NOSTALGIA PURA


SÃO PAULO | Esse patrocínio da Martini vai fazer muita gente debruçar os olhos sobre a Williams em 2014 e se lembrar do passado. E eles mesmos vão tentar provocar essas lembranças. Começaram hoje, com essa foto de Felipe Massa envolvido por uma coroa de louros. Eu ia fazer a colagem, mas o Bruno Mantovani postou antes no Facebook e então aproveitei para roubar.

massa-pace-williams-martiniA Martini patrocinava a Brabham quando José Carlos Pace venceu o GP do Brasil de 1975 — sua primeira e única vitória na F1. E seria daquelas histórias de emocionar a todos se, em novembro, Massa subisse no pódio em Interlagos e recebesse uma coroa de louros do tipo.

Essa parceria não poderia vir em melhor hora: justo quando a Williams renasceu. Reestruturou-se, conseguiu levantar um bom orçamento, assinou com bons pilotos e, acima de tudo, fez um bom carro. É, de longe, o mais bonito desse grid — a Mercedes pode até ter feito um desenho mais bonito, mas o conjunto da obra do FW36 superou.

Vai ser legal demais ver a Williams andando na frente de novo na F1. Frank merece.

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CONFLITO DE INTERESSES


SÃO PAULO | Nunca deixou de ser um mistério o modo como Nicolas Todt administra as contas dos vários clientes que possui na F1 — Felipe Massa, Pastor Maldonado, Jules Bianchi. E ontem, em entrevista coletiva aqui em São Paulo, Massa deu uma declaração interessante: foi ele próprio quem conduziu a negociação com a Williams.

Rápida, devido ao desejo de ambas as partes em fechar o negócio, a conversa não contou com a atuação de Todt por um conflito de interesses: o francês estava acertando a saída de Maldonado do time de Grove, por isso, a escuderia preferiu não dialogar com ele para assinar com o brasileiro. Massa, que não pareceu muito incomodado com o tema, consultou seu empresário, é claro, mas decidiu-se sozinho.

E, até agora, o piloto se mostra bem confiante de que fez a escolha correta. Está bem-humorado, animado e contente porque o carro parece bom após a primeira bateria de testes.

“Ah, mas falavam a mesma coisa do Massa no início de 2013”.

Sim, porém, é um pouco diferente a situação. No começo do ano passado, ele era um piloto que havia reencontrado o caminho depois de uma fase terrível. Dessa vez, está fora da Ferrari e empolgado com um novo desafio. Pode ser que isso não se reflita em nada durante o ano, mas é apenas um registro de como sua postura parece diferente nessa nova temporada. A mudança de ares fez muito bem a Felipe.

AS DUPLAS DA F1 2014


SÃO PAULO | Está definido o grid da F1 2014. Foram anunciados na última terça-feira os dois pilotos da Caterham, Kamui Kobayashi, que volta à categoria após uma temporada, e o sueco Marcus Ericsson. Aproveitei a ocasião para fazer um ranking das que considero as melhores — e as piores — duplas da temporada. Vamos lá.

1) FERRARI — ALONSO E RÄIKKÖNEN

Clar0 que a melhor dupla é a única que tem dois campeões mundiais. Será a mais interessante de se observar, também. Depois de Vettel, esses foram os dois melhores pilotos da F1 nos últimos dois anos e, se não entrarem em rota de colisão — e, obviamente, a Ferrari construir um bom carro — serão os dois que mais chance terão de quebrar a hegemonia do alemão. Alonso e Kimi somam 52 vitórias na carreira, mais do que qualquer outra dupla do grid.

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2) MERCEDES — HAMILTON E ROSBERG

Hamilton e Rosberg trabalharam muito bem em conjunto em 2013. Sã0 dois pilotos de estilos diferentes, mas que, no final, terminam com o mesmo tempo de volta. Embora tenha vencido somente uma corrida no ano passado, o primeiro na Mercedes, o inglês é um piloto que sabe ganhar GPs — ganhou ao menos um em todas as temporadas em que competiu na F1. Rosberg é bom piloto, meio low profile dentro do time, mas, mesmo fora dos holofotes, é capaz de conquistar ótimos resultados e forçar Hamilton a elevar o nível para vencer a batalha interna.

