VETTEL MUDANDO A F1


VettelSÃO PAULO | A FIA deixou a caretice de lado e acrescentou um adendo ao regulamento da F1: o vencedor do GP agora pode executar um “ato de celebração” antes de retornar ao Parque Fechado, desde que não ofereça risco aos demais competidores, que esse ato não resulte em infrações ao regulamento técnico e que não atrase a cerimônia do pódio.

Tudo por causa do que Sebastian Vettel fez nas provas derradeiras de 2013, começando pelo GP da Índia. Em Buddh, o alemão foi multado porque largou o carro no meio da pista em vez de conduzi-lo até o Parque Fechado. O episódio resultou em diversas críticas à federação.

Nas corridas seguintes, Vettel aprendeu: passou a fazer os zerinhos fora da pista e reconduzir o RB9 aos boxes. As broncas, então, foram só da Red Bull. “Você pode pagar a multa dessa vez”, ouviu de seu engenheiro depois do GP de Abu Dhabi.

De um jeito ou de outro, a FIA mostrou que, às vezes, sabe fazer o que o público quer. Todo mundo gostou de ver os zerinhos de Vettel — e até de Massa, após o GP do Brasil. É algo muito comum nos Estados Unidos e finalmente permitido na F1. Não é só nos recordes que o alemão de 26 anos vai mudando a categoria.

A entidade bem que poderia fazer ouvir o público mais vezes, como não aconteceu com a pontuação dobrada na última etapa, medida mais impopular dos últimos tempos. Ou faz o campeonato inteiro de um jeito que se justifique a pontuação dobrada, ou não faz.

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A F1 NÃO PRECISA DE PONTUAÇÃO DOBRADA


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Se existisse pontuação dobrada em 2013, Vettel seria campeão no GP de Abu Dhabi, uma prova após o GP da Índia (Foto: Red Bull/Getty)

SÃO PAULO | A FIA causou na tarde desta segunda-feira ao aprovar a numeração fixa dos pilotos a partir de 2014, liberar os testes no Bahrein e, o mais importante, revelar que a última corrida da F1 terá pontuação dobrada. Sim, o GP de Abu Dhabi do ano que vem valerá 50 pontos, o equivalente a duas provas. Uma medida que tem como objetivo facilitar que mais pilotos cheguem à decisão podendo ficar com o título e que deve obrigar os pilotos tiverem chances a terminar a corrida nas primeiras posições.

Desnecessário. Desde já, estou torcendo para que o campeão consiga abrir 51 pontos de vantagem no GP do Brasil e deixe a FIA com cara de bunda.

Esse anúncio foi bastante surpreendente, já que ninguém comentou sobre essa proposta antes do comunicado que a federação colocou em seu site há algumas horas. E a repercussão, no geral, tem sido mais negativa do que positiva, pelo o que pude observar por aí.

A F1 sempre se destacou por se colocar acima de tudo e todos, e é o que é justamente porque segue um padrão rígido e bem estruturado que faz dela a elite do esporte. O crème de la crème. A cereja do bolo. O sonho de consumo de quem gosta de automobilismo, não importa qual a área de atuação.

Isso tem seus pontos positivos e negativos. Por um lado, a categoria cria em torno de si algumas limitações bestas, restrições que existem justo porque ela se acha melhor que tudo e todos. E ela é melhor. Por outro, é essa postura que fez a categoria deixar de ser um simples campeonato para se tornar um campeonato de altíssimo nível que movimenta milhões de dinheiros do mundo todo, que a permite a comparação de cada um dos seus eventos com a Copa do Mundo da Fifa. “Uma Copa do Mundo a cada 15 dias”, muitos dizem.

É por uma razão desportiva que sou contra: é um dos princípios de um campeonato de automobilismo que todas as provas tenham o mesmo valor. O GP de Abu Dhabi não deve ser premiado de maneira diferente do GP da Austrália ou do Canadá simplesmente porque é o último do campeonato. Para vencer o GP de Abu Dhabi, não se emprega uma força de trabalho diferente do GP de Mônaco ou do GP da Bélgica. Não é como ocorre com as 24 Horas de Le Mans no Mundial de Endurance, cuja duração é quatro vezes maior que a das outras etapas.

O GP de Abu Dhabi continuará tendo aproximadamente 300 km e um limite máximo de duas horas. Não terá uma programação diferente. Das artificialidades todas que foram criadas nos últimos tempos, essa é pior até mesmo que o DRS, por não seguir um padrão.

