AS DUPLAS DA F1 2014


SÃO PAULO | Está definido o grid da F1 2014. Foram anunciados na última terça-feira os dois pilotos da Caterham, Kamui Kobayashi, que volta à categoria após uma temporada, e o sueco Marcus Ericsson. Aproveitei a ocasião para fazer um ranking das que considero as melhores — e as piores — duplas da temporada. Vamos lá.

1) FERRARI — ALONSO E RÄIKKÖNEN

Clar0 que a melhor dupla é a única que tem dois campeões mundiais. Será a mais interessante de se observar, também. Depois de Vettel, esses foram os dois melhores pilotos da F1 nos últimos dois anos e, se não entrarem em rota de colisão — e, obviamente, a Ferrari construir um bom carro — serão os dois que mais chance terão de quebrar a hegemonia do alemão. Alonso e Kimi somam 52 vitórias na carreira, mais do que qualquer outra dupla do grid.

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2) MERCEDES — HAMILTON E ROSBERG

Hamilton e Rosberg trabalharam muito bem em conjunto em 2013. Sã0 dois pilotos de estilos diferentes, mas que, no final, terminam com o mesmo tempo de volta. Embora tenha vencido somente uma corrida no ano passado, o primeiro na Mercedes, o inglês é um piloto que sabe ganhar GPs — ganhou ao menos um em todas as temporadas em que competiu na F1. Rosberg é bom piloto, meio low profile dentro do time, mas, mesmo fora dos holofotes, é capaz de conquistar ótimos resultados e forçar Hamilton a elevar o nível para vencer a batalha interna.

3) RED BULL — VETTEL E RICCIARDO

De Sebastian Vettel, não é preciso falar nada. Daniel Ricciardo é que tem muito a provar em 2014. O australiano subiu para a Red Bull e agora tem a obrigação de andar na frente e vencer GPs. Acredito que será capaz de fazê-lo. É um piloto rápido, deve conseguir bons resultados em treinos classificatórios e aí terá a missão de se manter nas primeiras posições aos domingos — não foi o seu ponto forte enquanto esteve na Toro Rosso.

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4) McLAREN — BUTTON E MAGNUSSEN

Aqui o quinto campeão mundial do grid junto do promissor novato que a McLaren resolveu efetivar. Button é capaz de liderar uma equipe, já mostrou isso em mais de uma oportunidade, mas tenho a impressão de que ele precisa de um companheiro que represente um desafio. Magnussen é muito bom. Bem melhor que o pai. A questão é que ele vai estrear na F1 sem ter andado decentemente com o carro, testou somente nos simuladores. Ainda assim, acredito que seja uma boa aposta.

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5) WILLIAMS — MASSA E BOTTAS

Um bom conjunto que pode dar certo. Bottas foi o melhor estreante de 2013 e mereceu a chance de continuar na F1 na Williams. Mostrou talento, esse finlandês. Massa talvez tenha mais a provar do que o colega, mas também tem capacidade para mostrar que pode liderar uma equipe. Fora da Ferrari e sem a companhia de Alonso, o brasileiro pode voltar a ser aquele piloto que foi até 2009 — mas é só dentro da pista que veremos quanto a mudança de equipe vai servir de impulso para essa recuperação pessoal.

6) FORCE INDIA — HÜLKENBERG E PÉREZ

Nico Hülkenberg, o zicado-mor da F1, terminou 2013 mostrando todo o seu potencial. Sergio Pérez, nem tanto. Acabou dispensado pela McLaren. É uma dupla que pode render bons frutos para a Force India. É ao menos melhor do que a do ano passado (Hülk melhor que Di Resta e Pérez melhor que Sutil).

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7) LOTUS — GROSJEAN E MALDONADO

Não me parece que essa é uma dupla que vai trabalhar bem em conjunto. Romain Grosjean andou bem demais no fim de 2013 e tem capacidade de liderar a Lotus — vai depender só de como o carro vai se comportar. E como Maldonado vai se comportar. O venezuelano até é rápido, mas teve um ano difícil em 2013 e precisará mostrar superação, além de cabeça no lugar para lidar com um rival que tem total condição de andar à frente.

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8) TORO ROSSO — VERGNE E KVYAT

Jean-Éric Vergne tem um bom ritmo de corrida e, a julgar pelo o que aconteceu com outros pilotos da Red Bull, deve ter sua última chance na Toro Rosso neste ano. Ninguém correu lá por mais de três anos. Ou seja: precisará mostrar mais do que mostrou no início da carreira na F1 para provar que pode, quem sabe, ser promovido à RBR em algum momento ou, ao menos, garantir vaga em outro time. Só que, para isso, terá de bater um promissor Daniil Kvyat, que terá de se adaptar a um carro mais potente do que qualquer outro que já pilotou. Olho no russo.

