ENGATOU A SEGUNDA


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SÃO PAULO – A segunda etapa do Mundial de Endurance de 2014 viu a Toyota disparar na liderança do campeonato com mais uma vitória maiúscula. Dessa vez com pista seca, a montadora japonesa triunfou novamente com o trio Anthony Davidson, Sébastien Buemi e Nicolas Lapierre com enorme vantagem para os segundos colocados, Lucas Di Grassi, Tom Kristensen e Loïc Duval, da Audi.

A vida ficou mais fácil graças aos problemas de confiabilidade da Porsche. O 919 é um bom carro e tem potencial para ganhar corridas, mas a confiabilidade ainda precisa ser aprimorada. O povo de Stuttgart ainda está descobrindo aquelas coisas que só se descobre nas corridas. Hoje, Romain Dumas teve de se virar dentro do carro para ouvir o engenheiro e fazer ajustes no painel para resolver um problema elétrico. O francês lutava pela vitória, mas perdeu tempo de mais, levou uma volta do líder e caiu para quarto.

Enquanto isso, a Audi segue sofrendo com o balanço de performance estipulado pela FIA, que prioriza as classes mais altas de híbridos (Toyota e Porsche estão na de 6 MJ por volta, Audi na de 2 MJ). No início da disputa, seus três carros não tinham vida fácil para acompanhar Toyota e Porsche. Lucas Di Grassi mandou muito bem em seu stint e conseguiu levar o R18 e-tron quattro à segunda posição. Aí, no final, o Loïc Duval deu conta de segurar o Stéphane Sarrazin e evitou a dobradinha nipônica.

Há muito trabalho a ser feito para as 24 Horas de Le Mans, que acontecem em 15 e 16 de junho. E, hoje, quem pinta como favorita é a Toyota. Ano passado, foram ao pódio na segunda posição. Em 2014, terão a chance de quebrar a sequência de vitórias da Audi.

É legal ver essa mudança no status-quo da LMP1. A Audi é fodona, mostrou isso com o bicampeonato, mas se dominasse esse campeonato poderia acabar desencorajando a entrada de mais fábricas no Mundial, o que seria bem ruim para o futuro da categoria.

O relato das 6 Horas de Spa-Francorchamps vocês podem ler no GRANDE PRÊMIO. E agora começa aquela longa espera por Le Mans. Faltam 43 dias.

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DÍGITOS DUPLOS NA LMP1 EM LE MANS


SÃO PAULO | Três anos depois, o Mundial de Endurance vai apresentando resultados bem satisfatórios. Dez protótipos LMP1 vão disputar as 24 Horas de Le Mans em 2013, um bom número, levando em conta que sete desses protótipos serão híbridos — três Audi, dois Toyota e dois Porsche. Somam-se a eles os dois carros da Rebellion e mais um da Lotus. Destes, nove estão confirmados para toda a temporada do WEC.

Achei interessante a declaração de Jean Todt, hoje, na apresentação das listas do WEC e de Le Mans, analisando esse período:

“Quando a FIA e o ACO se juntaram quatro anos atrás para formular o conceito do Mundial de Endurance, deixamos claro nossa intenção de devolver ao endurance a proeminência e a popularidade que  já teve no passado. Seu prestígio foi fundamentado em sua capacidade de gerar corridas empolgantes e heróicas em nível internacional em um ambiente que permite fascinantes invenções tecnológicas. Portanto, orgulha-me muito que nós nos aproximamos do início da terceira temporada do WEC e eu posso dizer com certeza que estamos cumprindo todas essas metas.”

Para mim, o grande êxito do primeiro mandato de Todt foi exatamente a recriação do Mundial de Endurance, que não existia há duas décadas — até porque, no que diz respeito à F1, o francês não tem conseguido conduzir muito bem as coisas, mas isso é conversa para outra hora.

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Mas prova de que o WEC está dando certo é que já levantou outros campeonatos e corridas de endurance ao redor do mundo — vide a United SportsCar nos Estados Unidos, que nasce forte ao ponto de representar alguma concorrência ao certame da FIA. Num contexto um pouco diferente, totalmente destinado aos GTs, o Blaincpain está bem demais.

