NOSTALGIA PURA


SÃO PAULO | Esse patrocínio da Martini vai fazer muita gente debruçar os olhos sobre a Williams em 2014 e se lembrar do passado. E eles mesmos vão tentar provocar essas lembranças. Começaram hoje, com essa foto de Felipe Massa envolvido por uma coroa de louros. Eu ia fazer a colagem, mas o Bruno Mantovani postou antes no Facebook e então aproveitei para roubar.

massa-pace-williams-martiniA Martini patrocinava a Brabham quando José Carlos Pace venceu o GP do Brasil de 1975 — sua primeira e única vitória na F1. E seria daquelas histórias de emocionar a todos se, em novembro, Massa subisse no pódio em Interlagos e recebesse uma coroa de louros do tipo.

Essa parceria não poderia vir em melhor hora: justo quando a Williams renasceu. Reestruturou-se, conseguiu levantar um bom orçamento, assinou com bons pilotos e, acima de tudo, fez um bom carro. É, de longe, o mais bonito desse grid — a Mercedes pode até ter feito um desenho mais bonito, mas o conjunto da obra do FW36 superou.

Vai ser legal demais ver a Williams andando na frente de novo na F1. Frank merece.

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MAIS UM FELIPE


2014-f1-williams-nasr-anuncioSÃO PAULO | Quando a maioria dos leitores acessarem o blog e virem este post, Felipe Nasr estará em ação na pista de Sakhir, no Bahrein, com o carro da Williams. É, a F1 consegue ser tão dinâmica que um piloto que nem era da equipe há algumas horas já está dentro do cockpit e acelerando.

Em janeiro, fiz uma entrevista com Nasr na qual ele admitiu que o objetivo era, mesmo, ser reserva. Era, também, a melhor opção. A porta da Sauber se fechara com os anúncios de Esteban Gutiérrez e Adrian Sutil. Na Williams, que já está quase tão brasileira quanto inglesa, Felipe vai pilotar em cinco sextas-feiras e em três dias de testes — alguns dias de treinos coletivos serão realizados durante a temporada em 2014.

No fundo, ele não vai ter tanto tempo de pista assim — não será uma preparação comparável, por exemplo, à de Valtteri Bottas em 2012, quando o finlandês pilotou em 15 sessões livres em finais de semana de GP. Mas Nasr é excelente piloto e, na base, sempre mostrou um rápido aprendizado.

Bom que saiba aproveitar a chance, afinal, segundas chances não tem sido tão comuns nos tempos recentes da F1. É sentar no carro e dar com o pé na tábua em cada uma das oportunidades. Adicionar um pouco de agressividade àquela cautela excessiva da GP2 — talvez preocupado em não cometer erros e arriscar a imagem de bom piloto –, mas, claro, sem passar dos limites. O mais importante, em 2014, é provar seu valor de mercado.

Talvez a Williams não seja o time para ele em 2015. Felipe Massa acabou de assinar um contrato longo. Uma vaga só se abre se Bottas, de repente, vai para um time grande — ou então desce na vida e sai da F1. E se acontecer de Valtteri ir embora, por que não pensar em uma equipe totalmente brasileira? Já tem uma grana boa de nossas terras lá dentro mesmo… Seria a terceira vez na história que dois brasileiros dividiriam a mesma garagem, repetindo o que fizeram Nelson Piquet e Roberto Pupo Moreno na Benetton em 1990 e 1991 e o mesmo Moreno com Pedro Paulo Diniz em 1995 na Forti. Mas trabalhemos com a hipótese de que a Williams não vai mudar: provando seu valor de mercado, portando-se bem nos treinos, Nasr poderá mostrar um portfolio de mais respeito para outros possíveis empregadores na hora de, novamente, caçar uma vaga de titular.

Certamente, isso está nos planos de Felipe. Planos, aliás, sempre sólidos. Mesmo que a primeira opção — que era estrear na F1 em 2014 — não tenha dado certo, ele e seus tutores souberam contornar as adversidades sem perder a cabeça. Estão tomando todo o cuidado do mundo para que esse jovem de 21 anos não dê nenhum passo maior que a perna. Seria péssimo para a carreira e para o automobilismo brasileiro.

