ATÉ ONDE VAI A MERCEDES?


SÃO PAULO – Coluna que publiquei hoje lá no GRANDE PRÊMIO fala sobre o domínio da Mercedes neste começo de temporada da F1. Quatro vitórias, quatro poles, quatro voltas mais rápidas e 100% de voltas lideradas. O GP da Espanha deve diminuir um pouco a vantagem do motor e mostrar-nos se alguém — especialmente a Red Bull — consegue terminar uma corrida menos de 23s atrás dos alemães.

A segunda colocada no Mundial de Construtores é a Red Bull, que está 97 pontos atrás da Mercedes após somente quatro corridas. O ponto fraco do RB10 é justamente o motor Renault, que ainda não opera em sua capacidade máxima. O ponto forte, a aerodinâmica: todos têm se impressionado com o bom desempenho do modelo nas curvas.

Não é nenhuma certeza, mas pode-se esperar que o RB10 consiga andar mais perto da Mercedes na Espanha. Perderão desempenho na grande reta de Montmeló, mas serão capazes de se portar bem no resto da pista e nas curvas de raio longo. O equilíbrio do carro será fundamental.

Além disso, Adrian Newey não foi para a China. Ficou na Inglaterra trabalhando na fábrica. O povo já fica com medo quando isso acontece.

A pergunta é: quanto será esse “mais perto” da Red Bull?

A íntegra está aqui.

2014-f1-04-china-mercedes-1-2

Anúncios

Os pneus são ruins, mas mudá-los agora é errado


kimi

SÃO PAULO | 12h32 | Acho que ninguém está contente com os pneus que a Pirelli fabricou para a temporada 2013. Nem ela está, após as primeiras cinco corridas do ano. São ruins, desgastam demais, estão gerando provas confusas, reclamações de todos os lados e, por isso, serão mudados para o GP do Canadá. O que é errado.

Desde que entrou na F1, a Pirelli recebeu uma orientação: façam um pneu com desgaste elevado para deixar as corridas mais movimentadas. 2011 começou de maneira semelhante a 2013, corridas com quatro paradas nos boxes. Aos poucos, os times foram aprendendo a lidar com a situação, e o número de pit-stops, diminuindo.

No ano passado, o desgaste foi mais baixo, as corridas, boas, só que, no fim do ano, a estratégia predominante nas provas era de um pit-stop. Número considerado baixo.

Por isso, para este campeonato, a Pirelli resolveu ousar, mudar a estrutura dos compostos. Pensou que, se as equipes passassem um perrengue maior no início do ano, as provas do fim do ano teriam uma média de duas a três paradas para trocas de pneus. Raciocínio válido, mas erraram na medida.

Enfim. Mas por que mudar os pneus agora é errado? Todos sabiam, desde o meio do ano passado, que os pneus de 2013 seriam menos duráveis. Todos construíram seus carros sabendo disso. Nem todos obtiveram êxito nessa tarefa.

A Lotus e a Ferrari, sim. Elas realizaram um trabalho melhor que as rivais e estão colhendo os frutos disso. Ainda assim, não ocupam a liderança do campeonato, que é da Red Bull, a equipe que mais reclama. Claro que o líder do campeonato reclamar é um indício de que tem algo errado, mas nota-se que o protesto está um tanto desproporcional justamente pela tabela de pontuação.

Mudar é errado porque a chance de todo o esforço da Lotus e da Ferrari serem jogados fora é grande. A Pirelli garante que as alterações na composição dos compostos não vão afetar tanto o equilíbrio de força. Claro que, se o E21 e a F138 poupam bem os pneus, devem continuar fazendo isso. Contudo, é uma chance para a Red Bull encontrar sua melhor forma e fazer o RB9 render ainda mais, dar a oportunidade para os rubrotaurinos dispararem rumo ao tetra.

Por mais que os compostos durem pouco, mais justo para todos é manter as coisas como estão.

Passando a régua: GP da Espanha – corrida


SÃO PAULO | 8h | Ficou um pouco atrasado o podcast sobre o GP da Espanha, mas está no ar, enfim. É que eu aproveitei o domingo de folga no Dia das Mães para sair com a namorada e com amigos, já que a mãe estava viajando. Mas isso não é da conta de vocês. Vitória maiúscula de Fernando Alonso, ótima corrida de Felipe Massa. Fazia tempo que a Ferrari não andava tão bem em um fim de semana, com os dois carros. Mas Kimi Räikkönen, cada vez mais, se mostra como um fortíssimo candidato ao título. Para ouvir a rodada de comentários e palpites sobre a corrida de ontem, é só clicar no play aí embaixo. Também dá para baixar.