Os 31 carros certos para o campeonato todo de 2014 indicam estabilidade, com o aditivo de que a LMP1 cresceu. É a classe principal: o público mais leigo que começa a acompanhar a modalidade precisa ver disputas boas entre os carros mais rápidos, aqueles que andam nas primeiras posições e quebram os recordes de velocidade.

No início, Audi e Toyota protagonizaram uma boa briga. Em 2013, é verdade que os alemães destroçaram os japoneses, mas ao menos a briga interna pelo título foi agitada. E agora tem a Porsche, que é irmã da Audi, mas não chega para ser figurante.

Protótipos que contam com as últimas tecnologias da indústria automotiva encarando os maiores desafios do esporte a motor na atualidade e conduzidos por excelentes pilotos: Tom Kristensen, Lucas Di Grassi, Loïc Duval, André Lotterer, Benoît Tréluyer, Alexander Wurz, Anthony Davidson, Sébastien Buemi, Mark Webber, Timo Bernhard…

Há, ainda, o plano da Ferrari para entrar no Mundial. Não sei em que pé está a ideia, e até acho que estão demorando para definir, mas sei que, de fato, os italianos cogitaram desenhar um protótipo para voltar a brigar por vitórias nas 24 Horas de Le Mans — ganhar entre os GTs é muito difícil e a briga muitas vezes é ais intensa, mas os louros todos vão mesmo para quem leva no geral.

Pena que a Peugeot desistiu, porque os franceses trabalharam muito bem na década passada.

O Mundial não é só LMP1, mas é a LMP1 que vai puxar o resto. E, nas outras divisões, há também projetos interessantes e atraentes, como o da Alpine, que está de volta ao esporte. Aston Martin, Porsche e Ferrari vem brigando ferrenhamente nas classes de GT, e, nas 24 Horas de Le Mans, a Corvette ainda terá seu time de fábrica.

2014-lemans-noveaulogoEssa edição das 24 Horas de Le Mans está prometendo bastante. O ACO até lançou um novo logo, com linhas mais arrojadas, dizendo que, em 2013, o passado foi celebrado no 90º aniversário da corrida, agora é hora de pensar no futuro. E o futuro é animador no endurance.

MAIS DAS 24 HORAS DE LE MANS

Bruno Senna: Ainda não anunciou o que vai fazer da vida, mas foi colocado como capitão de um dos carros da Aston Martin na GTE Pro.

Fabien Barthez: É, ele mesmo, goleiro da França nas copas de 1998, 2002 e 2006. Já tinha falado dele aqui no blog quando ele venceu o campeonato francês de GT. Pois é, está de volta, agora para correr em Sarthe.

Sébastien Loeb: Sua equipe está inscrita na LMP2, e René Rast foi indicado como capitão.

Stefan Johansson: Sim, ele mesmo, sueco que correu na McLaren em 1987 e mudou para a Ferrari no ano seguinte. Tem 57 anos e, além de Le Mans, vai competir nas outras sete rodadas do WEC. Mas, não, não é o piloto mais velho a disputar as 24 Horas: ano passado, Jack Gerber estabeleceu um novo recorde ao participar do evento aos 68 anos.

Copa do Mundo: Tô nem aí pra ela até o dia 15 de junho.

Em tempo, aqui está a lista completa com os 56 inscritos.

165 pilotos confirmados para as 24 Horas de Le Mans


SÃO PAULO | 18h22 | O Autómovel Clube do Oeste divulgou, nesta terça-feira, a lista completa de inscritos para as 24 Horas de Le Mans, que vão acontecer entre 22 e 23 de junho. Essa lista contém 165 nomes, sendo que o máximo é de 168. Falta a AF Corse anunciar o companheiro de Gianmaria Bruni e Giancarlo Fisichella e a GreenGT dizer quem são os pilotos que vão acompanhar Christian Pescatori no projeto experimental da prova deste ano.

Clique aqui para conferir a lista completa.

Se você der um ‘Ctrl + F’ e procurar por ‘BRA’, só vai encontrar um piloto brasileiro: Bruno Senna, que vai dividir o #98 da Aston Martin com Rob Bell e Frédéric Makowiecki. É que Lucas Di Grassi apareceu como italiano no arquivo divulgado pela FIA (ainda não sei o motivo disso).