Agora vou deixar meu lado workaholic de lado e dormir um pouco antes de voltar para ver como foram esses treinos. Boa noite (ou bom dia).

WILLIAMS E PETROBRAS


SÃO PAULO | A Petrobras convocou uma coletiva com a presença de Claire Williams para a manhã desta terça-feira, dia 18, em sua sede no Rio de Janeiro. Não avisou o que é, mas acho que todos já imaginamos. Boa, Américo Teixeira!

MAIS INDÍCIOS


SÃO PAULO | Se vocês digitarem williamsmartiniracing.com em seus navegadores, verão que este domínio está registrado. Hum.

Atualizando: O Gabriel Pedreschi, cujas habilidades de hacker eu desconhecia, alertou que esse domínio foi registrado pela mesma empresa que registrou o williamsf1.com. Não parece ser coincidência.

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CONFLITO DE INTERESSES


SÃO PAULO | Nunca deixou de ser um mistério o modo como Nicolas Todt administra as contas dos vários clientes que possui na F1 — Felipe Massa, Pastor Maldonado, Jules Bianchi. E ontem, em entrevista coletiva aqui em São Paulo, Massa deu uma declaração interessante: foi ele próprio quem conduziu a negociação com a Williams.

Rápida, devido ao desejo de ambas as partes em fechar o negócio, a conversa não contou com a atuação de Todt por um conflito de interesses: o francês estava acertando a saída de Maldonado do time de Grove, por isso, a escuderia preferiu não dialogar com ele para assinar com o brasileiro. Massa, que não pareceu muito incomodado com o tema, consultou seu empresário, é claro, mas decidiu-se sozinho.

E, até agora, o piloto se mostra bem confiante de que fez a escolha correta. Está bem-humorado, animado e contente porque o carro parece bom após a primeira bateria de testes.

“Ah, mas falavam a mesma coisa do Massa no início de 2013”.

Sim, porém, é um pouco diferente a situação. No começo do ano passado, ele era um piloto que havia reencontrado o caminho depois de uma fase terrível. Dessa vez, está fora da Ferrari e empolgado com um novo desafio. Pode ser que isso não se reflita em nada durante o ano, mas é apenas um registro de como sua postura parece diferente nessa nova temporada. A mudança de ares fez muito bem a Felipe.

F1 GONZA


gonzoSÃO PAULO | Estou de férias e, portanto, só acompanhando por cima essa semana de lançamentos da F1. Deu para notar que a categoria vai ser um tanto gonza esse ano, com essa nova regra referente à altura do bico dos carros. Os carros ficaram um tanto esquisitos. Culpa da FIA, que fez um regulamento que restringe em vez de obrigar a criarem coisas novas: não adianta limitar a altura máxima, é preciso bloquear alguns conceitos para evitar esses bico-de-tamanduá na frente dos bólidos — ou as pernas abertas, no caso da Lotus.

Até agora, o carro que mais gostei foi o da McLaren, mas a pintura da Force India também agradou. Force India, aliás, tem mudado bastante seus esquemas de cores, como o Rodrigo Berton mostra aqui.

WHITMARSH, BRAWN, BOULLIER, MICHAEL…

Como estou de férias e quero ir andar de bicicleta, vou ser preguiçoso e escrever neste post mesmo. Não é oficial, mas Martin Whitmarsh está mesmo fora da McLaren. O cara não apareceu no anúncio do novo carro. Precisa de mais para saber que não vai continuar?

Sem Martin, estamos todos curiosos para saber quem será o quinto chefe de equipe da história da McLaren. Embora Ron Dennis esteja mandando em tudo de novo em Woking, ele não quer voltar a controlar o time no dia-a-dia. Deve contratar ou remanejar alguém para o cargo. Os mais cotados são três: Ross Brawn, Eric Boullier e Sam Michael.

Brawn vem sendo especulado na McLaren há algumas semanas, mas os outros dois nomes ganharam força nos últimos dias. Primeiro, o site ‘F1 Today’ disse que o atual diretor-esportivo será promovido a chefe. Nesta sexta, a ‘Autosport’, mais confiável, cravou que Boullier deixou a Lotus para comandar a McLaren.