9) CATERHAM — KOBAYASHI E ERICSSON

Kobayashi, que está voltando à F1, já conhecemos. Rápido, capaz de dar show, só vai ser difícil isso acontecer com ele pilotando a Caterham. Junto dele está o sueco Marcus Ericsson, novato de quem podemos esperar mais do que Charles Pic e Giedo van der Garde, ainda que não muito.

10) SAUBER — GUTIÉRREZ E SUTIL

Se o carro for bom, esses dois até podem conseguir bons pontos e resultados melhores, mas ficam na leva dos piores do grid de 2014.

11) MARUSSIA — BIANCHI E CHILTON

Jules Bianchi foi bem em 2013, Max Chilton, nem tanto, embora tenha completado todas as 19 corridas — um recorde. Até dá para imaginar Bianchi conseguindo algo mais notável, mas a dupla em si considero a mais fraca do grid.

O POPSTAR LEWIS HAMILTON


SÃO PAULO | Eu não sei muito bem o que comentar. Deixo apenas o vídeo da primeira música de Lewis Hamilton com vocês, em parceria com a cantora Ana Lou: ‘Say Goodbye’.

Atualizando: depois, Hamilton postou no Twitter que nunca ouviu falar da tal Ana Lou e que a música não é dele. Menos pior…

A SUBJETIVIDADE DA REGRA


F1 Brazilian GP 2013

SÃO PAULO | Eu ia escrever esse post na semana do GP da Índia, mas acabou passando. Lembrei do tema com essa foto, de Felipe Massa e Lewis Hamilton no GP do Brasil. O clique é do Beto Issa.

Já entenderam do que se trata o post?

Reparem na posição de Massa: as quatro rodas estão além da linha branca. Ele está desrespeitando os limites da pista e, certamente, levando vantagem por isso. Hamilton fará o mesmo. Todos sabem que, no Bico de Pato, é preciso colocar o carro todo na zebra para ganhar tempo, para fazer a curva com perfeição. Massa, que anda bem como poucos em Interlagos, sabe mais do que ninguém como esse detalhe é importante.

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Colocar as quatro rodas além da linha branca na entrada dos boxes não rendeu a Massa um grande ganho. Não deve ter sido nada além de meio décimo. Hamilton continuou colado nele.

A punição é correta na medida em que Charlie Whiting, no briefing, alertou os pilotos quanto à regra dos limites da pista naquele ponto (vejam a imagem). Os pilotos da Mercedes estavam atentos e acusaram Massa de não cumprir o regulamento. Beleza, drive-through aplicado, como tinha de ser. (Outra questão: Massa foi punido em 20s por uma manobra que não lhe deu nem meio décimo. É preciso rever, também, as penalizações da F1. No DTM, ele teria 1s acrescido ao tempo final de prova e pronto).

O problema mesmo é a subjetividade da regra.

Romain Grosjean foi punido no GP da Hungria por causa da ultrapassagem mais bonita do ano. Passou a Ferrari de Massa por fora em uma curva de alta velocidade, a mais rápida do circuito. Colocou as quatro rodas além da linha branca, é verdade, por muito pouco. Não andou mais rápido por causa disso. A interpretação dos comissários foi: Grosjean só tentou a ultrapassagem porque sabia que ali havia asfalto; fosse grama, terra, brita ou lama, não tentaria. OK.

Eu estava nessa corrida da Hungria. Na coletiva de Massa, a primeira pergunta feita em inglês foi: “Você acusou Grosjean, pediu uma punição?” Massa rebateu dizendo que o francês fora punido por causa de outro incidente, com Jenson Button. “Não, foi por causa da ultrapassagem sobre você”, alertamos. E o brasileiro falou que nem viu que a Lotus colocou as quatro rodas fora da pista: “Então a punição foi errada. E ele colocou só duas rodas fora.” Para todos verem como foi sutil o lance. (Atualização: só para ficar claro, depois da corrida, Grosjean recebeu um segundo drive-through pelo choque com Button, mostrado no vídeo abaixo).

Punir Grosjean foi tão absurdo que até a FOM cornetou a FIA ao recuperar uma imagem da primeira volta e mostrar que Kimi Räikkönen, em uma disputa de posição, saiu da pista no mesmo ponto. Ele levou tanta vantagem quanto Grosjean. Vamos em frente.

No mesmo GP da Hungria, vários pilotos saíram da pista com as quatro rodas na saída da curva 11. Não ganharam posições, mas, se tentassem manter o carro no traçado, acabariam perdendo um pouco de aceleração. Só forçaram desse jeito porque sabiam que ali havia asfalto; fosse grama, terra, brita ou lama, não tentariam.