Todos os vencedores da edição do ano passado retornarão a Sarthe, juntos ou separados. Juntos estarão o trio da Audi, André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer (LMP1). Os atuais campeões da LMP2 estão todos separados, já que a equipe Starworks retirou a inscrição: Tom Kimber-Smith anda de Zytek-Nissan, e Enzo Potolicchio e Ryan Dalziel estarão de Ferrari e Viper, respectivamente, na GTE Pro. Fisichella e Bruni (GTE Pro) perderam Tony Villander para o outro carro da mesma equipe, Kamui Kobayashi e Olivier Beretta. Finalmente, na GTE Am, o trio da Larbre terá Julien Canal, Patrick Bornhauser e Ricky Taylor, em vez de Pedro Lamy (que integrou o conjunto em 2012 e agora pilota para a Aston Martin) ou mesmo Fernando Rees, que disputa o restante da temporada do Mundial de Endurance.

Destaque para Christophe Bouchut, inscrito pela Lotus na LMP2. Essa será a 20ª participação do francês, que estreou com vitória em 1993, correndo pela Peugeot.

Alexander Wurz, Allan McNish, Marc Gené, Sébastien Buemi, Kazuki Nakajima, Anthony Davidson, Nick Heidfeld, Bruni, Fisichella, Karun Chandhok, Kamui Kobayashi e Pedro Lamy, além dos brasileiros, são os ex-pilotos de F1 com lugar garantido (se eu não deixei nenhum passar batido).

Quatro carros a mais no grid para a segunda etapa do WEC


6 Horas de Spa de 2012 foram disputadas com chuva
6 Horas de Spa de 2012 foram disputadas com chuva

SÃO PAULO, 20h17 – Foi divulgada hoje a lista de inscritos para a segunda etapa do Mundial de Endurance, as 6 Horas de Spa, que vão acontecer em 4 de maio. 35 carros estarão na pista, quatro a mais do que no último fim de semana, em Silverstone. Legal ver esse aumento.

Esses quatro carros são de quatro categorias diferentes: a Audi adicionou mais um protótipo LMP1 e, assim, terá três carros na Bélgica, a Gulf Racing Middle East voltou com um protótipo LMP2, a Aston Martin resolveu colocar na pista um terceiro carro na GTE Pro e a AF Corse vai ter uma segunda Ferrari na GTE Am.

Com relação ao brasileiro, destaque para a permanência de Antonio Pizzonia na equipe Delta-ADR. Ele venceu as 6 Horas de Silverstone na classe LMP2 junto de Tor Graves e James Walker, e queria continuar correndo nas etapas do WEC. Ao menos em Spa-Franchorchamps, correrá.

Bruno Senna terá novos companheiros agora. Ele dividirá o Vantage #98, que não andou na Inglaterra, com Frédéric Makowiecki e Rob Bell. Darren Turner e Stefan Mücke ganharam a companhia de Peter Dumbreck e, Paul Dalla Lana e Pedro Lamy, de Richie Stanaway. Essa mudança de carro diminui as chances de vitória do brasileiro, já que Turner e Mücke são bem mais cascudos, mas, como está na equipe que começou a temporada dominante tanto na GTE Pro quanto na GTE Am, estará na briga, é claro.

Na LMP1, o terceiro carro da Audi, que será pilotado por Lucas Di Grassi, Marc Gené e Oliver Jarvis não é a única novidade. A Toyota também vai estrear seu protótipo versão 2013, com Alexander Wurz, Nicolas Lapierre e Kazuki Nakajima ao volante. Sébastien Buemi, Stéphane Sarrazin e Anthony Davidson continuarão com a versão 2012.

Abaixo, a lista completa de inscritos para as 6 Horas de Spa:

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Audi x Toyota: o duelo do WEC na temporada 2013


SÃO PAULO, 20h28 – Ficou faltando postar aqui no blog sobre a briga em que todos vão ficar de olho nessa temporada 2013 do Mundial de Endurance: a da Audi contra a Toyota.

Para começar, vamos lembrar um pouco mais o que aconteceu em 2012. A Audi iniciou o campeonato ainda utilizando o modelo R18 ultra, nas 12 Horas de Sebring, enquanto finalizava o híbrido R18 e-tron quattro. Para as 6 Horas de Spa e as 24 Horas de Le Mans, a marca alinhou dois modelos de cada.

