NOSTALGIA PURA


SÃO PAULO | Esse patrocínio da Martini vai fazer muita gente debruçar os olhos sobre a Williams em 2014 e se lembrar do passado. E eles mesmos vão tentar provocar essas lembranças. Começaram hoje, com essa foto de Felipe Massa envolvido por uma coroa de louros. Eu ia fazer a colagem, mas o Bruno Mantovani postou antes no Facebook e então aproveitei para roubar.

massa-pace-williams-martiniA Martini patrocinava a Brabham quando José Carlos Pace venceu o GP do Brasil de 1975 — sua primeira e única vitória na F1. E seria daquelas histórias de emocionar a todos se, em novembro, Massa subisse no pódio em Interlagos e recebesse uma coroa de louros do tipo.

Essa parceria não poderia vir em melhor hora: justo quando a Williams renasceu. Reestruturou-se, conseguiu levantar um bom orçamento, assinou com bons pilotos e, acima de tudo, fez um bom carro. É, de longe, o mais bonito desse grid — a Mercedes pode até ter feito um desenho mais bonito, mas o conjunto da obra do FW36 superou.

Vai ser legal demais ver a Williams andando na frente de novo na F1. Frank merece.

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Fittipaldi, Fittipaldi e Williams


SÃO PAULO – Essa é um das fotos mais legais do fim de semana do GP do Brasil, em Interlagos. Quem tirou foi o Fernando ‘Guerreiro’ Silva, editor do GRANDE PRÊMIO, que postou no Instagram dele. Emerson Fittipaldi foi apresentar seu neto, Pietro, para Sir Frank Williams. Sir Frank ficou feliz, sorriu e deu um beijo no menino, que tinha um brilho no olhar, sabendo da importância do homem a quem estava sendo apresentado.

Quem é Toto Wolff?


Toto Wolff assumiu, nesta semana, a direção-executiva da Williams. Tentará preencher uma lacuna existente desde a saída de Adam Parr, e auxiliará Frank Williams em suas funções como chefe de equipe. O anúncio encerrou de vez o boato de que Damon Hill poderia assumir algum posto na equipe de Grove. Mas uma pergunta que muita gente pode ter feito é “quem é Toto Wolff?”

Torger Christian Wolff é um investidor austríaco de 40 anos que atua na área de tecnologia, mas que tem o automobilismo como hobbie. O típico gentleman driver. Disputou algumas provas nas últimas duas décadas, incluindo o FIA GT, onde chegou a formar dupla com o compatriota Karl Wendlinger. Sua principal conquista como piloto foram as 24 Horas de Dubai de 2006. Se bem que o fato de possuir a volta recorde do Nordschleife, na casa de 7min03s com um Porsche 997 RSR pode até ser considerado mais importante do que a essa vitória no Oriente Médio.

Mas não é como piloto que ele se deu bem na vida, obviamente. Nos últimos anos, Wolff decidiu que, como investidor, queria aplicar seu dinheiro na indústria e no automobilismo, e passou a atuar na área de uma maneira mais importante do que simplesmente como um gentleman driver. Comprou parte da HWA, braço da Mercedes que opera duas equipes no DTM. Especula-se que Wolff seja dono de metade, ou até mais, porém, isso não foi divulgado.

Quando, em 2007, ele entrou na HWA, surgiram rumores de que ele gostaria de levar o time até a F1, como uma segunda equipe da Mercedes – a primeira era a McLaren. Isso não se confirmou, e o time segue firme no Campeonato Alemão de Turismo. Wolff ainda está envolvido com a BRR Rallye Racing, empresa que fabrica e comercializa peças para carros de rali na Europa e, ainda mais importante, com o Aces Management Group, que fundou junto de Mika Häkkinen e Didier Coton para gerenciar jovens pilotos. Mas isso é assunto para logo mais.

