A exagerada punição de Pérez no GP de Abu Dhabi


Certamente, investiga-se mais na F1 do que na polícia de São Paulo em meio à onda de violência que a cidade vive. Os comissários investigam qualquer coisa que acontece na pista ou fora dela. Neste fim de semana, em Abu Dhabi, mais uma vez isso aconteceu, e foi surpreendente como alguns incidentes não renderam punições, enquanto outros, resultaram em punições exageradas.

Não vou nem comentar de novo o que aconteceu com Sebastian Vettel, no sábado. Punição correta seguindo uma regra injusta, uma decisão que levou quase cinco horas para sair. Aqui tem o post sobre.

Logo no começo da corrida, Vettel tentou passar Romain Grosjean e passou por cima daquela faixa azul. Devolveu a posição depois, com medo de ser punido de novo por Derek Warwick, que também era o comissário no GP da Alemanha. Para mim, Vettel foi tão culpado quanto na prova de Hockenheim. Usou uma parte externa à pista para fazer a manobra. O problema é justamente a pista e aquela parte ali. Não é algo que muda nada, se usada. É mais uma dessas coisas modernas e desnecessárias.

Eu fiquei surpreso quando o incidente entre Pastor Maldonado e Mark Webber terminou com um ‘no further action’. Como deveria terminar. Não é porque Webber arriscou uma ultrapassagem que o venezuelano tinha que abrir caminho e facilitar. Ele queria defender sua posição. Tinha um problema no Kers e sabia que qualquer volta a mais ali poderia fazer a diferença. O toque, roda com roda, foi de corrida.

Depois, lá foi Webber, empolgado que estava, para cima de Felipe Massa. De novo, por fora, no mesmo ponto. Os dois se tocaram na entrada da curva, Webber espalhou, Massa continuou no traçado. Aí a Red Bull voltou para a pista e o brasileiro, no susto, rodou. Reclamou, pediu punição, mas não foi nada demais. E os comissários não puniram o australiano, apesar da reincidência! Fiquei surpreso.

Mas aí vem o terceiro momento mais controverso da corrida. O acidente de Sergio Pérez, Grosjean e (de novo ele!) Webber. Antes de falar o que mais me desagrada no julgamento dos comissários, só quero fazer um comentário rápido sobre o lance em si.

Pérez espalhou e voltou rapidamente para a pista, é verdade. Mas estava correndo o risco de perder duas posições e tinha velocidade, não estava bem mais lento do que os carros que vinham atrás. Pois bem. Voltou para a pista, à frente de Grosjean, que tocou com a asa dianteira na lateral do carro de Pérez. Com a asa dianteira na lateral do carro de Pérez. O francês estava forçando para tentar uma ultrapassagem, estava freando fora do seu traçado para tentar se dar bem. Ninguém foi inocente no lance.

Agora vem o que me desagrada. O mexicano recebeu um stop-and-go penalty de 10s. A punição mais grave que pode ser aplicada durante uma corrida. Por causa da gravidade do que fez? Não. Porque os comissários se deixaram levar pelo calor do momento e pela imagem do acidente, no qual Mark Webber também acabou envolvido. Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn disse que a FIA é complicada nessas situações, mas que é preciso aceitar e bola pra frente.

Se Webber não acaba coletado pelo duelo franco-mexicano, eu duvido – duvido – que um stop-and-go seria aplicado. Se o desfecho do acidente é espetacular, a punição vem. Também lá em Abu Dhabi, os comissários ficaram um bom tempo investigando o que aconteceu entre Nico Rosberg e Narain Karthikeyan. O carro de um quebrou, o que veio atrás não conseguiu desviar e bateu. Foi isso. Não é porque mais de dois pilotos se envolveram no acidente que o erro, necessariamente, foi mais grave e merece uma pena maior. Nem porque o acidente assustou. Já pensaram o que aconteceria se a Indy decidisse agir assim também?

A inconstância nas decisões dos comissários é uma constante. Critérios diferentes são utilizados de acordo com o pensamento dos cidadãos que estão na salinha naquele fim de semana. Não é porque o acidente impressionou que alguém deve ser punido. Não é porque vários foram envolvidos. Em uma F1 tão legal, com corridas tão surpreendentes, como essa de Abu Dhabi, os comissários têm roubado demais a cena. Parecem até os árbitros do Campeonato Brasileiro. As estrelas devem ser pilotos e equipes, não os comissários. Mas eles estão se esforçando.

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A regra injusta


Sebastian Vettel foi punido merecidamente pelo erro infantil da Red Bull na classificação em Abu Dhabi. Faltou combustível no carro do alemão. Os comissários conseguiram retirar apenas 850 ml do tanque do RB8 do alemão – o regulamento determina que um mínimo de 1 L esteja no tanque. Segundo a Red Bull, havia 1 L no carro, não no tanque. A Renault acabou avisando alguns segundos tarde demais.

Aliás, os comissários compreenderam que Vettel parou na pista por um problema de força maior, o que o isentaria de uma punição, não fosse a falta de combustível constatada posteriormente.

Mas o fato de a punição ter sido merecida não significa que ela tenha sido justa. A regra é clara e foi cumprida. Concordo também que exista tal regra no regulamento. Não concordo que o piloto precise ser submetido a tamanha penalização, como aconteceu com Vettel nos Emirados Árabes e com Lewis Hamilton no GP da Espanha.

É mesmo necessário que o piloto que parar na pista perca todos os tempos estabelecidos no treino classificatório? Não. Vettel parar na pista depois do fim do Q3 não mudou nada na vida de Nico Hülkenberg, que foi o 11º colocado no Q2. Não mudou nada na vida de ninguém que foi eliminado antes do Q3. Mas todos ganharam uma posição com o equívoco da RBR.

Vettel pagou muito mais caro do que deveria pagar, assim como Hamilton, na Espanha. Essa regra deveria ser modificada. O mais correto seria o alemão largar na décima colocação em Abu Dhabi.

Ah, antes que eu esqueça, os comissários só podem estar de brincadeira. Assistiram ao show do Nickelback, saíram para jantar, passaram na festinha da Williams e só depois decidiram o que fazer com o Tião. O MEC desclassificou gente do ENEM antes do Vettel ser desclassificado lá na Marina de Yas. Foram cinco horas até que a decisão saísse. É incompetência demais demorar tanto tempo. Pelamordedeus. A FIA precisa rever isso. Além de muitas das punições serem contestáveis, agora elas demoram horas para serem definidas.