Boullier esteve na Lotus/Renault desde a saída de Flavio Briatore. Seu trabalho foi ótimo. Manteve o time em um bom nível, apesar de contar com um orçamento menor, venceu duas corridas com Kimi Räikkönen e terminou com a terceira posição no Mundial de Pilotos em 2012. Mas a casa está caindo lentamente em Enstone. Kimi saiu, James Allison saiu, vários outros engenheiros foram embora, e agora chegou a vez de Boullier. Não está disposto a passar perrengue. Gerard Lopez, o dono da brincadeira, é quem vai trabalhar como chefe de equipe, numa decisão emergencial.

Pitaco meu: Brawn seria o ideal, e Boullier ainda é uma aposta melhor que Michael.

Estamos testemunhando um estranho momento em que a F1 vive mais trocas de comando do que os times do futebol brasileiro — tá, daqui três semanas já teremos mais técnicos demitidos aqui no Brasil do que na F1.

Adendo: A comparação com o Gonzo é livre para todos os públicos. Se você é maior de 18 anos, clique aqui e veja outra imagem que se assemelha aos bicos dos carros de 2014.

AS DUPLAS DA F1 2014


SÃO PAULO | Está definido o grid da F1 2014. Foram anunciados na última terça-feira os dois pilotos da Caterham, Kamui Kobayashi, que volta à categoria após uma temporada, e o sueco Marcus Ericsson. Aproveitei a ocasião para fazer um ranking das que considero as melhores — e as piores — duplas da temporada. Vamos lá.

1) FERRARI — ALONSO E RÄIKKÖNEN

Clar0 que a melhor dupla é a única que tem dois campeões mundiais. Será a mais interessante de se observar, também. Depois de Vettel, esses foram os dois melhores pilotos da F1 nos últimos dois anos e, se não entrarem em rota de colisão — e, obviamente, a Ferrari construir um bom carro — serão os dois que mais chance terão de quebrar a hegemonia do alemão. Alonso e Kimi somam 52 vitórias na carreira, mais do que qualquer outra dupla do grid.

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2) MERCEDES — HAMILTON E ROSBERG

Hamilton e Rosberg trabalharam muito bem em conjunto em 2013. Sã0 dois pilotos de estilos diferentes, mas que, no final, terminam com o mesmo tempo de volta. Embora tenha vencido somente uma corrida no ano passado, o primeiro na Mercedes, o inglês é um piloto que sabe ganhar GPs — ganhou ao menos um em todas as temporadas em que competiu na F1. Rosberg é bom piloto, meio low profile dentro do time, mas, mesmo fora dos holofotes, é capaz de conquistar ótimos resultados e forçar Hamilton a elevar o nível para vencer a batalha interna.

3) RED BULL — VETTEL E RICCIARDO

De Sebastian Vettel, não é preciso falar nada. Daniel Ricciardo é que tem muito a provar em 2014. O australiano subiu para a Red Bull e agora tem a obrigação de andar na frente e vencer GPs. Acredito que será capaz de fazê-lo. É um piloto rápido, deve conseguir bons resultados em treinos classificatórios e aí terá a missão de se manter nas primeiras posições aos domingos — não foi o seu ponto forte enquanto esteve na Toro Rosso.

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4) McLAREN — BUTTON E MAGNUSSEN

Aqui o quinto campeão mundial do grid junto do promissor novato que a McLaren resolveu efetivar. Button é capaz de liderar uma equipe, já mostrou isso em mais de uma oportunidade, mas tenho a impressão de que ele precisa de um companheiro que represente um desafio. Magnussen é muito bom. Bem melhor que o pai. A questão é que ele vai estrear na F1 sem ter andado decentemente com o carro, testou somente nos simuladores. Ainda assim, acredito que seja uma boa aposta.

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5) WILLIAMS — MASSA E BOTTAS

Um bom conjunto que pode dar certo. Bottas foi o melhor estreante de 2013 e mereceu a chance de continuar na F1 na Williams. Mostrou talento, esse finlandês. Massa talvez tenha mais a provar do que o colega, mas também tem capacidade para mostrar que pode liderar uma equipe. Fora da Ferrari e sem a companhia de Alonso, o brasileiro pode voltar a ser aquele piloto que foi até 2009 — mas é só dentro da pista que veremos quanto a mudança de equipe vai servir de impulso para essa recuperação pessoal.

