MEA CULPA


2014-f1-test-jerez-vettel-xavibonillaSÃO PAULO | Em meio a todas as perguntas que o péssimo desempenho da Red Bull em Jerez de la Frontera gerou, Adrian Newey veio ao público para admitir que a culpa não é só da Renault: a RBR também tem responsabilidade no fiasco andaluz. Os gênios também cometem erros.

Newey explicou que o RB10 teve dificuldades para refrigerar a unidade de força produzida pela Renault, como já se acreditava. Daí aquele buraco feito na lateral do carro no último dia de treinos, um ato emergencial para tentar dar ao time alguma quilometragem a mais. Não deu certo: foram somente 21 voltas em quatro dias de atividades. Não é nem metade de um GP.

Além disso, também não está sendo fácil acomodar todas as estruturas do novo propulsor dentro do carro. Como se sabe, as novas unidades de força são consideravelmente mais pesadas que os V8 aspirados que eram usados até o ano passado. Há, ainda, o ERS e suas baterias. O que compensa um pouco esse crescimento é o tanque de combustível menor, com capacidade para 100 kg.

As palavras de Newey à revista ‘Autosport’:

“É um problema que esperamos que possamos resolver até o Bahrein. Foi realmente falta de tempo. Era algo que poderíamos ter checado no dinamômetro se tivéssemos conseguido terminar tudo mais cedo. A Renault não ajudou com o uso deles do dinamômetro, nós não ajudamos fazendo as peças a tempo. Acho que se tivéssemos mais algumas semanas, isso tudo poderia ter sido feito de forma privada no dinamômetro, mas, infelizmente, foi feito em público.

Os motores Renault parecem ter uma grande exigência de resfriamento. Todas as três fabricantes de motores terão uma meta diferente do quão quente o fluxo de ar vai voltar para a câmara, e a Renault nos deu uma meta bem desafiadora, com todos os tipos de vantagens se conseguirmos chegar lá, mas não é fácil de alcançar isso.”

adrian-neweyDois pontos interessantes:

  1. A tal exigência de resfriamento desafiadora dos motores Renault. Ou seja, a Renault arriscou e, em cima disso, a Red Bull arriscou, tentando achar o limite para minimizar a perda aerodinâmica gerada pelas unidades de força. Em parte, isso está relacionado ao aumento das entradas de ar laterais. Outra mudança do regulamento obriga o escapamento a ter saída única na parte central da traseira do carro, e a traseira do RB10 é estreita.
  2. Faltou tempo, e aí começo a pensar: será que a Lotus pode se sair melhor por isso? (Aqui, não importa se a ausência nos treinamentos é explicada por razões técnicas ou financeiras). O time de Enstone ficou em casa e ganhou três semanas a mais para trabalhar no E22. Está fazendo dentro de quatro paredes o que as outras equipes parceiras da Renault fizeram aos olhos do mundo em Jerez.

Já se falou em rompimento das duas equipes da Red Bull com a Renault — Giancarlo Minardi levantou a bola. Não acredito que já estejam pensando nisso, mas é algo, sem dúvida, que será considerado no decorrer da temporada caso a Renault não solucione seus problemas — que envolvem principalmente a parte eletrônica. A F1 é assim, e várias parcerias de sucesso já acabaram do dia para a noite.

Quarta-feira começa a segunda bateria de treinos coletivos da F1 2014. A Red Bull vai tentar esconder algumas coisas, mas não vai ser fácil, e vamos ficar de olho no quão modificado o RB10 estará — prestem atenção nas entradas de ar laterais, acima da cabeça do piloto e na parte traseira do carro.

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F1 GONZA


gonzoSÃO PAULO | Estou de férias e, portanto, só acompanhando por cima essa semana de lançamentos da F1. Deu para notar que a categoria vai ser um tanto gonza esse ano, com essa nova regra referente à altura do bico dos carros. Os carros ficaram um tanto esquisitos. Culpa da FIA, que fez um regulamento que restringe em vez de obrigar a criarem coisas novas: não adianta limitar a altura máxima, é preciso bloquear alguns conceitos para evitar esses bico-de-tamanduá na frente dos bólidos — ou as pernas abertas, no caso da Lotus.