Citei o GP da Índia lá no começo do post pela mesma razão. É o maior exemplo do ano neste sentido. Observem em vídeos de lá: nas curvas de alta, nos esses em sequência, os pilotos saíram da pista o tempo todo. E ninguém foi punido.

O pior é que a F1 é um exemplo para as categorias do resto do mundo. Aí acontece o que aconteceu com Átila Abreu naquela etapa de Cascavel da Stock Car, aquela punição esdrúxula que ele recebeu pela ultrapassagem por um Max Wilson que não deu espaço. Até Max, o ultrapassado, posicionou-se contra os comissários.

A regra é clara, mas não é aplicada o tempo todo. Torna-se, portanto, bem subjetiva, para falar a verdade. A impressão que dá é que os comissários tomam essas decisões pensando em não criar pretextos para outros casos. Com isso, as decisões acabam sendo tomadas com um preciosismo que só arranha a imagem do esporte. Fica chato. Quem vê em casa, pensa: “Mas tudo é punição, não aguento mais isso.” E os pilotos vão começar a pensar três vezes antes de arriscar uma manobra. E vão reclamar que as corridas estão chatas, que ninguém pensa ninguém, que os pilotos de hoje em dia não tem colhões.

A FIA precisa parar com essas frescuras e devolver as corridas aos pilotos.

TOONED 50: A HISTÓRIA DOS CAMPEÕES DA MCLAREN


2013-f1-12-italia-DOM-mclaren-50SÃO PAULO | Sem dúvida alguma, a melhor coisa que a McLaren fez em 2013 foi o Tooned 50. Comemorando 50 anos de vida, a equipe retomou a série de desenhos animados que havia lançado no ano passado, mas, dessa vez, recontando a história de seus grandes campeões. Só que de um jeito bem peculiar. Eu achei todos bons.

Uma pena que, pelas ligações com a Mercedes, Niki Lauda e Lewis Hamilton não puderam participar. Episódio dedicado ao Lauda, nem tem. E o que é dedicado ao Hamilton é este último, em que o piloto não aparece. Mas estão lá Emerson Fittipaldi, James Hunt, Ayrton Senna, Alain Prost e Mika Häkkinen.

Se você não conhecia o Tooned ou então quer assistir toda essa segunda temporada, eu peguei todos os vídeos e coloquei neste post. Divirtam-se:

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Impressões dos testes de Jerez


Button

SÃO PAULO, 22h03 – A primeira bateria de testes da pré-temporada da F1 acabou nesta sexta em Jerez de la Frontera, na Espanha. Claro que não dá para dizer muita coisa sobre como a distribuição de forças estará daqui a um mês, no GP da Austrália, é até clichê dizer isso, mas algumas impressões ficam.

Fica a impressão de que a Force India e a Toro Rosso tem bons carros, pelo menos melhores que os do ano passado. Seus pilotos andaram rápido durante toda a semana.

A Lotus também demonstrou velocidade, assim como a Ferrari, com Felipe Massa, na quinta-feira. Mas não dá para saber quem realmente mostrou as cartas ou que níveis de combustível foram utilizados pelas equipes.

Mas eu fiquei com a impressão de que a McLaren está muito bem. Já terminaram bem no ano passado e Jenson Button marcou um tempo muito bom na terça-feira. Felipe Massa se disse impressionado, e tem motivos para isso. Button virou 1min18s8 usando pneus duros no primeiro dia de atividades com o novo carro.

A pista estava suja, era a estreia do MP4-28 e ele ainda teve um problema mecânico que custou bastante tempo na pista. Hoje, com a pista mais do que emborrachada, Sebastian Vettel virou 1min18s5 com os pneus duros. Depois de terça-feira, a McLaren ficou na sétima posição em todos os dias, com Button e Sergio Pérez. Hum.

Sobre a Mercedes, lembrei-me da semana seguinte ao anúncio de Lewis Hamilton para o time alemão. Acabara de ver a McLaren quebrar mais uma vez, no GP de Cingapura, quebra esta que lhe custou uma vitória. Cansou daquilo tudo. Nos dois primeiros dias, duas quebras no W04. Uma pane elétrica e uma falha nos freios – que mandou Hamilton para o muro. 26 voltas completadas em dois dias.

Nos dois últimos dias o time compensou isso com 303 voltas. Mesmo assim, já fica a impressão que esse carro é um carro propenso a quebras. De se destacar que, segundo Lewis, é fácil aquecer os pneus. Uma volta e bang, eles estão na temperatura ideal e a volta do pneu vem.