6) FORCE INDIA — HÜLKENBERG E PÉREZ

Nico Hülkenberg, o zicado-mor da F1, terminou 2013 mostrando todo o seu potencial. Sergio Pérez, nem tanto. Acabou dispensado pela McLaren. É uma dupla que pode render bons frutos para a Force India. É ao menos melhor do que a do ano passado (Hülk melhor que Di Resta e Pérez melhor que Sutil).

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7) LOTUS — GROSJEAN E MALDONADO

Não me parece que essa é uma dupla que vai trabalhar bem em conjunto. Romain Grosjean andou bem demais no fim de 2013 e tem capacidade de liderar a Lotus — vai depender só de como o carro vai se comportar. E como Maldonado vai se comportar. O venezuelano até é rápido, mas teve um ano difícil em 2013 e precisará mostrar superação, além de cabeça no lugar para lidar com um rival que tem total condição de andar à frente.

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8) TORO ROSSO — VERGNE E KVYAT

Jean-Éric Vergne tem um bom ritmo de corrida e, a julgar pelo o que aconteceu com outros pilotos da Red Bull, deve ter sua última chance na Toro Rosso neste ano. Ninguém correu lá por mais de três anos. Ou seja: precisará mostrar mais do que mostrou no início da carreira na F1 para provar que pode, quem sabe, ser promovido à RBR em algum momento ou, ao menos, garantir vaga em outro time. Só que, para isso, terá de bater um promissor Daniil Kvyat, que terá de se adaptar a um carro mais potente do que qualquer outro que já pilotou. Olho no russo.

9) CATERHAM — KOBAYASHI E ERICSSON

Kobayashi, que está voltando à F1, já conhecemos. Rápido, capaz de dar show, só vai ser difícil isso acontecer com ele pilotando a Caterham. Junto dele está o sueco Marcus Ericsson, novato de quem podemos esperar mais do que Charles Pic e Giedo van der Garde, ainda que não muito.

10) SAUBER — GUTIÉRREZ E SUTIL

Se o carro for bom, esses dois até podem conseguir bons pontos e resultados melhores, mas ficam na leva dos piores do grid de 2014.

11) MARUSSIA — BIANCHI E CHILTON

Jules Bianchi foi bem em 2013, Max Chilton, nem tanto, embora tenha completado todas as 19 corridas — um recorde. Até dá para imaginar Bianchi conseguindo algo mais notável, mas a dupla em si considero a mais fraca do grid.

SENTANDO A BOTA


2013-f1-18-eua-bottasSÃO PAULO | O fim de semana do GP dos Estados Unidos foi de opostos na Williams. Pastor Maldonado falou cobras e lagartos depois da classificação. Valtteri Bottas se destacou na tomada de tempos e marcou os primeiros pontos da carreira na F1 no domingo. Um, está feliz porque vai sair, mas emburrado porque ainda não saiu. O outro, bem contente por fazer boas apresentações e saber que continuará na F1 sem precisar desembolsar rios de dinheiro neste tempo esquisito que vivemos.

Mas, como vocês podem ter notado pelo trocadilho ridículo do título deste post, o objetivo deste texto é falar (mais) sobre Bottas.

Com os pontos deste domingo, o finlandês passa a ter, também, resultados que o colocam como o melhor estreante de 2013. Melhor que Esteban Gutiérrez, que acordou nesta segunda metade de ano, e que Giedo Van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi. Em termos de desempenho, já era o melhor deste grupo.

A corrida em Austin foi discreta, é verdade. Ele não apareceu muito. Ficou ali, quietinho, no meio do pelotão. No final da prova, ainda registrou a terceira volta mais rápida, 1min40s492, 0s6 mais lento que o tetracampeão Sebastian Vettel. E não é nem que ele tinha pneus bem mais novos àquela altura da disputa: ele marcou esse tempo 21 voltas depois de entrar nos boxes e colocar um jogo de compostos duros.

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Bottas deu azar de chegar à Williams em um ano horrível da equipe. Até este domingo, era o pior da história. Agora, está empatado com o de 2011, quando Rubens Barrichello e Maldonado somaram, juntos, cinco pontos.