Passando a régua: GP da Espanha – classificação


SÃO PAULO | 15h29 | Demorou, mas saiu o podcast deste sábado sobre a classificação para o GP da Espanha. Pole-position de Nico Rosberg, que liderou a dobradinha da Mercedes, já que Lewis Hamilton foi o segundo colocado. Um balanço do que aconteceu com cada uma das equipes está no player abaixo, embalado pelo som dos alemães do Scorpions, homenagem à Mercedes:

As vitórias de cada país na F1


A vitória de Pastor Maldonado, neste domingo, em Barcelona, na Espanha, fez tocar o hino da Venezuela pela primeira vez na história da F1. O país entrou para um seleto grupo de 21 nações que tiveram pilotos no alto do pódio da categoria mais importante do automobilismo. Fui atrás da lista de quantas vitórias têm cada país, que está abaixo.

Embora tenha a vitória mais recente, o país de Hugo Chavez não foi o que mais demorou para triunfar. Foram 43 GPs disputados por seus pilotos até que algum vencesse. Isso dá ao país o 14º lugar nesta lista. O Brasil é o 6º, com um total de 15 provas, de Chico Landi e Fritz D’Orey nos anos 50 a Emerson Fittipaldi, em 1970. Quem mais demorou foi a Espanha, 144 Grandes Prêmios desde a primeira prova em que esteve representada, em 1951, por Chico Godia-Sales, no GP da Espanha. O hino nacional só foi tocado no GP da Hungria de 2003, para Fernando Alonso.

O primeiro lugar é do Reino Unido – incluindo Irlanda e Escócia, por isso, tão elevado número. A Alemanha vem na segunda posição, e o Brasil, em terceiro. A Itália se destaca pelo tamanho número de pilotos com poucas vitórias, e os Estados Unidos aparecem tão bem, em parte, pelos anos em que as 500 Milhas de Indianápolis foram parte do calendário do Mundial de F1.

O país que triunfou primeiro na F1 foi a Itália, com Giuseppe Farina, no GP da Inglaterra de 1950, em Silverstone. Antes da vitória de Maldonado, o último país a debutar na lista fora a Polônia, com Robert Kubica, no GP do Canadá de 2008, em Montreal, no Circuit Gilles Villeneuve.

Confira a lista:

1- Reino Unido – 220: Nigel Mansell (31), Jackie Stewart (27), Jim Clark (25), Damon Hill (22), Lewis Hamilton (17), Stirling Moss (16), Graham Hill (14), David Coulthard e Jenson Button (13), James Hunt (10), Tony Brooks e John Surtees (6), John Watson (5), Eddie Irvine (4), Mike Hawthorn, Peter Collins e Johnny Herbert (3), Innes Ireland e Peter Gethin (1)

2- Alemanha – 126: Michael Schumacher (91), Sebastian Vettel (22), Ralf Schumacher (6), Heinz-Harald Frentzen (3), Wolfgang Von Tripos (2), Jochen Mass e Nico Rosberg (1)

3- Brasil – 101: Ayrton Senna (41), Nelson Piquet (23), Emerson Fittipaldi (14), Rubens Barrichello e Felipe Massa (11) e José Carlos Pace (1)

4- França – 79: Alain Prost (51), René Arnoux (7), Jacques Laffite (6), Didier Pironi (3), Maurice Trintignant, Patrick Depailler, Jean-Pierre Jabouille e Patrick Tambay (2), François Cevert, Jean-Pierre Beltoise, Jean Alesi e Olivier Panis (1)

5- Finlândia – 44: Mika Häkkinen (20), Kimi Räikkonen (17), Keke Rosberg (5), Heikki Kovalainen (1)

6- Itália – 43: Alberto Ascari (13), Riccardo Patrese (6), Michele Alboreto e Giuseppe Farina (5), Giancarlo Fisichella (3), Elio de Angelis (2), Luigi Fagioli, Piero Taruffi, Luigi Musso, Giancarlo Baghetti, Lorenzo Bandini, Ludovico Scarfiotti, Vittorio Brambilla, Alessandro Nannini e Jarno Trulli (1)