Hamilton

E o Pedro de la Rosa, coitado? Ganhou a inesperada chance de andar em uma Ferrari nessa altura da carreira, dá três voltas e o carro pega fogo. Mais de três horas e meia nos boxes, câmbio trocado e ele voltou para a pista para mais 48 voltas. Aí sem problemas. Disse que essa experiência será fundamental para o trabalho que vai fazer nos simuladores do time. Ele fez isso com a McLaren no passado. A meta é aproximar a Ferrari do que os ingleses e a Red Bull têm.

Quanto à Red Bull, vão continuar lá na frente, podem apostar.

Abaixo segue o combinado dos quatro dias de atividades, quando 23 pilotos entraram na pista em Jerez.Destaque para o equilíbrio: oito equipes diferentes nas dez primeiras posições. E, segundo informações da Pirelli, os tipos de pneus que eram usados nas voltas mais rápidas – a fabricante não divulgou de todos os pilotos:

Massa, Grosjean, Di Resta, Räikkönen, Bianchi: macios;

Rosberg, Ricciardo, Rosberg: médios;

Vettel e Button: duros.

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O auge da orientalização da F1


SANTA RITA DE CALDAS, 18h44 – Essa informação eu não havia percebido, admito, mas também não vi circulando em outros lugares. Desculpem o atraso. Também não sei se a palavra do título existe (o corretor do Word disse que não). Se não existe, eu inventei. Neologismos são legais. Enfim.

2010-japao-vettel-capacete Sebastian Vettel se tornou o primeiro campeão mundial que não venceu nenhuma prova disputada em solo europeu. É, amigos. Este é o auge do processo de orientalização que Bernie Ecclestone promoveu na F1 na última década. Com tantas corridas disputadas na Ásia, mais dia, menos dia, isso aconteceria. Aconteceu em 2012. E até nisso Vettel fez história. (E essa mais uma coisa fora do comum que aconteceu em 2012, êta ano esquisito).

No último Mundial, Europa e Ásia receberam oito GPs cada, uma prova aconteceu na Oceania e três na América. Vettel conquistou todas as suas cinco vitórias na Ásia (Bahrein, Cingapura, Japão, Coreia do Sul e India). Os campeões que ganharam só uma corrida no ano do título, Mike Hawthorn e Keke Rosberg, faturaram essas vitórias únicas na Europa.

Aliás, foi na Ásia que Vettel conquistou a maior parte das 26 vitórias de sua carreira – 15, sem contar o GP da Turquia, que é considerado um evento europeu, apesar de o Istanbul Park estar localizado na Anatólia (Turquia asiática). É o piloto que mais venceu nos Orientes Médio e Extremo na história da F1, e já pode ser considerado um símbolo desta expansão rumo aos novos mercados emergentes lá do outro lado do mundo. (Até o imagino com um largo sorriso quando, num jogo de WAR, tira a carta-objetivo com os dizeres ‘Conquiste a ÁSIA’). Em 2010, quando foi campeão pela primeira vez, Seb venceu somente uma vez na Europa, no GP da Europa, em Valência. Quatro dos outros cinco triunfos foram na Ásia. Soma-se a isso outros quatro em 2011.

WAR

Há quem critique – estou incluso neste grupo – a troca de praças com tradição no esporte a motor por países ricos e dispostos a construir autódromos suntuosos, mas a verdade é que se trata de um mal necessário, especialmente dada a situação da economia europeia. A Pirelli, por exemplo, vê essa expansão como uma das grandes vantagens de sua parceria com a F1, pois, com isso, consegue ampliar suas relações comerciais e divulgar sua marca em nações onde a economia vai bem, obrigado, na contramão do que acontece no velho continente. Isso ajuda a sustentar os negócios.

Até que essa crise passe, não vai ter jeito. Vamos continuar acordando de madrugada para assistir várias corridas. A Europa só vai conseguir predominar novamente no calendário da F1 no dia em que estiver nadando em dinheiro como outrora esteve.

Para encerrar, já que eu comecei o post com uma estatística, vamos retomar isso. As estatísticas de vitórias por continente em 2012:

Ásia: Vettel (5), Alonso, Rosberg e Räikkönen (1)
Europa: Hamilton, Alonso e Webber (2), Maldonado e Button (1)
América do Norte: Hamilton (2)
América do Sul: Button (1)
Oceania: Button (1)

Logo, se Bernie Ecclestone resolvesse transformar a F1 num grande jogo de WAR, daqueles que demoram tanto que você e seus amigos desistem de jogar e veem quem chegou mais perto de seu objetivo, Hamilton teria sido campeão de pilotos e a McLaren, de construtores. Vettel teria conquistado o continente mais difícil, a Ásia, mas não teria conseguido o segundo continente. E Button teria chegado perto, com a Oceania e a América do Sul, mas faltaria um terceiro continente a sua escolha.