Até agora, o carro que mais gostei foi o da McLaren, mas a pintura da Force India também agradou. Force India, aliás, tem mudado bastante seus esquemas de cores, como o Rodrigo Berton mostra aqui.

WHITMARSH, BRAWN, BOULLIER, MICHAEL…

Como estou de férias e quero ir andar de bicicleta, vou ser preguiçoso e escrever neste post mesmo. Não é oficial, mas Martin Whitmarsh está mesmo fora da McLaren. O cara não apareceu no anúncio do novo carro. Precisa de mais para saber que não vai continuar?

Sem Martin, estamos todos curiosos para saber quem será o quinto chefe de equipe da história da McLaren. Embora Ron Dennis esteja mandando em tudo de novo em Woking, ele não quer voltar a controlar o time no dia-a-dia. Deve contratar ou remanejar alguém para o cargo. Os mais cotados são três: Ross Brawn, Eric Boullier e Sam Michael.

Brawn vem sendo especulado na McLaren há algumas semanas, mas os outros dois nomes ganharam força nos últimos dias. Primeiro, o site ‘F1 Today’ disse que o atual diretor-esportivo será promovido a chefe. Nesta sexta, a ‘Autosport’, mais confiável, cravou que Boullier deixou a Lotus para comandar a McLaren.

Boullier esteve na Lotus/Renault desde a saída de Flavio Briatore. Seu trabalho foi ótimo. Manteve o time em um bom nível, apesar de contar com um orçamento menor, venceu duas corridas com Kimi Räikkönen e terminou com a terceira posição no Mundial de Pilotos em 2012. Mas a casa está caindo lentamente em Enstone. Kimi saiu, James Allison saiu, vários outros engenheiros foram embora, e agora chegou a vez de Boullier. Não está disposto a passar perrengue. Gerard Lopez, o dono da brincadeira, é quem vai trabalhar como chefe de equipe, numa decisão emergencial.

Pitaco meu: Brawn seria o ideal, e Boullier ainda é uma aposta melhor que Michael.

Estamos testemunhando um estranho momento em que a F1 vive mais trocas de comando do que os times do futebol brasileiro — tá, daqui três semanas já teremos mais técnicos demitidos aqui no Brasil do que na F1.

Adendo: A comparação com o Gonzo é livre para todos os públicos. Se você é maior de 18 anos, clique aqui e veja outra imagem que se assemelha aos bicos dos carros de 2014.

AS DUPLAS DA F1 2014


SÃO PAULO | Está definido o grid da F1 2014. Foram anunciados na última terça-feira os dois pilotos da Caterham, Kamui Kobayashi, que volta à categoria após uma temporada, e o sueco Marcus Ericsson. Aproveitei a ocasião para fazer um ranking das que considero as melhores — e as piores — duplas da temporada. Vamos lá.

1) FERRARI — ALONSO E RÄIKKÖNEN

Clar0 que a melhor dupla é a única que tem dois campeões mundiais. Será a mais interessante de se observar, também. Depois de Vettel, esses foram os dois melhores pilotos da F1 nos últimos dois anos e, se não entrarem em rota de colisão — e, obviamente, a Ferrari construir um bom carro — serão os dois que mais chance terão de quebrar a hegemonia do alemão. Alonso e Kimi somam 52 vitórias na carreira, mais do que qualquer outra dupla do grid.

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2) MERCEDES — HAMILTON E ROSBERG

Hamilton e Rosberg trabalharam muito bem em conjunto em 2013. Sã0 dois pilotos de estilos diferentes, mas que, no final, terminam com o mesmo tempo de volta. Embora tenha vencido somente uma corrida no ano passado, o primeiro na Mercedes, o inglês é um piloto que sabe ganhar GPs — ganhou ao menos um em todas as temporadas em que competiu na F1. Rosberg é bom piloto, meio low profile dentro do time, mas, mesmo fora dos holofotes, é capaz de conquistar ótimos resultados e forçar Hamilton a elevar o nível para vencer a batalha interna.