Sem carro para almejar fazer qualquer coisa de muito destaque, resta analisar o desempenho de Bottas a partir de comparações com Maldonado. 11 a 7 em classificações, 8 a 10 em corridas, sendo que os melhores resultados em ambos pertencem ao finlandês: o terceiro lugar no grid do GP do Canadá, na chuva, e o oitavo lugar no GP dos Estados Unidos.

O venezuelano não é um piloto fora de série, mas é um piloto que já ganhou corrida, então merece respeito. Está fazendo um ano horrível em 2013, extremamente insatisfeito com o carro da Williams. Já chegou a dizer que o bólido “é um problema, e Bottas se adaptou melhor ao problema”. Pode até ser. O que não tira os méritos do novato.

O finlandês fez a melhor preparação possível para um piloto que deseja estrear na F1. Andou em 15 treinos livres de sexta-feira em 2012, sempre no lugar de Bruno Senna. O brasileiro sentiu muita falta dessas 15 sessões, que comprometeram bastante o seu desempenho, especialmente em classificações, mas isso não vem ao caso. Bottas é que aproveitou muito bem a chance. Conheceu os circuitos, o carro de F1, o motor Renault e o ambiente de trabalho da equipe. Chegou preparado.

Seu caso nos faz pensar, também, no papel da GP2. Deixou de correr na categoria e focou na F1, enquanto outros pilotos que passaram pelo certame de base estão tendo dificuldades ou nem estão conseguindo subir para a F1, não importa qual seja a razão. O campeão da GP2 em 2012, Davide Valsecchi, é reserva da Lotus, mas não foi colocado no carro em Austin para substituir Kimi Räikkönen. Fabio Leimer e Sam Bird, campeão e vice da GP2 neste ano, não estão sendo nem especulados em algum time para 2014.

Bottas não está na F1 só porque tem como empresário Toto Wolff, acionista da Williams e diretor-executivo até 2012. Está por causa disso e porque mostrou potencial quando recebeu a chance. E, por ter mostrado potencial, vai continuar na F1 em 2014, como companheiro de Felipe Massa.

Tende a crescer ainda mais com a parceria com o brasileiro. Eu acredito que a equipe vai melhorar no ano que vem, com o motor Mercedes e as mudanças internas que estão acontecendo, como a chegada de Pat Symonds. Além disso, Massa possui anos de experiência na mais tradicional escuderia da F1. Vai levar informações sobre como se trabalha em Maranello, como se analisa isso e aquilo, e, se der a volta por cima como piloto, vai levantar o nível do time, forçando Bottas a melhorar seu próprio nível.

A Finlândia é um país que sabe criar pilotos. Já saiu muita gente boa de lá, e Bottas é mais um. Não dá para dizer se vai atingir o nível de Kimi ou de Mika Häkkinen, mas é melhor que Heikki Kovalainen, e pode muito bem se tornar um vencedor no futuro.

HORA DA VIRADA PARA MASSA


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SÃO PAULO – O que o bom amigo Américo Teixiera Jr. cravou, há três semanas, confirmou-se ontem: Felipe Massa vai correr na Williams em 2014. Mais uma vez, ficou claro como funcionam as coisas na F1: nega-se, nega-se, nega-se até que, num belo dia, anuncia-se o que tanto se negou.

Em momento algum, duvidei que esse anúncio fosse acontecer. Primeiro, por confiar no Américo. Vi gente falando que foi chute. Garanto: não foi. Segundo, pelas declarações do próprio piloto e da Williams. A negativa de Massa deixou no ar a impressão de que, de fato, a equipe de Grove seria sua nova casa.

Nicolas Todt e seu assistente, Alessandro Alunni Bravi negou com mais veemência. Este último definiu a situação como “fantasia”. Não, não era. E é claro que o francês não poderia dar indícios de que isso estava acontecendo, afinal, também é empresário de Pastor Maldonado. Confirmando Massa, ele atrapalharia os planos de seu outro piloto. Um conflito de interesses danado.

Mas falemos do futuro.

Escrevi aqui no blog, quando Massa anunciou a saída da Ferrari, sobre como, de repente, seu valor cresceu. “Uma volta por cima fora das pistas”, foi o título do post. O que aconteceu nas últimas 48 horas apenas confirma isso – agregou valor à imagem do piloto.