Obs: Caro Sr. Ecclestone, caso queira implantar na F1 um sistema semelhante a um jogo de WAR, saiba que vou cobrar pelo uso da ideia. Grato.

mina do alonsoObs 2: Uma prova em Vladivostok seria genial. O Felipe Giacomelli se mostrou empolgado com a ideia. E o Fernando Alonso também deve gostar, nem que seja para agradar sua bela namorada Dasha Kapustina, que lá nasceu. O espanhol faria de tudo para conquistar aquele território e certamente o protegeria com dez exércitos, no mínimo, até porque ficaria com bastante medo de Vettel tomá-lo, dado o retrospecto do alemão na Ásia.

Cinco coisas para prestar atenção na F1 em 2013


SÃO PAULO, 14h21 – Na carona do post anterior, neste dia lindo e pimposo de Ano Novo, listei cinco coisas que podemos ou devemos esperar na F1 em 2013. Coisas que podem ser fundamentais no desenrolar do Mundial deste ano ou que podem acabar ganhando destaque. Eu posso ter deixado algumas coisas de lado, mas aí vocês podem me ajudar nos comentários. Usem-nos para citar mais coisas.

5) Um Grosjean melhor

2012-monaco-grosjean-lotusO ano de 2012 de Romain Grosjean foi bom. Já o elogiei outras vezes aqui no blog, afinal, para um novato, subir ao pódio em três ocasiões é representa um bom trabalho. O problema foram os muitos acidentes, que também foram julgados exageradamente, já que apenas duas punições lhe foram aplicadas por motivos desportivos ao longo do campeonato. Ele ainda admitiu que alguns de seus erros foram cometidos porque estava tentando, a todo custo, uma vitória.

A frase que segue é do próprio franco-suíço (e de muito mais gente, também, é claro): “Quando você faz uma coisa pela segunda vez, tende a fazer melhor”. É por isso que acredito que Grosjean terá um 2013 ainda melhor do que foi o ano de 2012.

4) Um Felipe Massa melhor?

2012-brasil-R-massa-CARSTEN HORSTFelipe Massa terminou 2012 em alta. Conseguiu se recuperar do péssimo começo de ano – aliás, escrevi disso no post anterior, é só descer a página. O que estou curioso para saber é como que Felipe vai chegar em 2013? Andando no mesmo ritmo ou até mesmo melhor que Fernando Alonso, como fez em pelo menos quatro provas da reta final do último campeonato?

Seria bom ver Felipe Massa no pódio constantemente. Até mesmo vencendo corridas. O automobilismo brasileiro está precisando disso. Precisa de muito mais, é verdade, e não são eventuais bons resultados do piloto da Ferrari que vão resolver os muitos problemas existentes por aqui, mas elas iriam, ao menos, servir como um paliativo. Seria alguma cosia dando certo enquanto o resto não se resolve o resto. Tudo, é claro, vai depender do que será da F2013.

3) Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

Motorsports: FIA Formula One World Championship 2012, Grand Prix of SingaporeAs duas trocas de pilotos mais importantes para esta temporada de 2013 serão motivo para muitas avaliações ao longo do ano. E será bastante interessante mesmo ver como eles vão se sair em suas novas casas.

Hamilton, na Mercedes, não terá nas mãos um carro capaz de vencer corridas, como sempre teve na McLaren – pelo menos não é isso que se espera. Porém, ele já mostrou ser um piloto capaz de vencer mesmo quando estava em condições de inferioridade, por isso eu penso que Lewis poderá, sim, triunfar em 2013. Pode não disputar o título, mas eventuais vitórias serão o primeiro passo da reconstrução que o inglês deseja liderar na Mercedes.

Pérez, escolhido como substituto, deu um passo a frente em sua carreira. Resta saber se conseguirá se manter neste novo patamar, se se consolidará como um piloto de ponta na F1. Desde que foi anunciado pela equipe inglesa, o mexicano nunca mais pontuou. Mas fala em disputar o título neste ano, o mínimo que pode fazer como piloto da McLaren. Meu palpite: assim como Hamilton, vence em 2013. E as grandes provas que fez em 2012 animam.

2) Pneus Pirelli mais agressivos

Formula One World Championship, Rd 6,  Monaco Grand Prix, Practice Day, Monte-Carlo, Monaco, Thursday 26 May 2011.Foram os pneus da Pirelli os grandes responsáveis pelo equilíbrio e pela imprevisibilidade do começo do campeonato de 2012. Sete vencedores em sete corridas… parecia até irreal. E é isso que a fabricante italiana quer repetir neste novo ano. Desta vez, desde o começo, já é bom ficarmos de olho para ver quem vai se adaptar melhor aos compostos, que serão mais agressivos.