3) RED BULL — VETTEL E RICCIARDO

De Sebastian Vettel, não é preciso falar nada. Daniel Ricciardo é que tem muito a provar em 2014. O australiano subiu para a Red Bull e agora tem a obrigação de andar na frente e vencer GPs. Acredito que será capaz de fazê-lo. É um piloto rápido, deve conseguir bons resultados em treinos classificatórios e aí terá a missão de se manter nas primeiras posições aos domingos — não foi o seu ponto forte enquanto esteve na Toro Rosso.

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4) McLAREN — BUTTON E MAGNUSSEN

Aqui o quinto campeão mundial do grid junto do promissor novato que a McLaren resolveu efetivar. Button é capaz de liderar uma equipe, já mostrou isso em mais de uma oportunidade, mas tenho a impressão de que ele precisa de um companheiro que represente um desafio. Magnussen é muito bom. Bem melhor que o pai. A questão é que ele vai estrear na F1 sem ter andado decentemente com o carro, testou somente nos simuladores. Ainda assim, acredito que seja uma boa aposta.

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5) WILLIAMS — MASSA E BOTTAS

Um bom conjunto que pode dar certo. Bottas foi o melhor estreante de 2013 e mereceu a chance de continuar na F1 na Williams. Mostrou talento, esse finlandês. Massa talvez tenha mais a provar do que o colega, mas também tem capacidade para mostrar que pode liderar uma equipe. Fora da Ferrari e sem a companhia de Alonso, o brasileiro pode voltar a ser aquele piloto que foi até 2009 — mas é só dentro da pista que veremos quanto a mudança de equipe vai servir de impulso para essa recuperação pessoal.

6) FORCE INDIA — HÜLKENBERG E PÉREZ

Nico Hülkenberg, o zicado-mor da F1, terminou 2013 mostrando todo o seu potencial. Sergio Pérez, nem tanto. Acabou dispensado pela McLaren. É uma dupla que pode render bons frutos para a Force India. É ao menos melhor do que a do ano passado (Hülk melhor que Di Resta e Pérez melhor que Sutil).

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7) LOTUS — GROSJEAN E MALDONADO

Não me parece que essa é uma dupla que vai trabalhar bem em conjunto. Romain Grosjean andou bem demais no fim de 2013 e tem capacidade de liderar a Lotus — vai depender só de como o carro vai se comportar. E como Maldonado vai se comportar. O venezuelano até é rápido, mas teve um ano difícil em 2013 e precisará mostrar superação, além de cabeça no lugar para lidar com um rival que tem total condição de andar à frente.

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8) TORO ROSSO — VERGNE E KVYAT

Jean-Éric Vergne tem um bom ritmo de corrida e, a julgar pelo o que aconteceu com outros pilotos da Red Bull, deve ter sua última chance na Toro Rosso neste ano. Ninguém correu lá por mais de três anos. Ou seja: precisará mostrar mais do que mostrou no início da carreira na F1 para provar que pode, quem sabe, ser promovido à RBR em algum momento ou, ao menos, garantir vaga em outro time. Só que, para isso, terá de bater um promissor Daniil Kvyat, que terá de se adaptar a um carro mais potente do que qualquer outro que já pilotou. Olho no russo.

9) CATERHAM — KOBAYASHI E ERICSSON

Kobayashi, que está voltando à F1, já conhecemos. Rápido, capaz de dar show, só vai ser difícil isso acontecer com ele pilotando a Caterham. Junto dele está o sueco Marcus Ericsson, novato de quem podemos esperar mais do que Charles Pic e Giedo van der Garde, ainda que não muito.

10) SAUBER — GUTIÉRREZ E SUTIL

Se o carro for bom, esses dois até podem conseguir bons pontos e resultados melhores, mas ficam na leva dos piores do grid de 2014.

11) MARUSSIA — BIANCHI E CHILTON

Jules Bianchi foi bem em 2013, Max Chilton, nem tanto, embora tenha completado todas as 19 corridas — um recorde. Até dá para imaginar Bianchi conseguindo algo mais notável, mas a dupla em si considero a mais fraca do grid.

#FULLBRAZILIAN


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O legal da Lotus é que eles estendem as gracinhas do Twitter ao carro também. Essa é a hashtag que a equipe está usando para o GP do Brasil, em Interlagos. (Para quem não sabe, é o nome que os gringos dão para depilação íntima feminina).