Na Itália, num evento da Ferrari, ele se despediu da equipe que defende a oito temporadas diante de 15 mil pessoas. Foi saudado pelos torcedores, pelos mecânicos e pelos dirigentes da escuderia. Luca di Montezemolo fez diversos elogios ao vice-campeão de 2008. Ao “campeão por segundos”. Disse que, até hoje, não engole a ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock. E colocou Massa como um modelo  de ferrarista.

Tão interessante quanto é notar que a Ferrari liberou Massa para ir à fábrica da Williams, em Grove, participar do evento no qual foi anunciado. Alguém viu Kimi Räikkönen em um evento da Ferrari? Não, a equipe divulgou um comunicado curto e frio confirmando o retorno do finlandês. Hamilton também demorou bastante para aparecer vestido de piloto da Mercedes.

E Massa não está pagando para correr. A Williams espera que, pela presença dele, consiga encontrar patrocinadores – o que é diferente. O Banco do Brasil será um desses patrocinadores, apoiando dois Felipes: Nasr será reserva, já publicou o amigo Américo.

A Petrobras também cogitou investir no time. Depois de discussões internas, ganhou o lado esportivo. Explico: um lado mais político da petrolífera queria patrocinar a Williams, outro lado, esportivo, defendia a entrada na F1 apenas como fornecedora de combustível. Isso não pode acontecer com a Mercedes, que só usa combustível Mobil.

(Outra info sobre a Petrobras: foi atrás da Honda, parceira da McLaren a partir de 2015, mas ouviu dos japoneses que eles já têm gasolina. Honda e Petrobras estavam acertadas para a temporada 2009, mas a montadora saiu da F1 e o negócio melou.)

Dentro das pistas, esse maior valor agregado não vai resolver nada, é verdade. Chegou a hora de Massa dar um novo rumo à carreira. A hora da virada.

Montezemolo falou isso: a relação atingiu um ponto em que era melhor que Massa procurasse novos ares.

Na Williams, Felipe vai encontrar um mundo de coisas novas: carro, companheiro, chefes, engenheiros, método de trabalho, motor. Ele nunca trabalhou em uma equipe inglesa, tampouco correu com um motor que não fosse Ferrari.

O desempenho nas últimas corridas é um bocado animador. Um bocado. Embora tenha sido mais veloz que Alonso nas classificações, de maneira convincente, ainda deixa a desejar em algumas corridas. Os GPs da Índia e de Abu Dhabi mostraram sinais de progresso, o que é bom. Massa não sabia o que era liderar um GP por mais de três voltas desde o GP da Alemanha de 2010 até a prova de Buddh deste ano. Mas será preciso continuar assim, mostrar uma constância maior.

Liderar a equipe é outra motivação. Quando esteve nessa condição, ou, ao menos em condição de igualdade, entre 2007 e 2009, foi bem. Levou a melhor sobre Raikkonen.

Claro, tudo vai depender da Williams, que está bem mal. Vão ter os motores Mercedes, que dizem ser os melhores para 2014? Ok. O Renault venceu os últimos quatro campeonatos, e nem por isso o time se arranjou neste ano. O crescimento precisa passar por uma reestruturação técnica, que começou com a chegada de Pat Symonds. Ross Brawn seria uma grande contratação.

O rendimento de Massa na Williams será mais uma coisa para se observar em um 2014 que promete ser bastante interessante no automobilismo. Bastante mesmo.

O que marcou na F1 em 2012?


SÃO PAULO, 11h45 – Talvez este post devesse ter sido publicado ontem e apenas o que virá depois deste, hoje. Mas acontece eu tive a ideia hoje, então veio só hoje. Enfim, sem stress. É ano novo. Não que eu me importe muito com virada de ano e tal, pular sete ondinhas ou usar branco para mudar não sei o que. Todavia, é bem possível que você, blogueiro, se importe, então aproveito para lhe desejar um feliz 2013.

E do que se trata este post, afinal?

Resolvi listar cinco momentos que me marcaram na F1em 2012, melhor ano da história da categoria. O meu top-5 é esse que segue, não necessariamente com as coisas mais impactantes e/ou importantes. Apenas imagens que vão ficar na memória mais do que outras. Façam também os seus!

5) O adeus (ou até breve?) de Lewis

Criado pela McLaren desde menino, Lewis Hamilton vai correr pela Mercedes em 2013. Deixou a casa que o colocou na F1, pela qual foi campeão mundial e conquistou 21 vitórias, 26 pole-positions e 49 pódios.