Comercialmente, a F1 não precisa de uma medida como essas para se promover. É diferente do que acontece com a Stock Car. Essa sim precisa procurar criar o maior número possível de atrativos para conseguir bons índices de audiência. Conseguiu fazer com que sete pilotos tivessem chances matemáticas de título na última prova de 2013, e a última corrida do ano passado foi um baita evento. Legal. Mas cada categoria precisa saber seu lugar no mercado.

Helmut Marko ainda disse ao Bild que a proposta era dobrar a pontuação das últimas quatro provas. É ridículo. Criem um playoff logo então (não me levem a sério aqui, por favor).

Prefiro que adotem essas medidas sugeridas pela Lotus:

2014-f1-regrasEm 2009, quando a FIA anunciou que o campeão seria o piloto que vencesse mais corridas, a repercussão foi tão negativa que voltaram atrás antes do GP da Austrália. Tomara que o mesmo aconteça (e temos mais tempo para que isso aconteça).

ALONSO, TRIVICE


SÃO PAULO | O quinto lugar no GP dos Estados Unidos garantiu a Fernando Alonso o terceiro vice-campeonato da F1 em quatro anos. Exceção feita a 2011, o espanhol foi o segundo colocado nos títulos de Sebastian Vettel em 2010, 2012 e 2013. Claro que não é nenhum demérito ser vice-campeão, mas é algo que pode incomodar, ainda mais para alguém como ele. Obviamente que ele não gosta de ser “o primeiro dos mortais”, como definiu. E o asturiano foi para a Ferrari achando que ia engordar sua lista de títulos, o que ainda não aconteceu.

Alonso brigou pelo título da F1 em sete temporadas: 2005, 2006, 2007, 2010, 2011, 2012 e 2013. Foi campeão nos dois primeiros anos, terceiro em 2007, quarto em 2011 — e vice nos anos já mencionados.

AUSTIN (TEXAS) 17/11/2013  © FOTO STUDIO COLOMBO X FERRARINa história da F1, apenas cinco pilotos foram vice-campeões três vezes. Eis a lista:

  1. Stirling Moss – 1955, 1956, 1957, 1958
  2. Alain Prost – 1983, 1984, 1988, 1990
  3. Graham Hill – 1963, 1964, 1965
  4. Nigel Mansell – 1986, 1987, 1991
  5. Fernando Alonso – 2010, 2012, 2013

Algumas considerações:

  • Apenas Stirling Moss nunca foi campeão;
  • Nenhum tem mais títulos que vices;
  • Só Alonso e Hill foram trivices depois de serem campeões pela primeira vez;
  • Mansell foi vice três vezes antes de ser campeão;
  • Alonso e Moss são os que perderam três vezes para o mesmo piloto (Vettel e Fangio);

Esse último item é o mais representativo da razão que deve frustrar Alonso ao ponto de ele ter pedido uma Red Bull de aniversário, lá no GP da Hungria. Alonso e Moss foram vice-campeões em uma época em que a F1 era dominada por um piloto. Chegar em segundo faz pensar: “Era para Alonso ser tri ou tetra, não fosse o Vettel”. Assim como foi com David Coulthard, Juan Pablo Montoya, Kimi Räikkönen ou principalmente Rubens Barrichello na época em que só deu Michael Schumacher na F1.

Porém, ao se fazer comentários desse tipo, não se pode desmerecer quem está ganhando. Fangio, Schumacher e Vettel merecem todos os louros pelo o que fizeram nos anos em que foram campeões. E, como eu mesmo já disse por aqui em outras ocasiões, considero Vettel mais piloto que Alonso. Em outras palavras, acho que se os dois tivessem o mesmo carro desde 2010, ambos seriam tricampeões. Mas aí é palpite, opinião pessoal, chute, e cada um que pense do jeito que preferir.

COM A PALAVRA, O TETRACAMPEÃO


Vettel

SÃO PAULO – Eu quero postar alguma coisa por aqui sobre o tetracampeonato de Sebastian Vettel, mas, por enquanto, vou é deixar o próprio com a palavra. Essa é uma das muitas entrevistas que ele deu após a corrida de hoje, lá em Buddh. O chefe Flavio Gomes destacou a simplicidade do alemão, e isso fica muito evidente nesse vídeo.

