ENGATOU A SEGUNDA


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SÃO PAULO – A segunda etapa do Mundial de Endurance de 2014 viu a Toyota disparar na liderança do campeonato com mais uma vitória maiúscula. Dessa vez com pista seca, a montadora japonesa triunfou novamente com o trio Anthony Davidson, Sébastien Buemi e Nicolas Lapierre com enorme vantagem para os segundos colocados, Lucas Di Grassi, Tom Kristensen e Loïc Duval, da Audi.

A vida ficou mais fácil graças aos problemas de confiabilidade da Porsche. O 919 é um bom carro e tem potencial para ganhar corridas, mas a confiabilidade ainda precisa ser aprimorada. O povo de Stuttgart ainda está descobrindo aquelas coisas que só se descobre nas corridas. Hoje, Romain Dumas teve de se virar dentro do carro para ouvir o engenheiro e fazer ajustes no painel para resolver um problema elétrico. O francês lutava pela vitória, mas perdeu tempo de mais, levou uma volta do líder e caiu para quarto.

Enquanto isso, a Audi segue sofrendo com o balanço de performance estipulado pela FIA, que prioriza as classes mais altas de híbridos (Toyota e Porsche estão na de 6 MJ por volta, Audi na de 2 MJ). No início da disputa, seus três carros não tinham vida fácil para acompanhar Toyota e Porsche. Lucas Di Grassi mandou muito bem em seu stint e conseguiu levar o R18 e-tron quattro à segunda posição. Aí, no final, o Loïc Duval deu conta de segurar o Stéphane Sarrazin e evitou a dobradinha nipônica.

Há muito trabalho a ser feito para as 24 Horas de Le Mans, que acontecem em 15 e 16 de junho. E, hoje, quem pinta como favorita é a Toyota. Ano passado, foram ao pódio na segunda posição. Em 2014, terão a chance de quebrar a sequência de vitórias da Audi.

É legal ver essa mudança no status-quo da LMP1. A Audi é fodona, mostrou isso com o bicampeonato, mas se dominasse esse campeonato poderia acabar desencorajando a entrada de mais fábricas no Mundial, o que seria bem ruim para o futuro da categoria.

O relato das 6 Horas de Spa-Francorchamps vocês podem ler no GRANDE PRÊMIO. E agora começa aquela longa espera por Le Mans. Faltam 43 dias.

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DÍGITOS DUPLOS NA LMP1 EM LE MANS


SÃO PAULO | Três anos depois, o Mundial de Endurance vai apresentando resultados bem satisfatórios. Dez protótipos LMP1 vão disputar as 24 Horas de Le Mans em 2013, um bom número, levando em conta que sete desses protótipos serão híbridos — três Audi, dois Toyota e dois Porsche. Somam-se a eles os dois carros da Rebellion e mais um da Lotus. Destes, nove estão confirmados para toda a temporada do WEC.

Achei interessante a declaração de Jean Todt, hoje, na apresentação das listas do WEC e de Le Mans, analisando esse período:

“Quando a FIA e o ACO se juntaram quatro anos atrás para formular o conceito do Mundial de Endurance, deixamos claro nossa intenção de devolver ao endurance a proeminência e a popularidade que  já teve no passado. Seu prestígio foi fundamentado em sua capacidade de gerar corridas empolgantes e heróicas em nível internacional em um ambiente que permite fascinantes invenções tecnológicas. Portanto, orgulha-me muito que nós nos aproximamos do início da terceira temporada do WEC e eu posso dizer com certeza que estamos cumprindo todas essas metas.”

Para mim, o grande êxito do primeiro mandato de Todt foi exatamente a recriação do Mundial de Endurance, que não existia há duas décadas — até porque, no que diz respeito à F1, o francês não tem conseguido conduzir muito bem as coisas, mas isso é conversa para outra hora.

