LUCIANO DA INDY


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SÃO PAULO | Eu pensei em escrever um texto mais extenso aqui, mas não vai rolar. O que eu tenho de vida, Luciano do Valle teve mais que o dobro de carreira. Ele se tornou uma referência na narração esportiva e no jornalismo esportivo, e ver o trabalho dele me fez escolher por essa vida. Foram incontáveis as vezes em que, jogando videogame lá quando eu tinha oito, nove, dez anos, eu fazia um gol e, no meio da minha narração, soltava um “barrrbante”. Sim, eu escolhi ser jornalista porque, quando tinha meus oito anos, narrava jogos no Winning Eleven imitando Luciano do Valle, Galvão Bueno, Cleber Machado e Sílvio Luiz (e o José Silvério no rádio). Hoje é mais do que isso, mas começou assim.

Nos últimos tempos, Luciano não vinha sendo o narrador mais acertivo, mas nem de longe. Eu ficava puto a cada vez que ouvia um Rai Rãnter ou Brian Riscoe. Mas suas narrações e sua voz ficarão marcadas na minha memória. Vou deixar aqui no blog um áudio de quando eu nem era nascido e outro que me fez vibrar em 2013, ambos das 500 Milhas de Indianápolis. Emerson Fittipaldi foi quem fez o brasileiro se interessar pela Indy, e era Luciano do Valle que contava essas histórias.

E uma coisa que me deixa alegre neste momento é que eu pude assistir sua última narração de título na TV. Normalmente não assisto aos jogos na Band, mas assisti na semana passada. Uma escolha que poderia parecer insignificante, mas que foi mais do que feliz.

O começo de temporada da Indy


LENINGRADO, 15h21 – É na baía de Tampa (lugar onde caem muitos raios, na língua do povo que morava aqui antigamente), que começa a temporada da Indy, com o GP de São Petersburgo. A corrida é no domingo e terá 25 carros no grid, três deles pilotados por brasileiros: Helio Castroneves, Tony Kanaan e Bia Figueiredo.

Eu estou aqui em St. Pete desde domingo à noite para fazer a cobertura da prova para o GRANDE PRÊMIO. Foi um tanto difícil chegar aqui. Como minha habilitação venceu nesta segunda, não posso alugar carro – tive que ir de Sebring até Orlando de carona com o Cleber Bernuci, que voltou para o Brasil após as 12 Horas, e lá pegar um ônibus para vir para cá. O mais simples seria vir direto de Sebring, mas quando fui me informar sobre uma maneira de fazer esse percurso sem ter um carro, ouvi: “Welcome to America!”.

A Penske costuma se dar bem em St. Petersburg, onde a temporada começa. Helinho já venceu três vezes, a última dessas vitórias foi no ano passado

A Penske costuma se dar bem em St. Petersburg, onde a temporada começa. Helinho já venceu três vezes, a última dessas vitórias foi no ano passado

Sobre a Indy, a briga pelo título deve continuar entre as três principais equipes: Andretti, Ganassi e Penske. Curioso notar como cada uma delas mudou do ano passado para este ano. A Penske vem mais enxuta, sem Ryan Briscoe, apenas com o tri-vice Will Power e Helio Castroneves. A Ganassi vem igual, com Scott Dixon e Dario Franchitti no time principal. Mudança só no time B, que ficou só com Charlie Kimball, sem Graham Rahal, que decepcionou. A Andretti, por sua vez, terá um carro a mais, com EJ Viso. Foi na contramão de suas rivais, o que me faz duvidar da capacidade do time de manter a forma vencedora em 2013.

A KV deve vir mais forte, acredito. Ano passado, a chegada de última hora de Rubens Barrichello desestruturou o time. Tony Kanaan conseguiu ter bons resultados, mas nada muito constante. Com Tony e Simona de Silvestro, sem o Viso e só com dois carros, dá para sonharem mais alto. Não para se tornar a maior equipe, mas, pelo menos, para ganharem uma ou outra corrida – quem sabe até as 500 Milhas, grande sonho de consumo do baiano.

Olho em Simon Pagenaud, que andou muito bem no ano passado com Schmidt. Mais experiente, o novato do ano passado pode surpreender novamente em 2013. É um bom nome para se apostar em bons resultados.

Tem também a volta de Bia Figueiredo. O Américo Teixeira Jr. acertou mais essa. Bia anda, pelo menos, aqui, em São Paulo e em Indy. Deve disputar ainda algumas outras provas, provavelmente em circuitos ovais. Chega para sua terceira temporada na categoria.

É isso. Não consigo prometer mais atualizações durante o fim de semana porque a cobertura consome bastante tempo, mas alguma coisa eu tento lançar por aqui.

