculada e a festa do Tony, basta adiantar para 20 minutos do vídeo abaixo. É sensacional. Os caras realmente sabem como fazer um grande evento.

E, no finalzinho, ainda tem o Ryan Hunter-Reay indo cumprimentar Kanaan, Vasser, Lauren, Kalkhoven. Um exemplo de desportividade e do ambiente tranquilo e de camaradagem que reina no automobilismo norte-americano.

A primeira panca do mês


SÃO PAULO | 22h19 | Conor Daly foi o primeiro piloto a beijar o muro em Indianápolis neste mês de maio. O novato perdeu o controle na Curva 1 e bateu muito forte. Achei esquisita a escapada, foi bem no final da tangência. Parece que a causa da batida foi o vento, que estava forte naquela hora. Felizmente, escapou bem o norte-americano de 22 anos.

Em situação oposta à de Daly está outro novato: Carlos Muñoz. Andando pela que hoje é a melhor equipe da Indy, a Andretti, o colombiano liderou dois dos seis dias de treinos e é o dono da volta mais rápida da semana. Se forem apostar em alguém para ficar com a pole-position, apostem em um dos cinco pilotos da Andretti.

Um pouco sobre a Indy


(Foto: Felipe Tesser, o Castrinho)

(Foto: Felipe Tesser, o Castrinho)

SÃO PAULO | 18h11 | Passei a última semana enfurnado na sala de imprensa do Anhembi trabalhando na cobertura da SP Indy 300. Uma corrida sensacional, que dificilmente esquecerei (esqueceremos, caso você, leitor, também tenha assistido a essa corrida). A chegada foi simplesmente sensacional, encerrou em grande estilo uma corrida que foi bastante movimentada e mostrou bem o que é a categoria: cheia de variáveis que permitem até mesmo o último colocado no grid ter chance de brigar pela vitória, como foi o caso de Josef Newgarden.

Esse começo de ano está mudando o meu pensamento sobre a Indy e, possivelmente, o de muita gente também. Os últimos anos fizeram todos pensarem que a Indy é uma várzea – de fato, é – total. Porém, ela está se ajeitando, continua agradável e vai passando por menos problemas. Ao que parece, os atritos políticos estão diminuindo e a atenção pode ficar mais voltada para as corridas mesmo. As desse ano foram um tanto agitadas.

Eu já gostava e acompanhava, desde pequeno, sempre gostei, mas por que digo que estou começando a ver a categoria de uma maneira diferente? Nesse ano, trabalhei pela primeira vez na cobertura de uma prova da Indy, lá em São Petersburgo, nos EUA. Pela segunda, aqui em São Paulo. (Coincidentemente, as duas vitórias de James Hinchcliffe, ou seja, da próxima vez que eu viajar para uma etapa, ele vai ganhar).

Talvez essa proximidade maior tenha influência no modo como estou vendo a Indy, até por que penso que é vendo uma categoria fora da sua zona de conforto, acompanhando uma corrida fora de sua terra dá uma noção diferente da coisa. Sim, isso tem influência. Só que não é só isso. Como disse, esse início de temporada está bem legal.

Penske e Ganassi, as bambambans dos últimos anos, estão com dificuldades. Helio Castroneves é o terceiro no campeonato, porém, enfrentou dificuldades em duas das quatro provas. A Andretti cresceu e cresceu demais, é a potência do momento, e equipes menores, como a Foyt, estão obtendo destaque: o japonês Takuma Sato venceu pela primeira vez e é o líder do campeonato. Sejamos honestos: um dia pensamos que Sato seria líder da Indy no mês das 500 Milhas de Indianápolis? Vamos passar o mês falando dele.

Como a suprema Evelyn Guimarães e eu mencionamos no Conta-giro desta semana no GRANDE PRÊMIO, uma das coisas legais da Indy é permitir que times menores alcancem grandes feitos.

Também estamos vendo novos nomes surgirem na batalha pelas primeiras posições. James Hinchcliffe é um. Simona de Silvestro, Tristan Vautier, Charlie Kimball, Josef Newgarden e Simon Pagenaud são outros exemplos de pilotos que, não fique surpreso, podem acabar subindo ao pódio ou até mesmo ganhando alguma coisa neste ano. Os “velhos” estão começando a passar o bastão para essa nova geração.

Além disso, a Indy está rendendo boas histórias. A F1 está coxinha demais, com tudo muito engessado, ao passo que, bem no jeitão norte-americano, a Indy é aberta, permite a aproximação do público e a amizade entre os pilotos. Mecânicos de uma equipe entram numa boa na garagem de outra. Os pilotos são vistos conversando numa boa por aí.

Falta muito para a Indy voltar a ser grande como foi nos anos 1990. Só que ela está se ajeitando, a nova direção da categoria parece que vai dar conta do recado e, como definiu o amigo Hugo Becker, que está mais empolgado que eu com esse início de ano, está no caminho certo. Que venha a Indy 500.

No Anhembi


ANHEMBI | 9h40 | Estou desde ontem aqui no Anhembi para fazer a cobertura da SP Indy 300 para o GRANDE PRÊMIO. As coisas ainda estão um tanto paradas por aqui. Ontem, deram as caras apenas os mecânicos, que preparavam as estruturas das equipes no Pavilhão e  alguns pilotos, entre eles, os brasileiros, Helio Castroneves, Tony Kanaan e Bia Figueiredo.

Atividades de pista, só amanhã, a partir das 8h30, com o primeiro treino livre. Hoje é dia de mais coletivas e outras coisas por aqui.

Foto: Rodrigo Berton

Foto: Rodrigo Berton

Fica a dúvida, no momento, sobre a participação de Tony Kanaan na corrida, devido à lesão na mão direita. Ele vai fazer um molde do volante para não movimentar o polegar, mas, a noção real da dor, só mesmo quando entrar na pista. E, para piorar, os carros da Indy não têm direção hidráulica, ou seja, é preciso fazer um esforço grande. Vamos ver o que acontece.

Se Kanaan não puder pilotar, ainda não há um substituto definido, mas ele tem uma preferência: Rubens Barrichello. A troca pode acontecer a qualquer momento do fim de semana, desde que o suplente tenha uma licença válida para correr na Indy.

A cobertura completa da Indy está aqui.

Castroneves e Parnelli Jones


SÃO PAULO, 10h47 – Legal esse vídeo divulgado pela Indy com o piloto brasileiro Helio Castroneves dentro do carro que Parnelli Jones usou para conquistar sua única vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, em 1963. Impressionante como o tempo passa e esses carros mudam demais. O automobilismo era completamente diferente na década de 1960.

A média de velocidade registrada por Parnelli Jones naquela corrida foi de 230,357 km/h. Ele liderou 167 das 200 voltas. A pole-position foi garantida com uma média de 243,257 km/h. Se a gente for comparar esses números com os de 2009, ano da terceira vitória de Castroneves no Brickyard, a média da corrida nem muda tanto: 240 km/h. Mas pole-position conquistada pelo brasileiro, essa sim, foi incrivelmente mais rápida: 362 km/h.