Em 2012, a Audi faturou o WEC e as 24h de Le Mans
Em 2012, a Audi faturou o WEC e as 24h de Le Mans

Enquanto isso, a Toyota se viu em maus lençóis quando um grave acidente num teste em Paul Ricard destruiu o protótipo híbrido TS030 e atrasou todo o planejamento. A estreia, inicialmente prevista para a Bélgica, aconteceu só em Le Mans. Assim, parecia claro que a vitória seria da Audi na prova de 24h.

Até que o carro japonês andou próximo nos treinos. A pole foi da Audi, que se manteve à frente na corrida. Mas o tempo foi passando que a disputa continuava muito próxima. Quatro horas passaram e a Toyota ainda estava lá, colada, pressionando, impressionando. Os contratempos nipônicos vieram por causa de acidentes. Um, assustador, que afastou Anthony Davidson da pista por alguns meses. Outro, apenas comprometeu as chances de vitória. Mais tarde, um problema no motor provocaria o abandono do segundo TS030. Mas a primeira impressão foi das melhores.

Mais de dois meses depois, o WEC chegou a Silverstone para a corrida de seis horas. E a Toyota ficou muito perto da Audi, mas, com um carro que gasta mais combustível, acabou superada na estratégia. Três semanas depois, aqui em São Paulo, mostrou que aprendeu a lição e o que era preciso fazer numa prova curta e primeira vitória veio, com direito a pole e tudo. Isso fez a Audi se mexer: os alemães levaram dois e-tron quattro para o Bahrein, prova que venceram e que a Toyota abandonou.

Só que os nipônicos se recuperaram para acabar o ano por cima. Enquanto os pilotos da Audi disputavam o título mundial, os da Toyota triunfavam em Fuji e em Xangai. Assim acabou 2012.

Carro da Toyota nos testes em Paul Ricard neste início de ano
Carro da Toyota nos testes em Paul Ricard neste início de ano

A muito grata surpresa que foi o ótimo rendimento da Toyota anima bastante para o campeonato que começa domingo. Principalmente porque eles terão dois protótipos em toda a temporada. A princípio, isso aconteceria apenas em Spa e Le Mans, dado o reduzido orçamento liberado pelos chefões-san lá da cidade de Toyota. Mas eles soltaram mais grana depois.

Logo, veremos uma briga 2×2 em seis corridas neste ano. O mais interessante é que, agora, alguém vai ficar fora do pódio. A disputa tanto entre as marcas quanto entre os pilotos vai crescer bastante.

As formações, todas muito fortes, são:

Audi #1: André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer
Audi #2: Tom Kristensen, Allan McNish e Loïc Duval
Audi #3*: Lucas Di Grassi, Oliver Jarvis e Marc Gené
Toyota #7: Alexander Wurz, Nicolas Lapierre e Kazuki Nakajima**
Toyota #8: Sébastien Buemi, Anthony Davidson e Stéphane Sarrazin
*apenas para as 6 Horas de Spa e as 24 Horas de Le Mans
**Nakajima-son não fará todas as provas

Eu admito que estou meio em cima do muro para o que vai acontecer no WEC. Ainda não estou muito disposto a arriscar um palpite sobre quem ganha o campeonato. Mas eu arrisco, sim, o palpite para Le Mans: Audi.

Para este início, em Silverstone, acredito que o fato já ter feito uma corrida em 2013 (as 12 Horas de Sebring) pese a favor da Audi. A Toyota, por mais que tenha feito vários testes, vai estar botando tudo na prática pela primeira vez. Vejo isso como uma pequena vantagem para os alemães.

Os treinos livres começam nesta sexta, 8h25 da manhã. Amanhã, 8h10, tem a classificação, e domingo, às 8h, a largada para as 6h de Silverstone.

Chegou ao fim a primeira temporada do novo Mundial


Não posso deixar passar batido aqui pelo blog o encerramento da temporada do Mundial de Endurance. A última prova de 2012 aconteceu no último domingo, em Xangai, na China. Após seis horas de disputa, vitória da Toyota, com Alexander Wurz e Nicolas Lapierre. E não havia maneira melhor do que essa para que o primeiro ano do campeonato fosse concluído.

A Audi foi a campeã do WEC, mas o grande nome de 2012 foi o da Toyota. No primeiro ano do projeto, foram seis corridas e três vitórias sobre a Audi e toda a sua experiência e o seu know-how. É de se comemorar um desempenho desses.