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Mas prova de que o WEC está dando certo é que já levantou outros campeonatos e corridas de endurance ao redor do mundo — vide a United SportsCar nos Estados Unidos, que nasce forte ao ponto de representar alguma concorrência ao certame da FIA. Num contexto um pouco diferente, totalmente destinado aos GTs, o Blaincpain está bem demais.

Os 31 carros certos para o campeonato todo de 2014 indicam estabilidade, com o aditivo de que a LMP1 cresceu. É a classe principal: o público mais leigo que começa a acompanhar a modalidade precisa ver disputas boas entre os carros mais rápidos, aqueles que andam nas primeiras posições e quebram os recordes de velocidade.

No início, Audi e Toyota protagonizaram uma boa briga. Em 2013, é verdade que os alemães destroçaram os japoneses, mas ao menos a briga interna pelo título foi agitada. E agora tem a Porsche, que é irmã da Audi, mas não chega para ser figurante.

Protótipos que contam com as últimas tecnologias da indústria automotiva encarando os maiores desafios do esporte a motor na atualidade e conduzidos por excelentes pilotos: Tom Kristensen, Lucas Di Grassi, Loïc Duval, André Lotterer, Benoît Tréluyer, Alexander Wurz, Anthony Davidson, Sébastien Buemi, Mark Webber, Timo Bernhard…

Há, ainda, o plano da Ferrari para entrar no Mundial. Não sei em que pé está a ideia, e até acho que estão demorando para definir, mas sei que, de fato, os italianos cogitaram desenhar um protótipo para voltar a brigar por vitórias nas 24 Horas de Le Mans — ganhar entre os GTs é muito difícil e a briga muitas vezes é ais intensa, mas os louros todos vão mesmo para quem leva no geral.

Pena que a Peugeot desistiu, porque os franceses trabalharam muito bem na década passada.

O Mundial não é só LMP1, mas é a LMP1 que vai puxar o resto. E, nas outras divisões, há também projetos interessantes e atraentes, como o da Alpine, que está de volta ao esporte. Aston Martin, Porsche e Ferrari vem brigando ferrenhamente nas classes de GT, e, nas 24 Horas de Le Mans, a Corvette ainda terá seu time de fábrica.

2014-lemans-noveaulogoEssa edição das 24 Horas de Le Mans está prometendo bastante. O ACO até lançou um novo logo, com linhas mais arrojadas, dizendo que, em 2013, o passado foi celebrado no 90º aniversário da corrida, agora é hora de pensar no futuro. E o futuro é animador no endurance.

MAIS DAS 24 HORAS DE LE MANS

Bruno Senna: Ainda não anunciou o que vai fazer da vida, mas foi colocado como capitão de um dos carros da Aston Martin na GTE Pro.

Fabien Barthez: É, ele mesmo, goleiro da França nas copas de 1998, 2002 e 2006. Já tinha falado dele aqui no blog quando ele venceu o campeonato francês de GT. Pois é, está de volta, agora para correr em Sarthe.

Sébastien Loeb: Sua equipe está inscrita na LMP2, e René Rast foi indicado como capitão.

Stefan Johansson: Sim, ele mesmo, sueco que correu na McLaren em 1987 e mudou para a Ferrari no ano seguinte. Tem 57 anos e, além de Le Mans, vai competir nas outras sete rodadas do WEC. Mas, não, não é o piloto mais velho a disputar as 24 Horas: ano passado, Jack Gerber estabeleceu um novo recorde ao participar do evento aos 68 anos.

Copa do Mundo: Tô nem aí pra ela até o dia 15 de junho.

Em tempo, aqui está a lista completa com os 56 inscritos.

Missa em memória a Christian ‘Bino’ Heins


SÃO PAULO | 14h10 | A quem interessar/puder, fica o recado (dica do Paulo Roberto Peralta): neste sábado, em São Paulo, será realizada uma missa em homenagem ao piloto Christian ‘Bino’ Heins. Em 15 de junho de 1963, há 50 anos, Heins morreu em um grave acidente durante a disputa das 24 Horas de Le Mans.