Senna e Bottas já disputam uma vaga na Williams para 2013, e a decisão dependerá de Wolff

No mesmo ano, também se especulou que Wolff e a HWA estariam por trás de uma possível compra da Toro Rosso, já que Dietrich Mateschitz estaria disposto a vender a equipe baseada em Faenza.

Não foi com HWA e nem com a Toro Rosso, contudo, que Wolff chegou à F1. Em 2009, foi anunciado que o austríaco havia comprado parte da Williams. 16%, ao passo que o restante seguiria dividido entre Patrick Head e Frank Williams. O engenheiro se aposentou das corridas no ano passado, mas o chefe do time segue lá.

A influência de Wolff foi crescendo dentro da Williams, principalmente em 2012 e ainda mais agora, com o anúncio de que ele auxiliará Sir Frank no comando do time. Os dois pilotos reservas da equipe foram indicados por ele. Susie Stoddart (agora Wolff), pilota da Mercedes no DTM desde 2006, nunca fez nada demais por lá. Mas se casou com Toto no ano passado, e foi colocada como pilota de desenvolvimento da Williams. Não correrá na F1, mas é uma boa jogada promocional. O outro piloto reserva do time é que merece uma atenção especial, e que nos faz retornar ao tema do gerenciamento de carreira promovido pelo austríaco.

Empresário do finlandês Valtteri Bottas, que está treinando em quinze sextas-feiras ao longo da temporada de 2012, fica evidente que o próximo passo é colocá-lo como titular. Bruno Senna tem recebido algumas críticas, não está apresentando um desempenho que seja muito elogiável e, se trocado, não dá para dizer que seria uma grande injustiça, um crime. Seria uma jogada de Wolff, para fazer seu piloto chegar à F1. Algo que lembra Vanderlei Luxemburgo e seus “pojétus”.

Não é nada demais pensar que, num futuro próximo, Wolff pode assumir um papel ainda mais importante dentro da Williams, quem sabe, o de substituto de Frank.

As três vitórias de Boutsen na F1


Completa 55 anos de idade nesta sexta-feira, 13 de junho, o belga Thierry Boutsen, que disputou 163 GPs e 10 temporadas da F1 entre 1983 e 1993. Boutsen sempre foi daqueles pilotos bons, mas aos quais faltava algo. Talvez um grande carro. Eu diria que ele é o Rosberg de hoje, só que mais macho.

Em 10 anos na categoria, Boutsen conquistou três vitórias, as três com a Williams, escuderia na qual ocupou por duas temporadas o lugar que era cativo de Nigel Mansell. Quando o italiano deixou a equipe inglesa para defender a Ferrari entre 1989 e 1990, Boutsen assinou um contrato de dois anos com o time de Frank Williams.

O motivo da escolha por Boutsen para 1989 era óbvio. A Williams perdia Mansell e precisava de um piloto para colocar em seu lugar. Aos 31 anos de idade, o belga havia sido o quarto colocado na temporada de 1988, com uma Benetton. A sua frente, apenas Ayrton Senna, Alain Prost e Gerhard Berger, todos com destino selado com suas respectivas equipes: o brasileiro e o francês seguiriam na McLaren, e o austríaco, na Ferrari. Seguindo a lista, Boutsen era um nome sem grife e que vinha de bons resultados, logo, com um bom cartão de visitas.

A primeira vitória veio no GP do Canadá de 1989, sob forte chuva. Já chegaria em segundo, em uma grande corrida, mas a quatro minutos do fim, o motor Honda deixou Senna na mão, quando o brasileiro estava em uma confortável liderança. Boutsen, que se classificara em sexto, assumiu a liderança do que viria a se tornar uma dobradinha da Williams, com Riccardo Patrese em segundo.

O pódio foi completado por Andrea de Cesaris, e Nelson Piquet foi o quarto. Senna, por muito pouco, não conseguiu anotar um pontinho. Ficou em sétimo, em um de seus muitos abandonos naquela temporada: das dezesseis corridas, venceu seis e foi segundo em uma. De resto, não pontuou nenhuma vez.