7- Áustria – 41: Niki Lauda (25), Gerhard Berger (10) e Jochen Rindt (6)

8- Argentina – 38: Juan Manuel Fangio (24), Carlos Reutemann (12) e Jose-Froilán González (2)

9- Estados Unidos – 33: Mario Andretti (12), Dan Gurney (4), Phil Hill (3), Peter Revson (2) e Bill Vukovich (2), Jimmy Bryan, Pat Flaherty, Richie Ginther, Sam Hanks, Johnnie Parsons, Jim Rathmann, Troy Ruttman, Bob Sweikert, Lee Wallard e Rodger Ward (1)

10- Austrália – 33: Jack Brabham (14), Alan Jones (12) e Mark Webber (7)

11- Espanha – 28: Fernando Alonso (28)

12- Canadá – 17: Jacques Villeneuve (11) e Gilles Villeneuve (6)

13- Nova Zelândia – 12: Denny Hulme (8) e Bruce McLaren (4)

14- Bélgica – 11: Jacky Ickz (8) e Thierry Boutsen (3)

Suécia – 10: Ronnie Peterson (10) e Jo Bonnier (1)

16- África do Sul – 10: Jody Schekter (10)

17- Suíça – 7: Clay Regazzoni (5) e Jo Siffert (2)

18- Colômbia – 7: Juan Pablo Montoya (7)

19- México – 2: Pedro Rodriguez (2)

20- Polônia – 1: Robert Kubica (1)

21- Venezuela – 1: Pastor Maldonado (1)

O dia da Williams em vídeos


Que dia essa da Williams. Ou melhor, que fim de semana esse da Williams, fechado com este domingo. Septuagésimo aniversário de Frank Williams no sábado, com a pole-position de Pastor Maldonado – conquistada muitas horas após a sessão, após a desclassificação de Lewis Hamilton. Hoje, vitória na corrida, a primeira desde o triunfo de Juan Pablo Montoya no GP do Brasil de 2004. Por fim, o incêndio no box.

Fui aproveitar o meu indulto de dia das mães em Minas Gerais. Assisti à corrida, pela manhã. Muito boa, por sinal, provavelmente a melhor que já aconteceu no Circuit de Catalunya. Um duelo bastante interessante e imprevisível entre Fernando Alonso e Pastor Maldonado. Decidido na estratégia, é verdade, mas que serviu como um teste para o venezuelano mostrar que é um piloto melhor do que se costuma dizer dele. Foi, de longe, a melhor prova de Maldonado, que sempre mostrou ser rápido mas inconstante e errático. Hoje ele foi rápido, constante e, principalmente, inteligente. Venceu com todos os méritos.

Dia histórico para o time de Grove, e que comprova como a F1 anda exótica. Cinco carros diferentes venceram em 2012. O melhor piloto do ano até aqui tem o pior carro destes que triunfaram, e lidera o campeonato: Fernando Alonso, da Ferrari, que perde para Sebastian Vettel apenas por um sexto lugar. O piloto que tem o melhor carro e tem se mostrado muito rápido não está conseguindo converter isto em resultados: Lewis Hamilton, da McLaren. Era para ele ter vencido na Espanha, não fosse a (correta) punição do sábado.

Acabada a corrida, deixei as Gerais para retornar a São Paulo. Chegando aqui, a notícia do incêndio no box da Williams – o segundo problema deste tipo no paddock este ano, o primeiro foi no motorhome da Lotus no GP da Malásia. Um triste fim para este dia histórico. 31 pessoas foram atendidas e liberadas no Centro Médico do circuito, e outras sete redirecionadas para hospitais próximos.

Fuçando no YouTube, achei estes dois vídeos, ambos da BBC. Primeiro, a entrevista de Frank Williams a Eddie Jordan, com uma frase esplêndida. “Nós, ingleses, não ficamos tão emocionados quanto vocês, irlandeses”, brincou o septuagenário. Depois, o vídeo do incêndio, com o momento em que a equipe da emissora, liderada por Jake Humphrey, nota que algo está errado. E não faltou o clássico humor britânico: “Não é a comemoração da Williams isso”.