3) RED BULL — VETTEL E RICCIARDO

De Sebastian Vettel, não é preciso falar nada. Daniel Ricciardo é que tem muito a provar em 2014. O australiano subiu para a Red Bull e agora tem a obrigação de andar na frente e vencer GPs. Acredito que será capaz de fazê-lo. É um piloto rápido, deve conseguir bons resultados em treinos classificatórios e aí terá a missão de se manter nas primeiras posições aos domingos — não foi o seu ponto forte enquanto esteve na Toro Rosso.

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4) McLAREN — BUTTON E MAGNUSSEN

Aqui o quinto campeão mundial do grid junto do promissor novato que a McLaren resolveu efetivar. Button é capaz de liderar uma equipe, já mostrou isso em mais de uma oportunidade, mas tenho a impressão de que ele precisa de um companheiro que represente um desafio. Magnussen é muito bom. Bem melhor que o pai. A questão é que ele vai estrear na F1 sem ter andado decentemente com o carro, testou somente nos simuladores. Ainda assim, acredito que seja uma boa aposta.

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5) WILLIAMS — MASSA E BOTTAS

Um bom conjunto que pode dar certo. Bottas foi o melhor estreante de 2013 e mereceu a chance de continuar na F1 na Williams. Mostrou talento, esse finlandês. Massa talvez tenha mais a provar do que o colega, mas também tem capacidade para mostrar que pode liderar uma equipe. Fora da Ferrari e sem a companhia de Alonso, o brasileiro pode voltar a ser aquele piloto que foi até 2009 — mas é só dentro da pista que veremos quanto a mudança de equipe vai servir de impulso para essa recuperação pessoal.

6) FORCE INDIA — HÜLKENBERG E PÉREZ

Nico Hülkenberg, o zicado-mor da F1, terminou 2013 mostrando todo o seu potencial. Sergio Pérez, nem tanto. Acabou dispensado pela McLaren. É uma dupla que pode render bons frutos para a Force India. É ao menos melhor do que a do ano passado (Hülk melhor que Di Resta e Pérez melhor que Sutil).

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7) LOTUS — GROSJEAN E MALDONADO

Não me parece que essa é uma dupla que vai trabalhar bem em conjunto. Romain Grosjean andou bem demais no fim de 2013 e tem capacidade de liderar a Lotus — vai depender só de como o carro vai se comportar. E como Maldonado vai se comportar. O venezuelano até é rápido, mas teve um ano difícil em 2013 e precisará mostrar superação, além de cabeça no lugar para lidar com um rival que tem total condição de andar à frente.

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8) TORO ROSSO — VERGNE E KVYAT

Jean-Éric Vergne tem um bom ritmo de corrida e, a julgar pelo o que aconteceu com outros pilotos da Red Bull, deve ter sua última chance na Toro Rosso neste ano. Ninguém correu lá por mais de três anos. Ou seja: precisará mostrar mais do que mostrou no início da carreira na F1 para provar que pode, quem sabe, ser promovido à RBR em algum momento ou, ao menos, garantir vaga em outro time. Só que, para isso, terá de bater um promissor Daniil Kvyat, que terá de se adaptar a um carro mais potente do que qualquer outro que já pilotou. Olho no russo.

9) CATERHAM — KOBAYASHI E ERICSSON

Kobayashi, que está voltando à F1, já conhecemos. Rápido, capaz de dar show, só vai ser difícil isso acontecer com ele pilotando a Caterham. Junto dele está o sueco Marcus Ericsson, novato de quem podemos esperar mais do que Charles Pic e Giedo van der Garde, ainda que não muito.

10) SAUBER — GUTIÉRREZ E SUTIL

Se o carro for bom, esses dois até podem conseguir bons pontos e resultados melhores, mas ficam na leva dos piores do grid de 2014.

11) MARUSSIA — BIANCHI E CHILTON

Jules Bianchi foi bem em 2013, Max Chilton, nem tanto, embora tenha completado todas as 19 corridas — um recorde. Até dá para imaginar Bianchi conseguindo algo mais notável, mas a dupla em si considero a mais fraca do grid.