O projeto de 2013 dos pneus visa a construção de compostos que sejam mais fáceis de se aquecer, porém, sua estrutura será de mais difícil compreensão, bem como o desgaste. Um enigma criado pela turma de Paul Hembery para as equipes desvendarem.

Outra coisa que a fabricante quer é aumentar o número de pit-stops na reta final do campeonato. Não demasiadamente, para não tirar dos melhores pilotos o foco na disputa pelo título, mas para manter as corridas emocionantes. Em 2012, a média de pits por piloto foi de 1,9. O desejo da Pirelli é retornar ao que foi visto em 2011, algo em torno de 2,3.

1) Quem superará a Red Bull?

Ou melhor: alguém superará a Red Bull?

O tricampeonato consecutivo coloca a Red Bull à frente de outras equipes que se destacaram na F1, mas por pouco tempo. São exemplos disso Tyrrell, Brabham, Benetton e Renault, times que conquistaram dois títulos num curto espaço de tempo, porém, não conseguiram repetir o sucesso com a saída dos principais responsáveis pelas vitórias.

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Pelo contrário. O pessoal das latinhas energéticas seguirá o mesmo no próximo ano. Horner não vai sair para a Mercedes, Adrian Newey continua por lá, e Sebastian Vettel também. O tripé que sustentou o tri segue intocável e disposto a conquistar mais e mais taças.

E embora o time tenha admitido que, dada a preocupação com a disputa de 2012, o desenvolvimento do bólido de 2013 tenha ficado um pouco prejudicado, não existem grandes mudanças técnicas para o próximo ano, logo, isso não deve ser muito difícil de contornar. E é justamente por isso que vejo a McLaren como principal candidata para desbancar a hegemonia rubrotaurina. A Ferrari, por sua vez, precisará trabalhar muito mais do que as outras no desenvolvimento de seu carro, que não foi bom em 2012, e não dá para confiar apenas em Fernando Alonso, também é preciso dar um bom pacote técnico ao espanhol.

O que marcou na F1 em 2012?


SÃO PAULO, 11h45 – Talvez este post devesse ter sido publicado ontem e apenas o que virá depois deste, hoje. Mas acontece eu tive a ideia hoje, então veio só hoje. Enfim, sem stress. É ano novo. Não que eu me importe muito com virada de ano e tal, pular sete ondinhas ou usar branco para mudar não sei o que. Todavia, é bem possível que você, blogueiro, se importe, então aproveito para lhe desejar um feliz 2013.

E do que se trata este post, afinal?

Resolvi listar cinco momentos que me marcaram na F1em 2012, melhor ano da história da categoria. O meu top-5 é esse que segue, não necessariamente com as coisas mais impactantes e/ou importantes. Apenas imagens que vão ficar na memória mais do que outras. Façam também os seus!

5) O adeus (ou até breve?) de Lewis

Criado pela McLaren desde menino, Lewis Hamilton vai correr pela Mercedes em 2013. Deixou a casa que o colocou na F1, pela qual foi campeão mundial e conquistou 21 vitórias, 26 pole-positions e 49 pódios.

Há algum tempo que as desavenças eram mais e mais expostas. Mesmo assim, parecia que ele nunca deixaria a McLaren. Ficaria lá para sempre. Como parecia que Alain Prost e Ayrton Senna ficariam, mas saíram. Como Mika Häkkinen ficou até decidir se aposentar.

Motorsports: FIA Formula One World Championship 2012, Grand Prix of United States

A decisão de ir para a Mercedes levou em consideração alguns fatores. O dinheiro oferecido, as brigas, os problemas mecânicos que Lewis teve durante o ano (o anúncio aconteceu depois do GP de Cingapura, que Hamilton venceria não fosse uma quebra na caixa de câmbio) e o desafio de levantar a montadora alemã na F1.

Mas após a definição do futuro, a troca de equipe mais importante da categoria desde a ida de Alonso para a McLaren em 2007, em alguns momentos um arrependimento pairou no ar. Um clima de ‘agora já foi, mas não seria ruim se eu ficasse por aqui’, por parte de Lewis. De ‘não quer mesmo voltar atrás’, por parte da McLaren.

A festa pela vitória no GP dos Estados Unidos e a despedida em Interlagos reforçaram isso. Tudo isso deixou uma certeza: de que a porta continua aberta.

4) Schumacher na pole e no pódio

O 2012 de Michael Schumacher começou bem mais promissor do que os anos anteriores de sua passagem pela Mercedes. Já na primeira corrida, o GP da Austrália, largou na segunda fila. Na China, largou ao lado de Rosberg na fila da frente. Mas foi só em classificações que a coisa pareceu boa para ele.