UMA VOLTA POR CIMA FORA DAS PISTAS


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SÃO PAULO | Demorei um pouco para conseguir arranjar tempo para escrever aqui no blog – que anda bastante empoeirado – sobre a saída de Felipe Massa da Ferrari. O lado bom disso é que deu para observar várias reações à notícia de que, após oito temporadas, o brasileiro não vai mais correr pela equipe mais vencedora da F1. Admito que fiquei impressionado com como a maioria dessas reações foi positiva.

Não quero, de forma alguma, menosprezar Massa. Pelo contrário. Fiquei surpreso porque, desde o início de 2010, ele andou muito abaixo do que se esperava dele e muito menos do que outros pilotos de ponta da F1. Mas ele saiu da Ferrari pela porta da frente, e o anúncio, por incrível que pareça, deu uma levantada na imagem de Massa. Ainda foram feitas homenagens pela própria equipe e também por Alonso.

A própria imprensa europeia está fazendo elogios ao paulista. Li, hoje, na Autosport, um texto muito bom do Edd Straw: “Não esqueçam o quão bom Massa foi.”

Uma volta por cima fora das pistas. Acho que dá para resumir assim.

Deixar a Ferrari como o segundo piloto que mais defendeu o time é uma marca respeitável. Até porque Maranello costuma ser um ambiente um pouco hostil para os pilotos. A pressão por resultados é enorme. E, quatro temporadas, os resultados de Massa foram ótimos. Ótimos mesmo.

2006 foi um ano de adaptação. Não era para se esperar que ele fosse bater Michael Schumacher. Mas, observando o alemão, ele aprendeu direitinho. Foi terceiro no campeonato, marcou três poles, ganhou duas corridas e, mais do que isso, moral. A festa feita no GP do Brasil o deixou ainda mais confiante para fazer frente a Kimi Räikkönen em 2007.

E 2007, ao contrário do que muita gente pensa, foi, sim, um bom ano. Massa venceu no Bahrein e na Espanha para começar o ano bem. Na Espanha, teve aquela dividida de curva com Fernando Alonso que mostrou: “Estou aqui para ser campeão. Não vou amolecer.” Ele tornou a brigar com o espanhol em Nürburgring. Venceu de novo na Turquia e, no GP da Itália, estava à frente de Räikkönen. Foi então que uma falha na suspensão acabou com seu fôlego na luta pelo título.

De 2008, não tem nem muito o que falar. Três corridas ruins, várias boas, algumas impecáveis. Seis vitórias. E nada de tremer na hora mais importante: a decisão, em Interlagos. Massa fez tudo o que podia para ser campeão. Hamilton também. Os dois mereceram demais e foi um detalhe que definiu tudo.

Mesmo em 2009, Massa foi bem. O carro era ruim, mas ele estava melhor que Räikkönen e arrisco dizer que tinha uma boa chance de vencer na Hungria. Ah, a Hungria.

Mas a confiança no brasileiro era tanta que a Ferrari optou por romper com Kimi, que tinha contrato até o fim de 2010, para renovar com Felipe, cujo vínculo acabaria em 2009.

De lá para cá é que o jogo começou a virar. Na companhia de Fernando Alonso, os resultados não foram os mesmos. E pode ser até ingenuidade minha, mas tenho a impressão de que o espanhol se tornou o grande problema de Felipe. Por mais que ele tentasse, não conseguia ficar à frente. Não tem jeito, a autoconfiança vai diminuindo. Quando você tem a chance de se recuperar, ouve a mensagem de rádio mais famosa da história da F1.

Para não dizer que nada de bom aconteceu, houve o fim de 2012. Uma boa arrancada depois do momento mais delicado de Massa, em termos de performance. A coisa não ia nas primeiras corridas. Na Inglaterra, ele começou a reagir, uma reação coroada com o pódio no Brasil e serviu de impulso para um bom início de 2013.