Apesar do contratempo que foi um acidente nos treinamentos antes da estreia em Spa-Francorchamps, que precisou ser adiada para Le Mans, desde o começo os japoneses mostraram competitividade. Até enfrentarem problemas na corrida mais importante do ano, iam fazendo frente aos alemães. No segundo semestre, a Toyota apenas mostrou que chegava com força: segundo lugar em Silverstone, vitória em Interlagos, terceiro lugar no Bahrein e vitórias em Fuji e Xangai. Nada mal, não?

O bom disso não é apenas ver que a Audi ganhou uma rival à altura no endurance. Essa boa forma da Toyota mostra que, com um projeto bem elaborado e executado, é possível chegar chegando, brigando de igual para igual – assim como a BMW fez no DTM. A Toyota só não disputou o título porque não entrou na pista nas duas primeiras corridas, em Sebring e em Spa, quando a Audi teve quatro carros. Os alemães precisarão melhorar se quiserem seguir como os bambambans do negócio.

Mais: a briga entre germânicos e nipônicos mostra como é possível, sim, que protótipos completamente diferentes andem próximos. Uma tem motores turbo movidos à diesel. Outra, motores aspirados à gasolina. Além disso, os sistemas híbridos são completamente distintos.

Esse duelo de duas grandes montadoras também é muito bom para a imagem do Mundial de Endurance para o público. Numa corrida em que os astros são os carros, e não os pilotos, é pelas marcas que o povo vai torcer. É possível escolher entre Audi e Toyota. A partir de 2014, pela Porsche. E eu espero que mais gente entre na pista num futuro próximo.

Com relação ao título de pilotos, vitória merecida de André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer. O trio venceu três vezes em 2012, incluindo nas 24 Horas de Le Mans. Tom Kristensen e Allan McNish fizeram duas provas com um carro inferior, o R18 ultra, versão anterior do e-tron quattro híbrido e perderam terreno para seus companheiros. Incidentes também prejudicaram. Resta saber se a Audi manterá a dupla danesa-escocesa em 2013 ou se chamará alguém para completar um trio – quem sabe, Lucas Di Grassi, muito elogiado por todos depois das 6 Horas de São Paulo.

Uma coisa que eu mudaria é a duração das corridas, padronizada em 6h. Seria interessante ter uma mescla com corridas mais longas além de Le Mans, como as 12 Horas de Sebring, que saíram do calendário. Mas, enfim, a recriação do WEC foi uma bola dentro de Jean Todt em seu primeiro mandato como presidente da FIA. E vejo a evolução como uma questão de continuação do que foi feito em 2012. A tendência é que a coisa vá tomando melhor forma e crescendo, aos poucos.

Por fim, tem de ser mencionado o título da equipe francesa Larbre, pela qual compete o brasileiro Fernando Rees na divisão GTE Am. O time somou 179 pontos, 26 a mais que o Team Felbermayr-Proton. Rees competiu apenas em algumas provas do ano, revezando com o português Pedro Lamy no Corvette de número 50, o que não afeta os resultados, já que não existe campeonato de pilotos na GTE Am.

A vantagem de se ter dois carros


A Audi voltou a vencer no Mundial de Endurance, resposta à Toyota pelo o que aconteceu aqui em São Paulo, no meio de setembro. O trio que faturou a vitória foi André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer, que lideram a classificação de pilotos. O relato da corrida está no GRANDE PRÊMIO.

Só que não foi tão fácil assim não para os alemães. No desempenho de pista, uma vitória da Toyota chegou a se desenhar. Valeu, ali, a maior confiabilidade do e-tron quattro #1, o protótipo vencedor.

Allan McNish começou na frente com o e-tron quattro #2. Mas o carro, recém-montado, não resistiu por muito tempo. Depois do primeiro pit-stop, o escocês precisou voltar aos boxes para consertar os faróis dianteiros. Neste momento, Nicolas Lapierre pulou para a primeira posição e disparou.

O ritmo da Toyota era muito bom. Parecia que os japoneses repetiriam o que fizeram em São Paulo: abrir uma vantagem grande o suficiente para que pudessem parar no fim, fazer um splash-and-go e voltar ainda na frente dos alemães. Só que a noite acabou com a sorte da Toyota.