A SUBJETIVIDADE DA REGRA


F1 Brazilian GP 2013

SÃO PAULO | Eu ia escrever esse post na semana do GP da Índia, mas acabou passando. Lembrei do tema com essa foto, de Felipe Massa e Lewis Hamilton no GP do Brasil. O clique é do Beto Issa.

Já entenderam do que se trata o post?

Reparem na posição de Massa: as quatro rodas estão além da linha branca. Ele está desrespeitando os limites da pista e, certamente, levando vantagem por isso. Hamilton fará o mesmo. Todos sabem que, no Bico de Pato, é preciso colocar o carro todo na zebra para ganhar tempo, para fazer a curva com perfeição. Massa, que anda bem como poucos em Interlagos, sabe mais do que ninguém como esse detalhe é importante.

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Colocar as quatro rodas além da linha branca na entrada dos boxes não rendeu a Massa um grande ganho. Não deve ter sido nada além de meio décimo. Hamilton continuou colado nele.

A punição é correta na medida em que Charlie Whiting, no briefing, alertou os pilotos quanto à regra dos limites da pista naquele ponto (vejam a imagem). Os pilotos da Mercedes estavam atentos e acusaram Massa de não cumprir o regulamento. Beleza, drive-through aplicado, como tinha de ser. (Outra questão: Massa foi punido em 20s por uma manobra que não lhe deu nem meio décimo. É preciso rever, também, as penalizações da F1. No DTM, ele teria 1s acrescido ao tempo final de prova e pronto).

O problema mesmo é a subjetividade da regra.

Romain Grosjean foi punido no GP da Hungria por causa da ultrapassagem mais bonita do ano. Passou a Ferrari de Massa por fora em uma curva de alta velocidade, a mais rápida do circuito. Colocou as quatro rodas além da linha branca, é verdade, por muito pouco. Não andou mais rápido por causa disso. A interpretação dos comissários foi: Grosjean só tentou a ultrapassagem porque sabia que ali havia asfalto; fosse grama, terra, brita ou lama, não tentaria. OK.

Eu estava nessa corrida da Hungria. Na coletiva de Massa, a primeira pergunta feita em inglês foi: “Você acusou Grosjean, pediu uma punição?” Massa rebateu dizendo que o francês fora punido por causa de outro incidente, com Jenson Button. “Não, foi por causa da ultrapassagem sobre você”, alertamos. E o brasileiro falou que nem viu que a Lotus colocou as quatro rodas fora da pista: “Então a punição foi errada. E ele colocou só duas rodas fora.” Para todos verem como foi sutil o lance. (Atualização: só para ficar claro, depois da corrida, Grosjean recebeu um segundo drive-through pelo choque com Button, mostrado no vídeo abaixo).

Punir Grosjean foi tão absurdo que até a FOM cornetou a FIA ao recuperar uma imagem da primeira volta e mostrar que Kimi Räikkönen, em uma disputa de posição, saiu da pista no mesmo ponto. Ele levou tanta vantagem quanto Grosjean. Vamos em frente.

No mesmo GP da Hungria, vários pilotos saíram da pista com as quatro rodas na saída da curva 11. Não ganharam posições, mas, se tentassem manter o carro no traçado, acabariam perdendo um pouco de aceleração. Só forçaram desse jeito porque sabiam que ali havia asfalto; fosse grama, terra, brita ou lama, não tentariam.

Citei o GP da Índia lá no começo do post pela mesma razão. É o maior exemplo do ano neste sentido. Observem em vídeos de lá: nas curvas de alta, nos esses em sequência, os pilotos saíram da pista o tempo todo. E ninguém foi punido.

O pior é que a F1 é um exemplo para as categorias do resto do mundo. Aí acontece o que aconteceu com Átila Abreu naquela etapa de Cascavel da Stock Car, aquela punição esdrúxula que ele recebeu pela ultrapassagem por um Max Wilson que não deu espaço. Até Max, o ultrapassado, posicionou-se contra os comissários.