Agora, a saída de Massa representa um fenômeno curioso: ao mesmo tempo em que o valor de mercado caiu – ele não deve conseguir um contrato bom como o que tinha na Ferrari –, o respeito aumentou. A Lotus, ao que parece, vai escolher entre ele e Nico Hülkenberg. E aí Felipe, que saiu da Ferrari ressaltando o sonho em ser campeão, vai ter a chance de dar uma volta por cima dentro das pistas também, mesmo que não realize esse sonho.

Aliás, isso pode acontecer daqui até o fim do ano. Sem preocupação, sem pressão, ele tem sete corridas para mostrar que merece continuar na F1. E se não conseguir um lugar no grid de 2014, terá, ao menos, se despedido em grande estilo.

Os pneus são ruins, mas mudá-los agora é errado


kimi

SÃO PAULO | 12h32 | Acho que ninguém está contente com os pneus que a Pirelli fabricou para a temporada 2013. Nem ela está, após as primeiras cinco corridas do ano. São ruins, desgastam demais, estão gerando provas confusas, reclamações de todos os lados e, por isso, serão mudados para o GP do Canadá. O que é errado.

Desde que entrou na F1, a Pirelli recebeu uma orientação: façam um pneu com desgaste elevado para deixar as corridas mais movimentadas. 2011 começou de maneira semelhante a 2013, corridas com quatro paradas nos boxes. Aos poucos, os times foram aprendendo a lidar com a situação, e o número de pit-stops, diminuindo.

No ano passado, o desgaste foi mais baixo, as corridas, boas, só que, no fim do ano, a estratégia predominante nas provas era de um pit-stop. Número considerado baixo.

Por isso, para este campeonato, a Pirelli resolveu ousar, mudar a estrutura dos compostos. Pensou que, se as equipes passassem um perrengue maior no início do ano, as provas do fim do ano teriam uma média de duas a três paradas para trocas de pneus. Raciocínio válido, mas erraram na medida.

Enfim. Mas por que mudar os pneus agora é errado? Todos sabiam, desde o meio do ano passado, que os pneus de 2013 seriam menos duráveis. Todos construíram seus carros sabendo disso. Nem todos obtiveram êxito nessa tarefa.

A Lotus e a Ferrari, sim. Elas realizaram um trabalho melhor que as rivais e estão colhendo os frutos disso. Ainda assim, não ocupam a liderança do campeonato, que é da Red Bull, a equipe que mais reclama. Claro que o líder do campeonato reclamar é um indício de que tem algo errado, mas nota-se que o protesto está um tanto desproporcional justamente pela tabela de pontuação.

Mudar é errado porque a chance de todo o esforço da Lotus e da Ferrari serem jogados fora é grande. A Pirelli garante que as alterações na composição dos compostos não vão afetar tanto o equilíbrio de força. Claro que, se o E21 e a F138 poupam bem os pneus, devem continuar fazendo isso. Contudo, é uma chance para a Red Bull encontrar sua melhor forma e fazer o RB9 render ainda mais, dar a oportunidade para os rubrotaurinos dispararem rumo ao tetra.

Por mais que os compostos durem pouco, mais justo para todos é manter as coisas como estão.

O futuro de Räikkönen


SÃO PAULO | 10h58 | A saída de James Allison da Lotus pode acabar mudando também o futuro de Kimi Räikkönen em Enstone. Muito tem se falado de uma eventual ida do finlandês para a Red Bull, para ocupar o lugar de Mark Webber, mas o time inglês está disposto a segurar seu principal piloto.

Só que, junto de Allison, lá se vai um trunfo da Lotus para tentar segurar Kimi. Ontem mesmo, Gérard Lopez deu uma entrevista dizendo que, enquanto sua equipe tiver um bom carro, Kimi fica. Aí, no dia seguinte, o responsável pelo projeto que garantiu o terceiro lugar no Mundial de Pilotos de 2012 e já ganhou corrida em 2013 vai embora.

Dizem que Räikkönen tem ações da Lotus desde que retornou à F1, no ano passado, mas, até pelo tom das declarações dos dirigentes, isso não faria diferença na hora de tomar uma decisão.