Depois do pôr-do-sol em Sakhir, com duas horas de corrida, as luzes que ficam no painel dos números na lateral do carro não funcionaram. Foram necessárias quatro voltas para que fossem ajustadas.

A Toyota nunca havia andado à noite. Pegaram só um pouco do escuro aqui em Interlagos, no fim da corrida. Nas 24 Horas de Le Mans, em junho, eles abandonaram antes de anoitecer.

Solucionado o problema, era preciso salvar o pódio. Caíram para o quinto lugar, ganharam duas posições. Depois, ao tentar aplicar uma volta sobre Danny Watts, o quarto colocado, Lapierre e o inglês se enroscaram. Com a suspensão dianteira direita quebrada, a corrida acabou ali para a Toyota.

Audi e Toyota andaram próximas no começo da corrida no Bahrein (Foto: Toyota)

Lapierre se explicou:

– Ele [Watts] tinha uma boa velocidade final e eu precisei mergulhar para tentar ultrapassá-lo e nos tocamos. Se estivéssemos brigando por posição, eu diria que a culpa seria minha, mas haviam bandeiras azuis – lamentou.

Ao meu ver, o francês se precipitou. Sempre dá para esperar o melhor momento. Não é uma corrida curta, uma corrida de F1, em que uma volta a mais preso atrás de um adversário faz toda a diferença. Restavam duas horas de disputa. Lapierre jogou o pódio da Toyota fora.

Debaixo do forte calor, não foram só Audi e Toyota que tiveram problemas, mas ter dois carros se mostrou uma vantagem para a Audi na disputa pela vitória. Quando um teve problema, estava lá o outro para aproveitar. A Toyota certamente sentiu a falta de um segundo carro. Trabalham para tê-lo, mas o orçamento é limitado.

O que a Toyota tira de positivo das 6 Horas do Bahrein, após quatro corridas disputadas no Mundial de Endurance, é que o TS-030 é capaz de acompanhar a Audi em qualquer tipo de pista. A disputa está lá, agora é preciso que mais montadoras cheguem e deixem esse campeonato ainda melhor.

A próxima etapa do WEC é daqui a duas semanas, em Fuji, na casa da Toyota. Muitas curvas de baixa e longas retas. Uma pista que eu, particularmente, gosto bastante, e onde a montadora japonesa fará de tudo para ficar com a vitória.

A resposta da Audi


A Audi competiria com um e-tron quattro híbrido e um R18 ultra pelo restante da temporada de 2012 do WEC. O protótipo híbrido seria de André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer. O convencional, com Allan McNish e Tom Kristensen.

Só que depois do bom desempenho da Toyota em Silverstone, quando Alexander Wurz e Nicolas Lapierre terminaram na segunda posição, e da vitória aqui em São Paulo, a Audi agiu. A partir da próxima etapa, no Bahrein, no próximo fim de semana, McNish e Kristensen também terão um protótipo híbrido nas mãos.

Nos treinos, o R18 ultra consegue fazer frente aos híbridos. O carro continua sendo rápido, tanto é que Lucas Di Grassi foi o mais rápido da Audi na classificação e registrou a volta mais rápida da corrida em Interlagos. Mas o ritmo de corrida não é tão bom quanto o dos outros carros. No tráfego, os híbridos andam melhor.

A esperança da Audi é que, tendo dois carros híbridos, a Toyota terá mais trabalho. É verdade. E a Toyota é melhor nas curvas de baixa velocidade, que predominaram em Interlagos. No Bahrein, são seis cinco freadas fortes que antecedem curvas de baixa.

Talvez por isso, talvez por confiança, talvez por tiração de sarro, Wurz não ficou muito preocupado.

6 Horas de São Paulo: na pista


(Foto: Rodrigo Berton/Agência Warm Up)

A corrida disputada neste sábado (15), em Interlagos, entra para a história como a primeira vez em que a Toyota triunfou no Mundial de Endurance. Foi o hino japonês que tocou em São Paulo.

Oito anos na F1 não bastaram para que a montadora triunfasse. No endurance, bastaram três corridas. Resultado de um projeto mais enxuto, de orçamento mais limitado, que foi mais certeiro.

Alexander Wurz e Nicolas Lapierre andaram muito bem. Além de contar com um carro que rende muito mais que os Audi nas curvas de baixa velocidade, a dupla viu o TS-030 se comportar melhor com a temperatura mais elevada. Além disso, Alex e Nico conseguiram trabalhar melhor o desgaste dos pneus e, com isso, foram muito mais consistentes.