O mais grave acidente de Piquet


No dia 7 de maio de 1992, Nelson Piquet sofria o mais grave acidente de sua carreira. Tricampeão mundial, sem vaga na F1 após a temporada de 1991, o veterano brasileiro começava a se aventurar nas pistas dos Estados Unidos. A aventura começou em março, quando Paul Menard o telefonou para convidá-lo a competir na Indy, com um Lola-Buick. Tentado pelo novo desafio, Piquet aceitou.

Participou do Rookie Test, pelo qual passam todos os pilotos que nunca tiveram experiências em Indianápolis, e foi aprovado. Começou, então, a treinar para disputar a tradicional prova das 500 Milhas. Em 7 de maio, Piquet perdeu o controle de seu carro e bateu com força na barreira de pneu entre as curvas 3 e 4 de Indy. A história completa está na matéria do “papai” Fernando Silva para o Grande Prêmio.

O acidente foi horripilante. Muito mais do que o de Ayrton Senna. O impacto foi a mais de 340 km/h. Não havia Hans e, como se vê na foto, a cabeça do piloto balançou de uma maneira impressionante – sabe se lá como a coluna cervical não foi fraturada. Sabe se lá como ele sobreviveu sem grandes seqüelas. Ou como não ficou desacordado durante o resgate: durante os 15 minutos de trabalho da equipe médica, ele esteve consciente. A batida de Senna, não fosse o cabo de suspensão que acertou seu capacete, teria sido até “comum”, apesar da velocidade elevada.

Piquet fraturou o pé e o tornozelo esquerdos, deslocou o tornozelo direito, teve o joelho direito dilacerado e lesões mais leves nas mãos, no pulso e no cotovelo esquerdos. O pé esquerdo foi o mais afetado, o que gerou uma brincadeira de Alessandro Nannini, companheiro do brasileiro na Benetton, em 1989 e 1990.

O italiano sofreu, no fim de 90, um grave acidente de helicóptero que decepou parte de seu braço direito. Ele nunca mais voltou à Fórmula 1, competiu novamente apenas em provas de turismo. (E foi substituído, na equipe italiana, pelo brasileiro Roberto Pupo Moreno, que formou uma dobradinha brasileira no GP do Japão, junto de Nelson). Quando Piquet se acidentou, Nannini o telefonou e disse: “Agora, se juntarmos os seus pés e as minhas mãos, ainda podemos formar um bom piloto”.

Piquet se recuperou e voltou a correr. Disputou as 500 Milhas do ano seguinte, inclusive, para as quais se classificou no 13º lugar, mas não conseguiu completar, devido à quebra de seu motor Buick. Seu retorno contribuiu para que este acidente não fosse tão lembrado. Mesmo assim, se ele parasse de correr, ou mesmo se morresse, eu duvido que se tornasse tão idolatrado quanto Ayrton Senna é.

Primeiro, pelas circunstâncias: Piquet bateu em um treino de uma categoria que não tinha o alcance que a F1 tem no Brasil. Senna bateu ao vivo diante de milhões de espectadores em todo o mundo. Segundo, pela diferença existente entre os personagens: Senna estava no auge, ao passo que Piquet estava na fase final de sua carreira, já fora da F1. Senna significava a única esperança de vitórias do Brasil nos esportes – o futebol ia mal, e o vôlei, campeão olímpico em 1992, não se tratava de um fenômeno – em um tempo em que o momento político era conturbado, pós-ditadura militar, governo Sarney e impeachment de Fernando Collor de Melo, ao passo que Piquet nunca se preocupou em ser o Brasil em tudo. Como disse certa vez, corria é pela grana.

O que fica, neste dia 7 de maio, é a lembrança do mais grave acidente sofrido pelo tricampeão mundial de F1, dono de 23 vitórias na categoria, um dos melhores pilotos que passou pela elite do automobilismo. Abaixo, o vídeo:

Who the fuck is Josef Newgarden?


A primeira fila do GP de Long Beach da Indy teve um rookie na primeira fila, Josef Newgarden. Atual campeão da Indy Lights, pela equipe de Sam Schimidt, ele subiu para a divisão principal neste ano, competindo na Sarah Fisher Hartman, ele não durou muito na prova: dividindo a primeira curva com o experiente Dario Franchitti, acabou no muro.

Mas o novato exala carisma. Desconhecido, ele demonstrou ser hábil como repórter e gravou, para o site da ‘Indy’, um vídeo andando pelo paddock e perguntando para as pessoas sobre este garoto, o tal de Newgarden. Já sei para quem torcer no Anhembi.