A regra é clara, mas não é aplicada o tempo todo. Torna-se, portanto, bem subjetiva, para falar a verdade. A impressão que dá é que os comissários tomam essas decisões pensando em não criar pretextos para outros casos. Com isso, as decisões acabam sendo tomadas com um preciosismo que só arranha a imagem do esporte. Fica chato. Quem vê em casa, pensa: “Mas tudo é punição, não aguento mais isso.” E os pilotos vão começar a pensar três vezes antes de arriscar uma manobra. E vão reclamar que as corridas estão chatas, que ninguém pensa ninguém, que os pilotos de hoje em dia não tem colhões.

A FIA precisa parar com essas frescuras e devolver as corridas aos pilotos.

SENTANDO A BOTA


2013-f1-18-eua-bottasSÃO PAULO | O fim de semana do GP dos Estados Unidos foi de opostos na Williams. Pastor Maldonado falou cobras e lagartos depois da classificação. Valtteri Bottas se destacou na tomada de tempos e marcou os primeiros pontos da carreira na F1 no domingo. Um, está feliz porque vai sair, mas emburrado porque ainda não saiu. O outro, bem contente por fazer boas apresentações e saber que continuará na F1 sem precisar desembolsar rios de dinheiro neste tempo esquisito que vivemos.

Mas, como vocês podem ter notado pelo trocadilho ridículo do título deste post, o objetivo deste texto é falar (mais) sobre Bottas.

Com os pontos deste domingo, o finlandês passa a ter, também, resultados que o colocam como o melhor estreante de 2013. Melhor que Esteban Gutiérrez, que acordou nesta segunda metade de ano, e que Giedo Van der Garde, Max Chilton e Jules Bianchi. Em termos de desempenho, já era o melhor deste grupo.

A corrida em Austin foi discreta, é verdade. Ele não apareceu muito. Ficou ali, quietinho, no meio do pelotão. No final da prova, ainda registrou a terceira volta mais rápida, 1min40s492, 0s6 mais lento que o tetracampeão Sebastian Vettel. E não é nem que ele tinha pneus bem mais novos àquela altura da disputa: ele marcou esse tempo 21 voltas depois de entrar nos boxes e colocar um jogo de compostos duros.

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Bottas deu azar de chegar à Williams em um ano horrível da equipe. Até este domingo, era o pior da história. Agora, está empatado com o de 2011, quando Rubens Barrichello e Maldonado somaram, juntos, cinco pontos.

Sem carro para almejar fazer qualquer coisa de muito destaque, resta analisar o desempenho de Bottas a partir de comparações com Maldonado. 11 a 7 em classificações, 8 a 10 em corridas, sendo que os melhores resultados em ambos pertencem ao finlandês: o terceiro lugar no grid do GP do Canadá, na chuva, e o oitavo lugar no GP dos Estados Unidos.

O venezuelano não é um piloto fora de série, mas é um piloto que já ganhou corrida, então merece respeito. Está fazendo um ano horrível em 2013, extremamente insatisfeito com o carro da Williams. Já chegou a dizer que o bólido “é um problema, e Bottas se adaptou melhor ao problema”. Pode até ser. O que não tira os méritos do novato.

O finlandês fez a melhor preparação possível para um piloto que deseja estrear na F1. Andou em 15 treinos livres de sexta-feira em 2012, sempre no lugar de Bruno Senna. O brasileiro sentiu muita falta dessas 15 sessões, que comprometeram bastante o seu desempenho, especialmente em classificações, mas isso não vem ao caso. Bottas é que aproveitou muito bem a chance. Conheceu os circuitos, o carro de F1, o motor Renault e o ambiente de trabalho da equipe. Chegou preparado.

Seu caso nos faz pensar, também, no papel da GP2. Deixou de correr na categoria e focou na F1, enquanto outros pilotos que passaram pelo certame de base estão tendo dificuldades ou nem estão conseguindo subir para a F1, não importa qual seja a razão. O campeão da GP2 em 2012, Davide Valsecchi, é reserva da Lotus, mas não foi colocado no carro em Austin para substituir Kimi Räikkönen. Fabio Leimer e Sam Bird, campeão e vice da GP2 neste ano, não estão sendo nem especulados em algum time para 2014.