Essa vitória marcou também a primeira da longa e vitoriosa parceria entre a Williams e a Renault.

De novo sob forte chuva, e de novo assumindo a liderança que antes era ocupada por Senna. Foi assim que Boutsen venceu pela segunda vez na F1, no GP da Austrália de 1989, o último daquela conturbada temporada.

A corrida de Adelaide não deveria ser realizada. Um dilúvio caía sobre o circuito, as condições eram absurdas. Já campeão, Prost se retirou ainda no começo. Senna, que largou na pole-position, liderou até a 14 volta, quando acertou a traseira de Martin Brundle. Mais tarde, Brundle diria que Senna estava alucinado naquele dia, não parecia estar dirigindo consciente do perigo que existia em tamanho dilúvio.

Boutsen, então, assumiu a ponta, não errou – um ótimo começo de prova para quem havia largado na terceira fila – e permaneceu assim até o final para vencer pela segunda vez na F1. O segundo colocado foi Alessandro Nannini, na Benetton, e Riccardo Patrese chegou em terceiro, seguido por Satoru Nakajima, que por pouco não subiu ao pódio. O quarto lugar igualou seu melhor resultado na F1, conquistado antes no GP da Inglaterra de 1987.

Um ano depois, no GP da Hungria, Boutsen cravou sua primeira pole-position, e única, da carreira. Foi também a única vez que ele largou na primeira fila de um GP.

No travado Hungaroring, de dificílimas ultrapassagens, ninguém passou Boutsen. O belga liderou todas as 77 voltas para vencer pela terceira e última vez na F1. No fim do ano, ele deixaria a Williams e nunca mais pilotaria um carro que lhe possibilitasse brigar pelas primeiras posições. Um desempenho superior ao de Patrese não lhe ajudou a se manter no time de Frank Williams.

É uma pena que, no YouTube, um vídeo do final desta corrida não esteja disponível, mas tem esse, que mostra a disputa pela segunda posição. Senna teve uma corrida complicada, perdeu posições, caiu para sétimo, mas foi se recuperando e terminou a apenas 0s2 do belga. Com mais uma volta, passaria, mas aquele era o dia de Boutsen.

Boutsen, fora da F1, teve mais sucesso que dentro. Fundou a Boutsen Aviation, empresa pela qual comercializa aviões particulares. Além disso, participou de provas de longa duração com uma equipe que fundou, a Boutsen Energy Racing,

Just Brands Hatch


Neste fim de semana tem corrida do DTM em Brands Hatch, na Inglaterra. No traçado curto do circuito, é verdade, que possui apenas cinco curvas e menos de 2 km de extensão. Nada comparável à versão completa do tradicionalíssimo autódromo britânico, com 4206 metros de longas retas e curvas de altíssima velocidades. Uma pista sinuosa e cheia de curvas cegas, que se torna dificílima para os pilotos.

Deu na telha de procurar no YouTube vídeos de voltas rápidas em Brands Hatch, e peguei estes dois que seguem, de um duelo memorável de Nelson Piquet e Nigel Mansell pela pole-position do GP da Inglaterra de 1986, última prova de F1 a acontecer na cidade de Kent. O brasileiro levou a melhor na classificação, com uma vantagem de incríveis oito décimos sobre Mansell. O tempo de volta do tricampeão foi de 1min07s064, contra 1min07s879 do Leão, que corria em casa.

Na corrida, Piquet manteve a ponta na largada, e viu Mansell ficar parado no grid. O inglês, porém, estava em seu dia de sorte – se bem que é meio sádico definir o que aconteceu a seguir como sorte. Uma batida múltipla que começou com o belga Thierry Boutsen, da Arrows, atingindo a traseira do sueco Stefan Johansson, da Ferrari. Sem conseguir desviar, os carros que vinham atrás foram piorando a situação, e quem levou a melhor foi o francês Jacques Laffite, da Tyrrell, que fraturou as duas pernas e nunca mais voltou a pilotar um carro de F1.