André Lotterer, Marcel Fässler e Benoît Tréluyer terminaram na segunda colocação com o Audi híbrido, o e-tron. Mas estavam a uma volta atrás, não havia o que fazer. No R18, Lucas Di Grassi ainda tentou alcançar Lotterer no fim, mas não deu.

O brasileiro, aliás, fez um ótimo fim de semana. Correndo ao lado de Tom Kristensen e Allan McNish, foi mais rápido que ambos o tempo todo em Interlagos, cresceu dentro da equipe e ainda conseguiu registrar a melhor volta da corrida. Deixou uma ótima impressão na Audi.

Quem aparentemente, quem mais gostou foi Tom Kristensen. O dinamarquês rasgou elogios a Lucas. Se dependesse dele, era bem possível que o brasileiro continuasse correndo já a partir da próxima etapa, daqui a duas semanas, no Bahrein.

Dos últimos brasileiros que estrearam na F1 (Di Grassi, Nelsinho Piquet e Bruno Senna), sempre achei Lucas o melhor. A porta da F1, porém, se fechou para ele e são os caminhos alternativos que podem levá-lo ao sucesso no automobilismo. Quem sabe a Audi decide acolhê-lo de vez para a próxima temporada.

Destaque também para Fernando Rees. O colunista da Revista Warm Up, que é gente finíssima – não o conhecia até este fim de semana – fez uma corridaça na GTE Am. Ele largou em quarto, alcançou a liderança ainda em seu stint e entregou o carro em uma ótima condição para Julien Canal e Patrick Bornhauser. Os franceses não decepcionaram e tiveram sua participação na primeira vitória brasileira no WEC.

(Só depois que escrevi este post fiquei sabendo que o carro da Larbre foi desclassificado na vistoria técnica. A equipe vai recorrer e o resultado continua sub-júdice. Confirmada a desclassificação, a vitória passa para Christian Reid, Paolo Ruberti e Gianluca Roda, que andaram de Porsche.)

Na categoria LMP2, só deu o trio da Starworks. Stéphane Sarrazin, Ryan Dalziel e Enzo Potolicchio largaram da pole-position e dominaram a corrida.

Por fim, na GTE Pro, vitória de Giancarlo Fisichella e Gianmaria Bruni. Fisichella, enfim, subiu ao degrau mais alto do pódio em Interlagos. Foi aqui que ele conquistou a primeira de suas três vitórias na F1, no GP do Brasil de 2003. A festa veio com nove anos de atraso.

No WEC em SP


Faz alguns dias que não posto nada aqui no blog. Em parte é preguiça, em parte é porque estou em Interlagos, nas 6 Horas de São Paulo, etapa brasileira do WEC. A corrida acontece neste sábado, com largada ao meio-dia e chegada às 18h.

A briga pela vitória, é claro, ficará entre a Audi e a Toyota. Os japoneses podem se dar bem aqui em Interlagos porque as curvas de baixa velocidade predominam, o que favorece seu carro em relação ao da Audi. Em compensação, eles apontam a altitude elevada daqui também gera uma ligeira perda de potência porque seu motor é aspirado e não turbo, como o dos alemães.

Lucas Di Grassi também começou bem no R18 ultra, junto de Tom Kristensen e Allan McNish. Em dois dos três treinos, foi ele o dono da melhor volta do trio. Não quer dizer muita coisa, pois depende muito da hora em que a equipe usou pneus novos. Mesmo assim, indica que o ritmo do brasileiro é bom, parelho ao dos demais pilotos da montadora. Ele só vai enfrentar dificuldades na adaptação ao formato da corrida, ao tráfego, paradas de boxes, etc.

Na GTE Am, os brasileiros estão bem. Fernando Rees vai fazer a classificação na equipe Larbre, daqui a pouco, no Corvette #50, e Enrique Bernoldi, na Ferrari da AF Corse-Waltrip. Eles foram os mais rápidos no treino da manhã desta sexta-feira.

A tomada de tempos acontece logo mais, às 14h, e é dividida em dois grupos: primeiro, os carros de GT têm 20 minutos de pista. Depois, os protótipos tem outros 20.