O substituto na direção-técnica, já apresentado, será Nick Chester. E o trabalho dele no desenvolvimento do E21 ao longo deste ano será decisivo para a permanência do finlandês. Räikkönen quer ser campeão de novo, parece ter chances em 2013. Se a Lotus perder terreno em relação às concorrentes, a chance de também perder Kimi é alta. E a Red Bull está ali, esperando uma definição, sem contar que a Ferrari, possível destino de Allison, pode ter uma vaga aberta para 2014.

Lotus E21


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SÃO PAULO – Nasceu o primeiro carro que vai ser usado no Mundial de F1 de 2013. No fim desta tarde, pelo YouTube, a Lotus mostrou a todos a ‘sexy’ E21. Carisma demais esse time. Pouco antes, imagens já haviam caído na net – já que eram para ser fotos sexy, nada mais normal.

Para a raiva de muitos, o degrau no bico está lá. Perguntaram-me sobre no Twitter, respondo aqui também: criaram uma forma de ocultá-los, mas é opcional. A Lotus preferiu deixar ele lá. A tampa para o degrau implica em algumas valiosas gramas extras de massa, só que pode ser que resolvam usá-la ainda, se isso gerar algum benefício. Mas eu nem estranho mais, talvez esteja acostumado. Talvez seja exceção.

O que mais chama a atenção no carro são os detalhes em vermelho na lateral, na asa dianteira e no santântonio. Na asa traseira já tinha no ano passado.

Aerodinamicamente, nada demais. É basicamente uma evolução do que existia no ano passado, o que devemos notar em outros carros. Desta vez, resolveram usar o efeito Coanda no escapamento. A Lotus também cogita usar um sistema de DRS passivo, que será testado antes do GP da Austrália.

Antes que eu me esqueça, Davide Valsecchi será o terceiro piloto. O italiano furou fila e tirou Jérôme D’Ambrosio do pit-wall. Agora é ele o primeiro suplente em caso de necessidade, seja por coisa ruim ou por trapalhadas de Romain Grosjean. O belga vai ficar mais tempo na fábrica desenvolvendo o carro que será usado em 2014.

How u doing?


SÃO PAULO, 13h04 – Mais uma coisa genial da Lotus. Para divulgar o lançamento do novo carro, o E21, que acontece nesta segunda-feira (28), mandaram Joey Tribbiani, de Friends, entrevistar Kimi Räikkönen. Eu tinha certeza que o vídeo começaria com um “Hey, Kimi, how u doing?”.

Cinco coisas para prestar atenção na F1 em 2013


SÃO PAULO, 14h21 – Na carona do post anterior, neste dia lindo e pimposo de Ano Novo, listei cinco coisas que podemos ou devemos esperar na F1 em 2013. Coisas que podem ser fundamentais no desenrolar do Mundial deste ano ou que podem acabar ganhando destaque. Eu posso ter deixado algumas coisas de lado, mas aí vocês podem me ajudar nos comentários. Usem-nos para citar mais coisas.

5) Um Grosjean melhor

2012-monaco-grosjean-lotusO ano de 2012 de Romain Grosjean foi bom. Já o elogiei outras vezes aqui no blog, afinal, para um novato, subir ao pódio em três ocasiões é representa um bom trabalho. O problema foram os muitos acidentes, que também foram julgados exageradamente, já que apenas duas punições lhe foram aplicadas por motivos desportivos ao longo do campeonato. Ele ainda admitiu que alguns de seus erros foram cometidos porque estava tentando, a todo custo, uma vitória.

A frase que segue é do próprio franco-suíço (e de muito mais gente, também, é claro): “Quando você faz uma coisa pela segunda vez, tende a fazer melhor”. É por isso que acredito que Grosjean terá um 2013 ainda melhor do que foi o ano de 2012.

4) Um Felipe Massa melhor?

2012-brasil-R-massa-CARSTEN HORSTFelipe Massa terminou 2012 em alta. Conseguiu se recuperar do péssimo começo de ano – aliás, escrevi disso no post anterior, é só descer a página. O que estou curioso para saber é como que Felipe vai chegar em 2013? Andando no mesmo ritmo ou até mesmo melhor que Fernando Alonso, como fez em pelo menos quatro provas da reta final do último campeonato?