Bottas não está na F1 só porque tem como empresário Toto Wolff, acionista da Williams e diretor-executivo até 2012. Está por causa disso e porque mostrou potencial quando recebeu a chance. E, por ter mostrado potencial, vai continuar na F1 em 2014, como companheiro de Felipe Massa.

Tende a crescer ainda mais com a parceria com o brasileiro. Eu acredito que a equipe vai melhorar no ano que vem, com o motor Mercedes e as mudanças internas que estão acontecendo, como a chegada de Pat Symonds. Além disso, Massa possui anos de experiência na mais tradicional escuderia da F1. Vai levar informações sobre como se trabalha em Maranello, como se analisa isso e aquilo, e, se der a volta por cima como piloto, vai levantar o nível do time, forçando Bottas a melhorar seu próprio nível.

A Finlândia é um país que sabe criar pilotos. Já saiu muita gente boa de lá, e Bottas é mais um. Não dá para dizer se vai atingir o nível de Kimi ou de Mika Häkkinen, mas é melhor que Heikki Kovalainen, e pode muito bem se tornar um vencedor no futuro.

HORA DA VIRADA PARA MASSA


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SÃO PAULO – O que o bom amigo Américo Teixiera Jr. cravou, há três semanas, confirmou-se ontem: Felipe Massa vai correr na Williams em 2014. Mais uma vez, ficou claro como funcionam as coisas na F1: nega-se, nega-se, nega-se até que, num belo dia, anuncia-se o que tanto se negou.

Em momento algum, duvidei que esse anúncio fosse acontecer. Primeiro, por confiar no Américo. Vi gente falando que foi chute. Garanto: não foi. Segundo, pelas declarações do próprio piloto e da Williams. A negativa de Massa deixou no ar a impressão de que, de fato, a equipe de Grove seria sua nova casa.

Nicolas Todt e seu assistente, Alessandro Alunni Bravi negou com mais veemência. Este último definiu a situação como “fantasia”. Não, não era. E é claro que o francês não poderia dar indícios de que isso estava acontecendo, afinal, também é empresário de Pastor Maldonado. Confirmando Massa, ele atrapalharia os planos de seu outro piloto. Um conflito de interesses danado.

Mas falemos do futuro.

Escrevi aqui no blog, quando Massa anunciou a saída da Ferrari, sobre como, de repente, seu valor cresceu. “Uma volta por cima fora das pistas”, foi o título do post. O que aconteceu nas últimas 48 horas apenas confirma isso – agregou valor à imagem do piloto.

Na Itália, num evento da Ferrari, ele se despediu da equipe que defende a oito temporadas diante de 15 mil pessoas. Foi saudado pelos torcedores, pelos mecânicos e pelos dirigentes da escuderia. Luca di Montezemolo fez diversos elogios ao vice-campeão de 2008. Ao “campeão por segundos”. Disse que, até hoje, não engole a ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock. E colocou Massa como um modelo  de ferrarista.

Tão interessante quanto é notar que a Ferrari liberou Massa para ir à fábrica da Williams, em Grove, participar do evento no qual foi anunciado. Alguém viu Kimi Räikkönen em um evento da Ferrari? Não, a equipe divulgou um comunicado curto e frio confirmando o retorno do finlandês. Hamilton também demorou bastante para aparecer vestido de piloto da Mercedes.

E Massa não está pagando para correr. A Williams espera que, pela presença dele, consiga encontrar patrocinadores – o que é diferente. O Banco do Brasil será um desses patrocinadores, apoiando dois Felipes: Nasr será reserva, já publicou o amigo Américo.

A Petrobras também cogitou investir no time. Depois de discussões internas, ganhou o lado esportivo. Explico: um lado mais político da petrolífera queria patrocinar a Williams, outro lado, esportivo, defendia a entrada na F1 apenas como fornecedora de combustível. Isso não pode acontecer com a Mercedes, que só usa combustível Mobil.

(Outra info sobre a Petrobras: foi atrás da Honda, parceira da McLaren a partir de 2015, mas ouviu dos japoneses que eles já têm gasolina. Honda e Petrobras estavam acertadas para a temporada 2009, mas a montadora saiu da F1 e o negócio melou.)