Claro, acabou de ser campeão, vai ser gentil e dócil com todo mundo. Mas Vettel normalmente é assim, tranquilo, sereno, e quem o vaia, vaia por que não conhece esse lado, ocultado pelo capacete.

E tem uma outra coisa que Vettel diz que acho muito interessante: perguntado sobre o conjunto da Red Bull, falou que a equipe ama o que faz. Faz o que faz com amor, tomando cuidado com cada detalhe para garantir que tudo ocorra com perfeição. E, enquanto faz tudo isso, se diverte. Aproveita. Não é nem uma questão de buscar recordes, trata-se de fazer um trabalho, como tantos anônimos fazem diariamente.

Escrevi isso outro dia, ao falar do filme Rush. O automobilismo, assim como o esporte em geral, envolve paixão. E da atual geração de pilotos da F1, Vettel é quem mais deixa transparecer essa paixão (óbvio que é mais fácil mostrar isso quando se está no alto do pódio, mas, do resto do grupo, talvez apenas Jenson Button e Mark Webber demonstrem alegria parecida). Já falei mais do que queria. Vejam o vídeo, vai:

O PECADO DE VETTEL


F1 Grand Prix of Belgium

SÃO PAULO | Sebastian Vettel venceu pela 31ª vez na carreira e igualou Nigel Mansell. Aos 26 anos, é o quinto maior vencedor da história da F1. Caminha para o tetracampeonato mundial consecutivo. E eu ainda tento entender como as pessoas hesitam tanto em dizer que ele vai se tornar um dos gênios do esporte ao mesmo tempo em que exaltam tanto pilotos com números semelhantes ou mesmo piores — e não são só os números que fazem deste alemão um grande piloto.

Tudo por causa de um grande pecado: andar com o melhor carro. Andar no carro projetado por Adrian Newey. Tem gente que ainda diz que Vettel não enfrentou adversários de peso. É desmerecer demais o talento dele.

Vettel tem 26 anos, 39 poles, 31 vitórias, três títulos mundiais consecutivos. Foi o mais jovem campeão, o mais jovem bicampeão e o mais jovem tricampeão. Conquistou esses títulos correndo contra outros cinco campeões do mundo: Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Jenson Button, Michael Schumacher e Kimi Räikkönen (esse, só em 2012).

Se Vettel confirmar o favoritismo e ganhar de novo neste ano, fará o que apenas Michael Schumacher e Juan Manuel Fangio fizeram. Deixará para trás Niki Lauda, Ayrton Senna, Jackie Stewart, Jack Brabham e Nelson Piquet. Empatará com Alain Prost. Aos 26 anos.

Com a vitória deste domingo, ele tem tantas quanto Nigel Mansell. “Ah, mas Mansell teve adversários mais fortes”. Ok, Mansell teve Prost, Piquet e Senna. São melhores do que os que estão aí brigando com Vettel hoje. Mas Alonso, Button, Hamilton e Kimi estão longe de ser ruins. Mansell foi campeão em um ano em que correu só contra Senna — Schumacher ainda não tinha nenhum título, fazia sua primeira temporada completa na F1.

É bem provável que, daqui a duas semanas, Vettel vença o GP da Itália e empate com Fernando Alonso. Vai ter um monte de gente dizendo que Vettel não chega aos pés do espanhol. Respeito algumas dessas opiniões, mas discordo de todas elas. Não tem essa de que o alemão é tricampeão porque tem o melhor carro e Alonso está em uma Ferrari capenga.

Alonso foi campeão em 2005 e 2006 com o melhor carro. Em 2005, a McLaren era mais rápida, mas quebrava o tempo todo. Que nem em 2012. No fim das contas, a Renault e a Red Bull andaram melhor em um número maior de corridas e permitiram a seus pilotos conquistarem os títulos.

Alonso perdeu um título em que tinha o melhor carro nas mãos, o de 2007. Poderia ter sido tricampeão, não foi. Vettel aproveitou os três anos em que teve o melhor carro.

E Alonso caiu demais de produção na reta final de quatro dos cinco campeonatos que disputou: 2005, 2006, 2007 e 2012. Não importa qual tenha sido o motivo, podem reparar que a primeira metade da temporada do asturiano foi bem melhor que a segunda. A única exceção foi 2010, quando ele cresceu na segunda metade e chegou à decisão como líder. Vettel é o oposto, começou mal e se recuperou no final.

“Ah, mas o Alonso vem de trás, passando todo mundo, Vettel não passa ninguém. Olha só a corrida de hoje.” Assista o GP de Abu Dhabi de 2012 — naquela pista em que não dá para passar ninguém –, ou o GP do Brasil de 2012.

Qual o problema do cara querer assumir a primeira posição no começo e dominar a corrida? Por que vocês acham que o Senna era tão obstinado por conquistar pole-positions?

Tá, é chato ver um domínio de um piloto. Foi chato com Schumacher e pode estar chato, agora, com Vettel. Mas esse piloto de 26 anos tem tudo para derrubar as marcas de seu ídolo de infância e você vai ficar aí, chupando dedo e dizendo que é só por causa do carro e do Newey. Não é.

Alonso na Red Bull é cenário pouco provável


BUDAPESTE | A notícia é bem interessante: empresário de Alonso se reuniu com Christian Horner em Hungaroring. Horner não negou e admitiu que a Red Bull teria interesse em contar com os serviços do espanhol. Mas esse é um cenário que eu considero pouco provável. Bem pouco.

Das três opções que a Red Bull tem, Ricciardo, Räikkönen e Alonso, vejo no bicampeão a mais arriscada. Não pela capacidade de Alonso, é claro, mas pelo temperamento. Contratá-lo é arriscar estragar o ambiente vencedor que foi criado nos últimos anos, um risco que a equipe não precisa correr.

Sem contar que Alonso tem contrato até 2016. Aí, resta saber sob quais condições esse contrato pode ser quebrado. Multa? Cláusulas de desempenho? Coisa pouca não é, certamente.

E tudo pode não passar de uma pressãozinha, apenas. Da Red Bull, sobre Kimi, do tipo: “Vem cá logo pra gente assinar esse contrato que tem mais gente querendo, ó”. Ou então de Alonso sobre a Ferrari: “Ó, deem um jeito nesses Fiat 147 que vocês fazem ou vou embora”.

A insatisfação de Alonso com a Ferrari vai ficando cada vez mais evidente. Ele foi para a equipe pensando que brigaria por títulos e vitórias o tempo todo. Por título, brigou duas vezes em três anos, mas sempre teve carros inferiores. Neste meio de 2013, clama, semana após semana, por melhorias no carro. Ele sabe que será difícil brigar com Vettel nessas condições. Mas seria mais difícil ainda encarar Vettel dentro da Red Bull, mais do que foi com Lewis Hamilton na McLaren.

Continuo achando que a melhor opção para a Red Bull é Räikkönen, e vice-versa. O único motivo para o finlandês não querer ir para a Red Bull é não querer entrar em um ambiente tão favorável a Vettel. Por mais frio e indiferente que seja, Kimi também é realista. Não basta ser frio, escandinavo, homem de gelo, tem que ser quase zen.

Por isso, penso que o mais legal seria ver Daniel Ricciardo subindo para a equipe tricampeã mundial em 2014. O australiano já mostrou bastante potencial, está lá dentro, conhece bem o ambiente e promete fazer bonito se tiver a chance.

O blog esteve um tanto parado nas últimas semanas, tudo devido a um acúmulo de atividades e a essa viagem à Europa. Mas, voltando ao Brasil, o que deve acontecer nesta semana – se não der tudo errado, como costuma acontecer – vou procurar atualizar a bagaça com mais frequência.

Passando a régua: GP de Mônaco – corrida


SÃO PAULO | 20h12 | Demorou, mas saiu o podcast que eu preparei sobre o GP de Mônaco. No mesmo esquema de sempre: equipe por equipe, estatísticas, informações e palpites sobre o que aconteceu na última corrida. Na próxima, vou tentar soltar mais cedo a bagaça. Para ouvir a edição de Mônaco, é só clicar aí embaixo:

Passando a régua: GP do Bahrein – corrida


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SÃO PAULO, 14h15 – Está no ar o podcast de hoje, uma rodada de informações, estatísticas e alguns pitacos sobre o que aconteceu no GP do Bahrein desta manhã. Não foi uma corrida memorável, mas foi bem animada, até, essa primeira manhã de domingo de 2013. Vitória fácil de Sebastian Vettel, que andou muito com o grande carro que o RB9 é. Foi a 28ª vitória do alemão e a 36ª da Red Bull, que agora é a quinta maior vencedora de todos os tempos na F1, deixando Renault e Brabham para trás. Para ouvir as baboseiras que falei sobre a corrida, é só dar play aí embaixo:

Passando a régua: GP do Bahrein – classificação


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SÃO PAULO, 16h42 – Está no ar o primeiro podcast que eu fiz aqui para o blog. Ano passado, comecei a fazer posts nas segundas-feiras seguintes a cada GP reunindo uma rodada de informações e pitacos sobre o que aconteceu na corrida, mas acabou que não consegui fazer para todas as corridas. Dessa vez, fiz num formato diferente, um podcast, que acho igualmente interessante e consome menos tempo da minha parte. Depois que gravei, cheguei à conclusão de que eu falo muito. Tá aí, ó, dá para ouvir aqui, incorporar, baixar. A música de fundo é “Struggle to survive”, da banda de rock progressivo barenita (sim, isso existe!) Osiris.

Está apenas começando…


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SÃO PAULO, 12h55 – Neste mundo de politicamente corretos e entrevistas ensaiadas, confesso que fiquei surpreso o ver a declaração de Sebastian Vettel nesta manhã. Passaram três semanas desde o GP da Malásia, e acho que todos esperavam que os membros da Red Bull fossem dar declarações ensaiadas, apenas esfriando a polêmica. Mas não. Vettel partiu foi para o ataque sobre Mark Webber, de novo, agora fazendo uso das palavras, e não do carro. E você aí esperando o Kim Jong-un chutar o pau da barraca…

O alemão pediu desculpas depois da corrida da Malásia, viu que tinha feito caca, mas não está nada disposto a sair da história como vilão. Não encolheu e tratou de criticar Webber. Abre aspas para o tricampeão:

Eu respeito Mark como piloto, mas teve mais do que uma ocasião no passado em que ele poderia ter ajudado o time e ele não ajudou. Mas, como tentei explicar depois da corrida, em minha opinião é sempre melhor ser verdadeiro. Talvez às vezes a verdade não seja o que as pessoas querem ouvir, pois, como se pode ver, controvérsia é mais popular do que a verdade. Eu deveria ter atendido, e foi por isso que me desculpei com o time, porque em minha ação, me coloquei acima do time, mas não era a minha intenção. Se você acredita em mim ou não, é com você.

Mas ele não parou por aí não. Ainda disse que desobedeceria novamente a Red Bull e que Mark Webber não merece a sua ajuda.

Há um conflito, pois, por um lado, eu sou o tipo de cara que respeita as decisões do time e, por outro, provavelmente Mark não fosse o tipo de cara que merecia isso no momento. Eu nunca tive apoio do lado dele. Tenho muito apoio do time e o time nos apoia da mesma maneira.

Vettel tem razão quando diz que Webber nunca quis ajudá-lo. Basta lembrar do que o australiano fez no GP do Brasil do ano passado: numa relargada, na chuva, colocou o carro por fora para cima do companheiro que disputava o título. Uma bobagem enorme.

O relacionamento da dupla não era bom desde o GP da Turquia de 2010, quando os dois bateram – num erro de Vettel – e jogaram fora uma dobradinha certa da Red Bull. Antes disso, também não deviam ser grandes amigos. Eles têm perfis muito diferentes. Mas, agora, não existe mais relação nenhuma mesmo.

A Red Bull assegurou que não vai dar mais ordens de equipe. Vettel afirmou que voltaria a desobedecê-las por não considerar que Webber mereça ajuda. E Webber criticou a proteção que Vettel recebe da Red Bull.

Vai ter gente nova andando no carro de número 2 no ano que vem. Até lá, será bem divertido acompanhar as trocas de farpas da dupla dentro e fora da pista. Podem apostar que serão muitas. Não vai chegar a ser uma rivalidade como era a de Senna-Prost, porque Webber está longe de chegar ao nível de um dos dois, mas, ao que parece, essa briga já será melhor que a de Schumacher-Barrichello nos tempos de Ferrari, pois os dois estão tratando o tema com uma importância razoável.

Mas assim: Webber tem que superar Vettel na pista, como fez em 2010. Aí podem chamar as ring girls e preparar a pipoca que o negócio vai pegar fogo mesmo. “Let’s get ready to rumble”, anunciaria Michael Buffer.