Monaco GPSaturday 26th May 2012Photo: Crispin Thruston

Nas corridas, aconteceu de tudo para não deixá-lo alcançar bons resultados: quebra de câmbio, de asa móvel, de bomba de combustível, trocas de pneus desastrosas, dois acidentes infantis pelos quais Schumi acabou punido na corrida seguinte… Os domingos não foram os melhores para o heptacampeão.

Tanto é que seu melhor momento desde 2010 veio num sábado, numa tarde ensolarada em Monte Carlo. De repente, no fim do Q3 nas ruas do Principado, seu nome apareceu na primeira posição. Pole-position para Michael, a 69ª da carreira. “P1, Michael, P1”, deve ter ouvido pelo rádio. Lembrou-se dos velhos e bons tempos. Comemorou, deu entrevista como primeiro colocado e tudo. Só que não foi o pole-position, porque estava punido em cinco posições no grid de largada pela pancada que deu em Bruno Senna no GP da Espanha. Largou só em sexto =(

Duas corridas depois, em Valência, contou com um pouco de sorte para fazer mais uma festa. Terminou a corrida espanhola no pódio, o único pódio de seus três anos com a Mercedes. Era para ele ter sido sétimo, não fossem os alternadores de Vettel e Grosjean e a cagada que Pastor Maldonado fez ao tirar Hamilton do pódio a duas voltas do fim. Não importa. Lá foi o grande Schumacher para o pódio de novo, ao lado de um emocionado Alonso e de um aparentemente indiferente Kimi Räikkönen.

3) Romperam o lacre do Massa

Essa notícia vai ser lembrada, negativamente, por muito tempo. A Ferrari rompeu o lacre do câmbio de Felipe Massa no GP dos Estados Unidos apenas para deixar Fernando Alonso do lado limpo da pista em Austin, já que a largada seria complicada – as condições da pista e dos pneus eram extremas.

2012-coreia-R-ferrari-massa-smedleyNessas horas a Ferrari se supera. É impressionante. Não bastassem trocas de posição desnecessárias, desta vez ela puniu o próprio piloto para deixar seu principal em uma melhor condição.

Tá, é verdade, é um negócio e a Ferrari precisava do título. Queria muito o título e sabia que, numa situação normal, não conquistaria. Mas a F1, queiram ou não, ainda é um esporte, não somente um negócio. E o que a Ferrari fez com Massa interferiu não apenas na prova dele e de Alonso, interferiu na prova de meio grid, que precisou mudar de lado para o momento da largada por conta do interesse de um. Essa vai ficar marcada como uma das maiores atitudes antidesportivas da história.

Sobre Felipe Massa, é preciso destacar sua reação no segundo semestre. Pontuou nas dez últimas provas do ano, foi ao pódio duas vezes e ajudou bastante Fernando Alonso. Fez bem o papel de escudeiro, que foi o que lhe restou em 2012. Andou que nem em seus bons tempos. E, no fim, chorou, por tudo o que passou, pela volta por cima que deu, algo que não parecia ser possível. Deu uma lição, não de pilotagem, mas de vida.

2) A confusão da Curva do Lago e a consagração de Vettel

Sebastian Vettel ao contrário na pista, parado de frente para Narain Karthikeyan, Vitaly Petrov e Pedro de la Rosa é outra coisa que será difícil de esquecer. O cara chega a Interlagos, a última corrida, como líder do campeonato. Uma das decisões mais tensas de todos os tempos, que consagraria um novo tricampeão mundial, e ele é acertado por Bruno Senna no meio da primeira volta. É criar drama demais. É um momento simbólico, como foi a falha na embreagem de Ayrton Senna na largada do GP do Japão de 1988.

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Aí vai lá o alemão, com o carro danificado mesmo, se recuperar de maneira impressionante. Quando a TV o mostrou novamente, ele já estava em sétimo ou oitavo lugar. Como??

Talvez o tricampeonato seja a principal maneira pela qual um piloto pode se consagrar. Não ganhou mais só porque tem um bom carro, ou porque faltaram adversários, ou por circunstâncias. Ganhou três vezes. Ganhou, pela terceira vez, sem ter o melhor carro – o melhor do ano foi a McLaren. Vettel e a Red Bull souberam aproveitar o momento em que eram melhores para disparar. Tiraram o máximo destas oportunidades. E Vettel também soube se dar bem quando não tinha o melhor equipamento, ou então se recuperar em situações adversas, como foram as provas de Abu Dhabi e do Brasil.

1) Sete vencedores em sete corridas

Isso foi algo inédito na F1, e foi muito por conta disso que a temporada de 2012 acabou se tornando a melhor da história. O equilíbrio apresentado se deu por causa da imprevisibilidade dos pneus da Pirelli, que deixaram todos sem saber direito o que fazer ou o que esperar dos compostos. Logo, tivemos a oportunidade de ver sete festas diferentes nas sete primeiras corridas do ano, e uma oitava festa que foi marcante:

Jenson Button e a McLaren começando o ano dominantes na Austrália; Fernando Alonso e a Ferrari vencendo um improvável GP da Malásia; na China, Nico Rosberg e a Mercedes enfim desencantaram; o campeão voltou ao alto do pódio no GP do Bahrein; Pastor Maldonado surpreendeu tudo e todos ao vencer o GP da Espanha e dar à Williams sua primeira vitória em oito anos; Mark Webber manteve a sequência e faturou o GP de Mônaco pela segunda vez na carreira; e Lewis Hamilton, que havia batido na trave algumas vezes antes, demorou, mas triunfou em Montreal, no GP do Canadá.

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Aí veio Fernando Alonso, de volta à Espanha, em Valência, e chorou com uma vitória épica diante de sua torcida, no delicado momento que seu país-natal vive, e se tornou o primeiro piloto a vencer duas provas em 2012. Assumia, após oito provas, a liderança do campeonato, algo que ninguém esperava no começo do ano, dado o fraco desempenho da F2012.

Vai ser difícil ter outro começo de ano como esse. Também vai ser difícil ver outro ano como esse.

Menção honrosa para Rubens Barrichello, que nos últimos meses viveu muitas experiências novas. Deixou a F1 como o mais longevo de todos os tempos e rumou para a Indy, onde fracassou. Esperava-se muito dele, mas o conjunto Barrichello-KV não conseguiu ir além de um quarto lugar na etapa de Sonoma, a antepenúltima do ano. Aí ele veio para a Stock Car, onde largou duas vezes entre os dez primeiros, embora nem nas posições da zona de pontuação tenha terminado as provas que terminou. Mas gostou e, por isso, vai continuar aqui, no Brasil. E talvez vire repórter. Gostou da experiência, e foi bem, diga-se, quando convidado da Globo no GP do Brasil.

Uma despedida para Lewis


SÃO PAULO, 10h46 – A relação de Lewis Hamilton com a McLaren pode não ter sido das melhores durante este ano. Foram alguns atritos, reclamações daqui, reclamações de lá, discusssões públicas, negociações que não andaram… Mas, no fim, ninguém saiu brigado. Certamente gostariam de continuar juntos. E ontem a McLaren divulgou este vídeo, com pessoas que atuam nos bastidores da equipe mandando o seu adeus (ou até breve?) para Hamilton, que já iniciou os trabalhos como piloto da Mercedes na fábrica da equipe alemã.

Perícia pura


SÃO PAULO, 17h22 – É impressionante como o carro de Sebastian Vettel aguentou seguir na pista depois do acidente com Bruno Senna na primeira volta. Ainda mais olhando para essa foto acima, que mostra a roda do brasileiro acima da roda do alemão. Pois ontem Felipe Massa foi ao ‘Bem, Amigos’, do SporTV, e deu uma explicação interessante e plausível.

Quando rodou e se viu de frente para os temíveis Pastor Maldonado, Romain Grosjean e Narain Karthikeyan, Vettel não colocou o pé no freio. Deixou o carro solto, rolando morro abaixo – pode não parecer pela TV, mas tem uma declive ali na curva do Lago, bem razoável se você estiver a pé, diga-se; de carro, é quase nada. Nisso, quando a roda dianteira direita de Senna acertou a traseira direita de Vettel, que ainda girava, no sentido contrário ao normal, o carro decolou sem causar dano à do alemão.

Ainda sobre suspensões, talvez isso explique porque a de Lewis Hamilton quebrou no impacto com Nico Hülkenberg. Ele travou o dianteiro esquerdo na freada do S do Senna para não estampar a traseira da Caterham do Vitaly Petrov. Estava com o pé no freio. E foi a traseira da Force India que bateu na McLaren, um peso muito maior do que se a batida fosse frontal. Aí aconteceu outra coisa impressionante: como o carro de Hülkenberg não quebrou depois dos saltos que deu? Ainda procuro uma explicação para isso.

Voltando ao bólido rubrotaurino, não foi da batida que surgiu o buraco que vimos no escapamento da Red Bull. Foi da primeira, do lado esquerdo do carro. A equipe estava preocupada. Foi no limite. Mais um pouco, já era. Tiveram até que mudar o mapeamento do motor, para deixar o escapamento mais frio e diminuir o risco. E mesmo assim Vettel conseguiu chegar inteiro até o fim da corrida para ser tricampeão.