Meia-hora depois, uma nova largada aconteceu, e Mansell teve uma nova chance. Na primeira curva, Piquet novamente mantivera a liderança, e Mansell caíra para terceiro, atrás de Gerhard Berger, então na Benetton. O troco veio rapidamente, e o austríaco, mais tarde, abandonaria com problemas elétricos, abrindo caminho para que as duas Williams brigassem pela vitória. No fim, Mansell superou Piquet e venceu. O ritmo dos dois era tão impressionante que o terceiro colocado, Alain Prost, terminou uma volta atrás.

A dupla da Williams disputava com o francês Alain Prost, da McLaren, o título da temporada e, em meio ao seu duelo particular, terminaria o ano vendo o Professor com a taça nas mãos. Aquele GP da Inglaterra também marcou o retorno de Frank Williams aos autódromos após o grave acidente de carro que o proprietário do time sofrera no início do ano, na França, e que lhe tirara os movimentos das pernas.

Confira os vídeos das voltas de Mansell e Piquet na sessão de classificação, com destaque para a sensacional volta do brasileiro:

NIGEL MANSELL – 2ª

NELSON PIQUET – POLE-POSITION

O dia da Williams em vídeos


Que dia essa da Williams. Ou melhor, que fim de semana esse da Williams, fechado com este domingo. Septuagésimo aniversário de Frank Williams no sábado, com a pole-position de Pastor Maldonado – conquistada muitas horas após a sessão, após a desclassificação de Lewis Hamilton. Hoje, vitória na corrida, a primeira desde o triunfo de Juan Pablo Montoya no GP do Brasil de 2004. Por fim, o incêndio no box.

Fui aproveitar o meu indulto de dia das mães em Minas Gerais. Assisti à corrida, pela manhã. Muito boa, por sinal, provavelmente a melhor que já aconteceu no Circuit de Catalunya. Um duelo bastante interessante e imprevisível entre Fernando Alonso e Pastor Maldonado. Decidido na estratégia, é verdade, mas que serviu como um teste para o venezuelano mostrar que é um piloto melhor do que se costuma dizer dele. Foi, de longe, a melhor prova de Maldonado, que sempre mostrou ser rápido mas inconstante e errático. Hoje ele foi rápido, constante e, principalmente, inteligente. Venceu com todos os méritos.

Dia histórico para o time de Grove, e que comprova como a F1 anda exótica. Cinco carros diferentes venceram em 2012. O melhor piloto do ano até aqui tem o pior carro destes que triunfaram, e lidera o campeonato: Fernando Alonso, da Ferrari, que perde para Sebastian Vettel apenas por um sexto lugar. O piloto que tem o melhor carro e tem se mostrado muito rápido não está conseguindo converter isto em resultados: Lewis Hamilton, da McLaren. Era para ele ter vencido na Espanha, não fosse a (correta) punição do sábado.

Acabada a corrida, deixei as Gerais para retornar a São Paulo. Chegando aqui, a notícia do incêndio no box da Williams – o segundo problema deste tipo no paddock este ano, o primeiro foi no motorhome da Lotus no GP da Malásia. Um triste fim para este dia histórico. 31 pessoas foram atendidas e liberadas no Centro Médico do circuito, e outras sete redirecionadas para hospitais próximos.

Fuçando no YouTube, achei estes dois vídeos, ambos da BBC. Primeiro, a entrevista de Frank Williams a Eddie Jordan, com uma frase esplêndida. “Nós, ingleses, não ficamos tão emocionados quanto vocês, irlandeses”, brincou o septuagenário. Depois, o vídeo do incêndio, com o momento em que a equipe da emissora, liderada por Jake Humphrey, nota que algo está errado. E não faltou o clássico humor britânico: “Não é a comemoração da Williams isso”.