Dentro das pistas, esse maior valor agregado não vai resolver nada, é verdade. Chegou a hora de Massa dar um novo rumo à carreira. A hora da virada.

Montezemolo falou isso: a relação atingiu um ponto em que era melhor que Massa procurasse novos ares.

Na Williams, Felipe vai encontrar um mundo de coisas novas: carro, companheiro, chefes, engenheiros, método de trabalho, motor. Ele nunca trabalhou em uma equipe inglesa, tampouco correu com um motor que não fosse Ferrari.

O desempenho nas últimas corridas é um bocado animador. Um bocado. Embora tenha sido mais veloz que Alonso nas classificações, de maneira convincente, ainda deixa a desejar em algumas corridas. Os GPs da Índia e de Abu Dhabi mostraram sinais de progresso, o que é bom. Massa não sabia o que era liderar um GP por mais de três voltas desde o GP da Alemanha de 2010 até a prova de Buddh deste ano. Mas será preciso continuar assim, mostrar uma constância maior.

Liderar a equipe é outra motivação. Quando esteve nessa condição, ou, ao menos em condição de igualdade, entre 2007 e 2009, foi bem. Levou a melhor sobre Raikkonen.

Claro, tudo vai depender da Williams, que está bem mal. Vão ter os motores Mercedes, que dizem ser os melhores para 2014? Ok. O Renault venceu os últimos quatro campeonatos, e nem por isso o time se arranjou neste ano. O crescimento precisa passar por uma reestruturação técnica, que começou com a chegada de Pat Symonds. Ross Brawn seria uma grande contratação.

O rendimento de Massa na Williams será mais uma coisa para se observar em um 2014 que promete ser bastante interessante no automobilismo. Bastante mesmo.

UMA VOLTA POR CIMA FORA DAS PISTAS


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SÃO PAULO | Demorei um pouco para conseguir arranjar tempo para escrever aqui no blog – que anda bastante empoeirado – sobre a saída de Felipe Massa da Ferrari. O lado bom disso é que deu para observar várias reações à notícia de que, após oito temporadas, o brasileiro não vai mais correr pela equipe mais vencedora da F1. Admito que fiquei impressionado com como a maioria dessas reações foi positiva.

Não quero, de forma alguma, menosprezar Massa. Pelo contrário. Fiquei surpreso porque, desde o início de 2010, ele andou muito abaixo do que se esperava dele e muito menos do que outros pilotos de ponta da F1. Mas ele saiu da Ferrari pela porta da frente, e o anúncio, por incrível que pareça, deu uma levantada na imagem de Massa. Ainda foram feitas homenagens pela própria equipe e também por Alonso.

A própria imprensa europeia está fazendo elogios ao paulista. Li, hoje, na Autosport, um texto muito bom do Edd Straw: “Não esqueçam o quão bom Massa foi.”

Uma volta por cima fora das pistas. Acho que dá para resumir assim.

Deixar a Ferrari como o segundo piloto que mais defendeu o time é uma marca respeitável. Até porque Maranello costuma ser um ambiente um pouco hostil para os pilotos. A pressão por resultados é enorme. E, quatro temporadas, os resultados de Massa foram ótimos. Ótimos mesmo.

2006 foi um ano de adaptação. Não era para se esperar que ele fosse bater Michael Schumacher. Mas, observando o alemão, ele aprendeu direitinho. Foi terceiro no campeonato, marcou três poles, ganhou duas corridas e, mais do que isso, moral. A festa feita no GP do Brasil o deixou ainda mais confiante para fazer frente a Kimi Räikkönen em 2007.

E 2007, ao contrário do que muita gente pensa, foi, sim, um bom ano. Massa venceu no Bahrein e na Espanha para começar o ano bem. Na Espanha, teve aquela dividida de curva com Fernando Alonso que mostrou: “Estou aqui para ser campeão. Não vou amolecer.” Ele tornou a brigar com o espanhol em Nürburgring. Venceu de novo na Turquia e, no GP da Itália, estava à frente de Räikkönen. Foi então que uma falha na suspensão acabou com seu fôlego na luta pelo título.