A cerimônia, que preparada por Ornella Heins, irmã de Bino, e pelo ex-piloto Chiquinho Lameirão, terá início às 15h, horário da morte do piloto. Será na Igreja São José, localizada na Rua Dinamarca, 32, esquina com a Rua Áustria, no Jardim Europa.

165 pilotos confirmados para as 24 Horas de Le Mans


SÃO PAULO | 18h22 | O Autómovel Clube do Oeste divulgou, nesta terça-feira, a lista completa de inscritos para as 24 Horas de Le Mans, que vão acontecer entre 22 e 23 de junho. Essa lista contém 165 nomes, sendo que o máximo é de 168. Falta a AF Corse anunciar o companheiro de Gianmaria Bruni e Giancarlo Fisichella e a GreenGT dizer quem são os pilotos que vão acompanhar Christian Pescatori no projeto experimental da prova deste ano.

Clique aqui para conferir a lista completa.

Se você der um ‘Ctrl + F’ e procurar por ‘BRA’, só vai encontrar um piloto brasileiro: Bruno Senna, que vai dividir o #98 da Aston Martin com Rob Bell e Frédéric Makowiecki. É que Lucas Di Grassi apareceu como italiano no arquivo divulgado pela FIA (ainda não sei o motivo disso).

Todos os vencedores da edição do ano passado retornarão a Sarthe, juntos ou separados. Juntos estarão o trio da Audi, André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer (LMP1). Os atuais campeões da LMP2 estão todos separados, já que a equipe Starworks retirou a inscrição: Tom Kimber-Smith anda de Zytek-Nissan, e Enzo Potolicchio e Ryan Dalziel estarão de Ferrari e Viper, respectivamente, na GTE Pro. Fisichella e Bruni (GTE Pro) perderam Tony Villander para o outro carro da mesma equipe, Kamui Kobayashi e Olivier Beretta. Finalmente, na GTE Am, o trio da Larbre terá Julien Canal, Patrick Bornhauser e Ricky Taylor, em vez de Pedro Lamy (que integrou o conjunto em 2012 e agora pilota para a Aston Martin) ou mesmo Fernando Rees, que disputa o restante da temporada do Mundial de Endurance.

Destaque para Christophe Bouchut, inscrito pela Lotus na LMP2. Essa será a 20ª participação do francês, que estreou com vitória em 1993, correndo pela Peugeot.

Alexander Wurz, Allan McNish, Marc Gené, Sébastien Buemi, Kazuki Nakajima, Anthony Davidson, Nick Heidfeld, Bruni, Fisichella, Karun Chandhok, Kamui Kobayashi e Pedro Lamy, além dos brasileiros, são os ex-pilotos de F1 com lugar garantido (se eu não deixei nenhum passar batido).

Toyota: forte como nunca


A Toyota acertou a mão no TS-030

A Toyota chega a sua segunda corrida no WEC mais próxima da vitória do que esteve em seus oito anos na F1. É bem verdade que uma comparação entre a F1 da década passada, com várias montadoras envolvidas, e o Mundial de Endurance, que só tem Toyota e Audi, basicamente, ajuda a deixar o cenário atual melhor para a Toyota. Mas o paralelo é válido, e a estreia em Le Mans, apesar dos abandonos, serviu para dar tranquilidade aos japoneses.

Não se sabia se os protótipos da Toyota andariam no mesmo nível dos da Audi, nem se aguentariam a corrida inteira. Não aguentaram, é verdade, mas andaram muito bem as primeiras horas, e isso vai contar daqui em diante no Mundial de Endurance, visto que todas as cinco corridas que restam têm 6h de duração.

Em Le Mans, os dois carros da Toyota chegaram a ameaçar a liderança da Audi. O ritmo era impressionante. Um dos pilotos da montadora alemã, Allan McNish admitiu, em entrevista à ‘Autosport’, que percebeu, no meio da corrida, que o desempenho dos japoneses era mesmo bom.

“Nós sabíamos que eles eram rápidos, mas foi uma surpresa quando percebi que eles ainda tinham um bom ritmo com quatro, cinco, seis horas de corrida. Se eles tivessem um carro confiável, brigariam conosco até o fim”, disse o escocês.

Em Silverstone, será a Toyota capaz de fazer frente à Audi, assim como fez em Le Mans?

Desde a prova ‘sarthiana’, dois meses se passaram. Para a Audi, “um longo tempo”. Para a Toyota, “tempo para digerir Le Mans, entender onde eles podem melhorar e trazer pequenos detalhes, como um pacote aerodinâmico que se adapta melhor aos circuitos que temos pela frente”, declarou McNish. Neste intervalo, a montadora japonesa trabalhou no TS-030 e corrigiu os problemas observados em Le Mans para a maratona de cinco provas em nove semanas que tem pela frente.

Tanto Audi quanto Toyota cortaram suas operações pela metade após Le Mans. Os alemães andaram com quatro carros nas primeiras provas, e vão com dois daqui em diante. A Toyota teve dois em Le Mans, e vai com apenas um até o fim do campeonato. Este carro da Toyota será guiado por Alexander Wurz, Nicolas Lapierre e Kazuki Nakajima.

Wurz exaltou os resultados registrados após um treino realizado em Motorland, na Espanha, na semana passada. “Foi um teste encorajador que nos deu muitos dados sobre o pacote aerodinâmico revisado. Usamos esses dados, mais as experiências que adquirimos no simulador, para nos preparar para Silverstone”, comentou o austríaco. “Mas não há nada que substitua tempo de pista, então temos que aproveitar ao máximo as sessões de treino. Vamos enfrentar rivais duros, mas vamos continuar forçando para, quem sabe, estar no pódio”.

Em Le Mans, Nakajima jogou fora as chances de vitória quando bateu no Delta Wing em uma relargada. Todavia, a Toyota deixaria a disputa pouco depois, com um problema no motor

Outro ponto positivo que McNish apontou no TS-030 é uma superioridade em curvas de baixa velocidade, que vão prevalecer daqui em diante. Em Silverstone, nem tanto, é uma pista de alta velocidade e tem mais curvas de alta velocidade do que de baixa. Mas aí vem as 6 Horas de São Paulo, e aí sim essa vantagem mencionada pelo escocês pode fazer a diferença.

De certa forma, o circuito de Interlagos é bobo. São muitas curvas de baixa velocidade e duas longas retas. Será que é aqui no Brasil que a Toyota terá sua grande chance?

E com sete carros e duas montadoras na LMP1, a divisão principal, é inegável que o caminho para que se chegue, ao menos, no pódio nas próximas corridas não é complicado. É uma questão apenas de se fazer tudo certo.

A Toyota começou bem no endurance, agora precisa dar continuidade

Para encerrar, McNish ainda falou que a Toyota, “definitivamente”, pode se tornar uma rival tão grande para a Audi quanto foi a Peugeot nos últimos anos, antes de os franceses abandonarem o programa do endurance. “Certamente, depois de Le Mans, eles ganharam muito respeito. Eles só vão melhorar, e nós temos que melhorar para ficar a frente deles. É disso que eu mais gostava quando a Peugeot estava envolvida”, relembrou. Naquele tempo, porém, a Audi mais correu atrás do que o contrário, mas não deixa de fazer sentido a opinião de McNish.

Com o investimento alto – o dinheiro vindo lá do Japão não falta – e tranquilidade, a vitória virá. A corrida deste fim de semana – cuja largada será às 8h – vai servir para nos dizer quanto realmente falta para a Toyota vencer. Mas já não dá para descartá-la da disputa pela vitória em Silverstone.