Seria bom ver Felipe Massa no pódio constantemente. Até mesmo vencendo corridas. O automobilismo brasileiro está precisando disso. Precisa de muito mais, é verdade, e não são eventuais bons resultados do piloto da Ferrari que vão resolver os muitos problemas existentes por aqui, mas elas iriam, ao menos, servir como um paliativo. Seria alguma cosia dando certo enquanto o resto não se resolve o resto. Tudo, é claro, vai depender do que será da F2013.

3) Hamilton na Mercedes e Pérez na McLaren

Motorsports: FIA Formula One World Championship 2012, Grand Prix of SingaporeAs duas trocas de pilotos mais importantes para esta temporada de 2013 serão motivo para muitas avaliações ao longo do ano. E será bastante interessante mesmo ver como eles vão se sair em suas novas casas.

Hamilton, na Mercedes, não terá nas mãos um carro capaz de vencer corridas, como sempre teve na McLaren – pelo menos não é isso que se espera. Porém, ele já mostrou ser um piloto capaz de vencer mesmo quando estava em condições de inferioridade, por isso eu penso que Lewis poderá, sim, triunfar em 2013. Pode não disputar o título, mas eventuais vitórias serão o primeiro passo da reconstrução que o inglês deseja liderar na Mercedes.

Pérez, escolhido como substituto, deu um passo a frente em sua carreira. Resta saber se conseguirá se manter neste novo patamar, se se consolidará como um piloto de ponta na F1. Desde que foi anunciado pela equipe inglesa, o mexicano nunca mais pontuou. Mas fala em disputar o título neste ano, o mínimo que pode fazer como piloto da McLaren. Meu palpite: assim como Hamilton, vence em 2013. E as grandes provas que fez em 2012 animam.

2) Pneus Pirelli mais agressivos

Formula One World Championship, Rd 6,  Monaco Grand Prix, Practice Day, Monte-Carlo, Monaco, Thursday 26 May 2011.Foram os pneus da Pirelli os grandes responsáveis pelo equilíbrio e pela imprevisibilidade do começo do campeonato de 2012. Sete vencedores em sete corridas… parecia até irreal. E é isso que a fabricante italiana quer repetir neste novo ano. Desta vez, desde o começo, já é bom ficarmos de olho para ver quem vai se adaptar melhor aos compostos, que serão mais agressivos.

O projeto de 2013 dos pneus visa a construção de compostos que sejam mais fáceis de se aquecer, porém, sua estrutura será de mais difícil compreensão, bem como o desgaste. Um enigma criado pela turma de Paul Hembery para as equipes desvendarem.

Outra coisa que a fabricante quer é aumentar o número de pit-stops na reta final do campeonato. Não demasiadamente, para não tirar dos melhores pilotos o foco na disputa pelo título, mas para manter as corridas emocionantes. Em 2012, a média de pits por piloto foi de 1,9. O desejo da Pirelli é retornar ao que foi visto em 2011, algo em torno de 2,3.

1) Quem superará a Red Bull?

Ou melhor: alguém superará a Red Bull?

O tricampeonato consecutivo coloca a Red Bull à frente de outras equipes que se destacaram na F1, mas por pouco tempo. São exemplos disso Tyrrell, Brabham, Benetton e Renault, times que conquistaram dois títulos num curto espaço de tempo, porém, não conseguiram repetir o sucesso com a saída dos principais responsáveis pelas vitórias.

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Pelo contrário. O pessoal das latinhas energéticas seguirá o mesmo no próximo ano. Horner não vai sair para a Mercedes, Adrian Newey continua por lá, e Sebastian Vettel também. O tripé que sustentou o tri segue intocável e disposto a conquistar mais e mais taças.

E embora o time tenha admitido que, dada a preocupação com a disputa de 2012, o desenvolvimento do bólido de 2013 tenha ficado um pouco prejudicado, não existem grandes mudanças técnicas para o próximo ano, logo, isso não deve ser muito difícil de contornar. E é justamente por isso que vejo a McLaren como principal candidata para desbancar a hegemonia rubrotaurina. A Ferrari, por sua vez, precisará trabalhar muito mais do que as outras no desenvolvimento de seu carro, que não foi bom em 2012, e não dá para confiar apenas em Fernando Alonso, também é preciso dar um bom pacote técnico ao espanhol.