Há algum tempo que as desavenças eram mais e mais expostas. Mesmo assim, parecia que ele nunca deixaria a McLaren. Ficaria lá para sempre. Como parecia que Alain Prost e Ayrton Senna ficariam, mas saíram. Como Mika Häkkinen ficou até decidir se aposentar.

Motorsports: FIA Formula One World Championship 2012, Grand Prix of United States

A decisão de ir para a Mercedes levou em consideração alguns fatores. O dinheiro oferecido, as brigas, os problemas mecânicos que Lewis teve durante o ano (o anúncio aconteceu depois do GP de Cingapura, que Hamilton venceria não fosse uma quebra na caixa de câmbio) e o desafio de levantar a montadora alemã na F1.

Mas após a definição do futuro, a troca de equipe mais importante da categoria desde a ida de Alonso para a McLaren em 2007, em alguns momentos um arrependimento pairou no ar. Um clima de ‘agora já foi, mas não seria ruim se eu ficasse por aqui’, por parte de Lewis. De ‘não quer mesmo voltar atrás’, por parte da McLaren.

A festa pela vitória no GP dos Estados Unidos e a despedida em Interlagos reforçaram isso. Tudo isso deixou uma certeza: de que a porta continua aberta.

4) Schumacher na pole e no pódio

O 2012 de Michael Schumacher começou bem mais promissor do que os anos anteriores de sua passagem pela Mercedes. Já na primeira corrida, o GP da Austrália, largou na segunda fila. Na China, largou ao lado de Rosberg na fila da frente. Mas foi só em classificações que a coisa pareceu boa para ele.

Monaco GPSaturday 26th May 2012Photo: Crispin Thruston

Nas corridas, aconteceu de tudo para não deixá-lo alcançar bons resultados: quebra de câmbio, de asa móvel, de bomba de combustível, trocas de pneus desastrosas, dois acidentes infantis pelos quais Schumi acabou punido na corrida seguinte… Os domingos não foram os melhores para o heptacampeão.

Tanto é que seu melhor momento desde 2010 veio num sábado, numa tarde ensolarada em Monte Carlo. De repente, no fim do Q3 nas ruas do Principado, seu nome apareceu na primeira posição. Pole-position para Michael, a 69ª da carreira. “P1, Michael, P1”, deve ter ouvido pelo rádio. Lembrou-se dos velhos e bons tempos. Comemorou, deu entrevista como primeiro colocado e tudo. Só que não foi o pole-position, porque estava punido em cinco posições no grid de largada pela pancada que deu em Bruno Senna no GP da Espanha. Largou só em sexto =(

Duas corridas depois, em Valência, contou com um pouco de sorte para fazer mais uma festa. Terminou a corrida espanhola no pódio, o único pódio de seus três anos com a Mercedes. Era para ele ter sido sétimo, não fossem os alternadores de Vettel e Grosjean e a cagada que Pastor Maldonado fez ao tirar Hamilton do pódio a duas voltas do fim. Não importa. Lá foi o grande Schumacher para o pódio de novo, ao lado de um emocionado Alonso e de um aparentemente indiferente Kimi Räikkönen.

3) Romperam o lacre do Massa

Essa notícia vai ser lembrada, negativamente, por muito tempo. A Ferrari rompeu o lacre do câmbio de Felipe Massa no GP dos Estados Unidos apenas para deixar Fernando Alonso do lado limpo da pista em Austin, já que a largada seria complicada – as condições da pista e dos pneus eram extremas.

2012-coreia-R-ferrari-massa-smedleyNessas horas a Ferrari se supera. É impressionante. Não bastassem trocas de posição desnecessárias, desta vez ela puniu o próprio piloto para deixar seu principal em uma melhor condição.

Tá, é verdade, é um negócio e a Ferrari precisava do título. Queria muito o título e sabia que, numa situação normal, não conquistaria. Mas a F1, queiram ou não, ainda é um esporte, não somente um negócio. E o que a Ferrari fez com Massa interferiu não apenas na prova dele e de Alonso, interferiu na prova de meio grid, que precisou mudar de lado para o momento da largada por conta do interesse de um. Essa vai ficar marcada como uma das maiores atitudes antidesportivas da história.

Sobre Felipe Massa, é preciso destacar sua reação no segundo semestre. Pontuou nas dez últimas provas do ano, foi ao pódio duas vezes e ajudou bastante Fernando Alonso. Fez bem o papel de escudeiro, que foi o que lhe restou em 2012. Andou que nem em seus bons tempos. E, no fim, chorou, por tudo o que passou, pela volta por cima que deu, algo que não parecia ser possível. Deu uma lição, não de pilotagem, mas de vida.

2) A confusão da Curva do Lago e a consagração de Vettel

Sebastian Vettel ao contrário na pista, parado de frente para Narain Karthikeyan, Vitaly Petrov e Pedro de la Rosa é outra coisa que será difícil de esquecer. O cara chega a Interlagos, a última corrida, como líder do campeonato. Uma das decisões mais tensas de todos os tempos, que consagraria um novo tricampeão mundial, e ele é acertado por Bruno Senna no meio da primeira volta. É criar drama demais. É um momento simbólico, como foi a falha na embreagem de Ayrton Senna na largada do GP do Japão de 1988.

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Aí vai lá o alemão, com o carro danificado mesmo, se recuperar de maneira impressionante. Quando a TV o mostrou novamente, ele já estava em sétimo ou oitavo lugar. Como??

Talvez o tricampeonato seja a principal maneira pela qual um piloto pode se consagrar. Não ganhou mais só porque tem um bom carro, ou porque faltaram adversários, ou por circunstâncias. Ganhou três vezes. Ganhou, pela terceira vez, sem ter o melhor carro – o melhor do ano foi a McLaren. Vettel e a Red Bull souberam aproveitar o momento em que eram melhores para disparar. Tiraram o máximo destas oportunidades. E Vettel também soube se dar bem quando não tinha o melhor equipamento, ou então se recuperar em situações adversas, como foram as provas de Abu Dhabi e do Brasil.

1) Sete vencedores em sete corridas

Isso foi algo inédito na F1, e foi muito por conta disso que a temporada de 2012 acabou se tornando a melhor da história. O equilíbrio apresentado se deu por causa da imprevisibilidade dos pneus da Pirelli, que deixaram todos sem saber direito o que fazer ou o que esperar dos compostos. Logo, tivemos a oportunidade de ver sete festas diferentes nas sete primeiras corridas do ano, e uma oitava festa que foi marcante:

Jenson Button e a McLaren começando o ano dominantes na Austrália; Fernando Alonso e a Ferrari vencendo um improvável GP da Malásia; na China, Nico Rosberg e a Mercedes enfim desencantaram; o campeão voltou ao alto do pódio no GP do Bahrein; Pastor Maldonado surpreendeu tudo e todos ao vencer o GP da Espanha e dar à Williams sua primeira vitória em oito anos; Mark Webber manteve a sequência e faturou o GP de Mônaco pela segunda vez na carreira; e Lewis Hamilton, que havia batido na trave algumas vezes antes, demorou, mas triunfou em Montreal, no GP do Canadá.

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Aí veio Fernando Alonso, de volta à Espanha, em Valência, e chorou com uma vitória épica diante de sua torcida, no delicado momento que seu país-natal vive, e se tornou o primeiro piloto a vencer duas provas em 2012. Assumia, após oito provas, a liderança do campeonato, algo que ninguém esperava no começo do ano, dado o fraco desempenho da F2012.

Vai ser difícil ter outro começo de ano como esse. Também vai ser difícil ver outro ano como esse.

Menção honrosa para Rubens Barrichello, que nos últimos meses viveu muitas experiências novas. Deixou a F1 como o mais longevo de todos os tempos e rumou para a Indy, onde fracassou. Esperava-se muito dele, mas o conjunto Barrichello-KV não conseguiu ir além de um quarto lugar na etapa de Sonoma, a antepenúltima do ano. Aí ele veio para a Stock Car, onde largou duas vezes entre os dez primeiros, embora nem nas posições da zona de pontuação tenha terminado as provas que terminou. Mas gostou e, por isso, vai continuar aqui, no Brasil. E talvez vire repórter. Gostou da experiência, e foi bem, diga-se, quando convidado da Globo no GP do Brasil.