De 2008, não tem nem muito o que falar. Três corridas ruins, várias boas, algumas impecáveis. Seis vitórias. E nada de tremer na hora mais importante: a decisão, em Interlagos. Massa fez tudo o que podia para ser campeão. Hamilton também. Os dois mereceram demais e foi um detalhe que definiu tudo.

Mesmo em 2009, Massa foi bem. O carro era ruim, mas ele estava melhor que Räikkönen e arrisco dizer que tinha uma boa chance de vencer na Hungria. Ah, a Hungria.

Mas a confiança no brasileiro era tanta que a Ferrari optou por romper com Kimi, que tinha contrato até o fim de 2010, para renovar com Felipe, cujo vínculo acabaria em 2009.

De lá para cá é que o jogo começou a virar. Na companhia de Fernando Alonso, os resultados não foram os mesmos. E pode ser até ingenuidade minha, mas tenho a impressão de que o espanhol se tornou o grande problema de Felipe. Por mais que ele tentasse, não conseguia ficar à frente. Não tem jeito, a autoconfiança vai diminuindo. Quando você tem a chance de se recuperar, ouve a mensagem de rádio mais famosa da história da F1.

Para não dizer que nada de bom aconteceu, houve o fim de 2012. Uma boa arrancada depois do momento mais delicado de Massa, em termos de performance. A coisa não ia nas primeiras corridas. Na Inglaterra, ele começou a reagir, uma reação coroada com o pódio no Brasil e serviu de impulso para um bom início de 2013.

Agora, a saída de Massa representa um fenômeno curioso: ao mesmo tempo em que o valor de mercado caiu – ele não deve conseguir um contrato bom como o que tinha na Ferrari –, o respeito aumentou. A Lotus, ao que parece, vai escolher entre ele e Nico Hülkenberg. E aí Felipe, que saiu da Ferrari ressaltando o sonho em ser campeão, vai ter a chance de dar uma volta por cima dentro das pistas também, mesmo que não realize esse sonho.

Aliás, isso pode acontecer daqui até o fim do ano. Sem preocupação, sem pressão, ele tem sete corridas para mostrar que merece continuar na F1. E se não conseguir um lugar no grid de 2014, terá, ao menos, se despedido em grande estilo.

Passando a régua: GP de Mônaco – corrida


SÃO PAULO | 20h12 | Demorou, mas saiu o podcast que eu preparei sobre o GP de Mônaco. No mesmo esquema de sempre: equipe por equipe, estatísticas, informações e palpites sobre o que aconteceu na última corrida. Na próxima, vou tentar soltar mais cedo a bagaça. Para ouvir a edição de Mônaco, é só clicar aí embaixo:

Passando a régua: GP da Espanha – corrida


SÃO PAULO | 8h | Ficou um pouco atrasado o podcast sobre o GP da Espanha, mas está no ar, enfim. É que eu aproveitei o domingo de folga no Dia das Mães para sair com a namorada e com amigos, já que a mãe estava viajando. Mas isso não é da conta de vocês. Vitória maiúscula de Fernando Alonso, ótima corrida de Felipe Massa. Fazia tempo que a Ferrari não andava tão bem em um fim de semana, com os dois carros. Mas Kimi Räikkönen, cada vez mais, se mostra como um fortíssimo candidato ao título. Para ouvir a rodada de comentários e palpites sobre a corrida de ontem, é só clicar no play aí embaixo. Também dá para baixar.

Passando a régua: GP do Bahrein – corrida


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SÃO PAULO, 14h15 – Está no ar o podcast de hoje, uma rodada de informações, estatísticas e alguns pitacos sobre o que aconteceu no GP do Bahrein desta manhã. Não foi uma corrida memorável, mas foi bem animada, até, essa primeira manhã de domingo de 2013. Vitória fácil de Sebastian Vettel, que andou muito com o grande carro que o RB9 é. Foi a 28ª vitória do alemão e a 36ª da Red Bull, que agora é a quinta maior vencedora de todos os tempos na F1, deixando Renault e Brabham para trás. Para ouvir as baboseiras que falei sobre a corrida, é só dar play aí embaixo: